Surrel Attiê foi vendedor aos 9 anos

Surrel Attiê, aos 85 anos, tem mais de seis décadas de sua vida dedicadas ao mercado do vestuário em Uberlândia
É praticamente impossível contar a quantidade de uberlandenses que puderam se vestir de forma elegante graças às roupas compradas em uma das lojas que Surrel Attiê teve ao longo de seus 85 anos. A mais tradicional, a Ritz, especializada em artigos masculinos, existe há 62 anos. E, se depender da qualidade dos produtos ofertados e da paixão com que o proprietário mantém a loja, continuará a ser referência em roupas e acessórios para homens ainda por muito mais tempo.
Surrel Attiê está no ramo comercial desde os 9 anos de idade. Na época, trabalhava de 10h a 11h por dia em uma loja de tecidos. Em pouco tempo, virou o melhor vendedor do estabelecimento. A explicação, segundo Attiê, pode ser genética: filho de libaneses, credita à origem dos seus pais a facilidade com que vende qualquer produto. “Todo libanês tem uma tendência ao comércio. Isso vem da nossa história, começou lá com os fenícios”, disse.
Mesmo que, naquela época, não fosse hábito pagar comissão aos vendedores, Surrel Attiê conseguiu juntar uma boa quantidade de dinheiro graças ao seu comedimento. Em 1951, após voltar do Rio de Janeiro, onde cursou psicologia por três anos, e cuidar do comércio de seu pai, que passava por um momento de saúde debilitada, Attiê pegou suas economias e comprou sua primeira loja, que ficava em frente à praça Tubal Vilela, no Centro. Nascia, assim, a Ritz.
A loja começou em um pequeno espaço de 40 metros quadrados e contava com apenas um vendedor, o próprio Surrel Attiê. O comerciante trabalhava todos os dias até as 18h, quando fechava as portas do estabelecimento, equipava uma charrete com roupas, sapatos, cintos e saía para vender de porta em porta para clientes ilustres. A estratégia deu certo. Em pouco tempo, o comércio foi expandindo na medida em que Attiê comprava as lojas vizinhas. “Até 1974, minha loja ficou com 20 metros de frente, mais 48 metros de fundo. No ano seguinte, consegui comprar todo o prédio”, afirmou Attiê.
Bom patrão
Além do esforço e da paixão com que Surrel Attiê tocava sua loja, a maneira como o comerciante sempre tratou seus funcionários foi muito importante para o crescimento da Ritz. Ao invés de ficar com a comissão dos produtos que vendia, que, aliás, correspondia à maior parte do movimentado na Ritz, Surrel preferia repartir os lucros com os outros dois vendedores do estabelecimento. “A pior coisa é o lojista ser egoísta e achar que o lucro é só dele. Ele deve pensar no outro, pois sem isso não há como ir para frente”, disse Attiê. Ao contrário de muitos comerciantes modernos, que têm problemas na hora de contratar, Surrel foi capaz de fidelizar sua mão de obra. “Tem funcionário que ficou comigo mais de 20 anos”, afirmou.
Empresário prega respeito a clientes
Não são apenas o dom ligado ao sangue libanês, o esforço próprio e a maneira com que trata os funcionários os atributos responsáveis pelo sucesso de Surrel Attiê. O comerciante também fez sempre questão de ver as palavras qualidade e honestidade associadas ao nome da Ritz e de sua família. “O proprietário de uma loja tem sempre que ser um cara sério, honesto e leal com seu cliente. Se você fala que seu produto é uma coisa, você tem de vender esta tal coisa. Minha filosofia não aceita desonestidade”, disse.
Em quase um século de existência, outras quatro lojas passaram pelas mãos do comerciante, sempre guiado pela qualidade dos produtos ofertados. Além da Ritz, que alcançou plena expansão física, Surrel abriu a Ritz Viagem, especializada em malas e outros artigos, a Oppen, especializada em roupas masculinas e que hoje é controlada por um de seus quatro filhos, a S.E. e a Senador, todas no Centro de Uberlândia.
Loja é transferida para shopping por falta de segurança
Quem hoje passar pela avenida Afonso Pena, em frente a Tubal Vilela, não verá a extensa Ritz de Surrel Attiê. No local, atualmente está uma loja de departamentos, que aluga o espaço do comerciante. Em 2003, o empresário de 85 anos transferiu seu comércio para o Center Shopping devido a um pequeno empecilho, também responsável pela venda e fechamento dos outros estabelecimentos do comerciante. “Fui assaltado nove vezes, inclusive à mão armada. Só na Ritz foram quatro assaltos. Decidi vender tudo e montar a loja no shopping”, disse.
No novo endereço, Attiê continuou a ser referência em qualidade e bom atendimento. Mesmo com a idade avançada, faz questão de trabalhar de segunda a sábado. “O comércio é uma arte como outra qualquer”, afirmou o empresário, que pensa em parar apenas em 2016.
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bonequinha de luxo disse:23/04/12 12:01
Ai como sou bandida…

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