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Cidade e Região

Zezão é o típico velho e bom camarada

José Rodrigues de Moura, o Zezão, foi porteiro no Colégio Nossa Senhora por 40 anos

Se alguém for ao colégio Nossa Senhora da Ressurreição – denominação atual do antigo Colégio Nossa Senhora -, que fica no bairro Fundinho, região central de Uberlândia, e perguntar se algum funcionário de lá conhece José Rodrigues de Moura vai ter dificuldade para ouvir um “sim”. Mas se a procura for pelo “Zezão”, a resposta positiva será quase imediata. E não é por menos, esse apelido acompanhou José Rodrigues pelos quase 40 anos que trabalhou como porteiro na instituição. Mineiro de Arcos, cidade da região Oeste de Minas Gerais, Zezão, hoje com 75 anos, demonstra gratidão em suas palavras ao se referir a ex-colegas de trabalho e outras pessoas que, segundo ele, o ajudaram de alguma forma a “crescer e ser feliz”. De uma coisa ele, que ao longo da vida conquistou a simpatia até de autoridades, tem certeza: nada é mais importante do que a amizade.

Zezão nasceu em 1937 e veio para Uberlândia aos 12 anos de idade. Juntamente com seus 11 irmãos, Zezão foi trabalhar na roça, em uma fazenda no distrito de Cruzeiro de Peixotos. A área era propriedade da família de Renato de Freitas, que, anos mais tarde, entre as décadas de 1960 e 1970, seria eleito prefeito de Uberlândia por duas vezes.

A experiência na roça, no entanto, não durou muito. Zezão conta que sua mãe adoeceu e, em busca de melhores tratamentos médicos, toda a família se mudou para a área urbana de Uberlândia. Embora tenha sido criado na roça, não foi difícil para o jovem José se adaptar à vida na cidade. “Aquele tempo era muito bom. A gente podia ir para um pagodinho e voltar a pé para a casa às 2 horas da manhã sem que acontecesse nada”, disse Zezão.

Na cidade, o recém-chegado arrumou emprego em uma cerâmica, trabalho que largou ao ser contratado como pedreiro pelo engenheiro Luiz Antônio Rocha e Silva, responsável pela obra da escola estadual Bueno Brandão, no centro, dentre outros prédios. Foi pelo trabalho com Rocha e Silva que Zezão foi até Goiânia para ajudar na construção de um edifício. “Fiquei lá um ano e já voltei casado”, disse. Com a esposa, Iracilda, Zezão teve duas filhas.

Mas é impossível falar de Zezão sem se referir ao Colégio Nossa Senhora – que a partir de 2005 virou Colégio Nossa Senhora da Ressurreição -, onde começou a trabalhar na década de 1960. Antes disso, a primeira vez que entrou na escola foi na condição de pedreiro para fazer uma reforma, ainda como funcionário de Rocha e Silva. O jeito simpático e conversador do rapaz da roça cativou professores, alunos e funcionários. Próximo ao término da obra, foi convidado a ficar. “A irmã Rosária, que administrava a escola, virou para mim e falou: ‘Zézão, o que você prefere: trabalhar de pedreiro e ficar sujo o dia inteiro ou trabalhar como porteiro e ficar limpinho todo dia?’”, afirmou. A opção escolhida fez com que Zezão conquistasse um emprego estável por longos anos, até a aposentadoria.

Quando não estava na portaria do Nossa Senhora, Zezão fazia serviços de office boy. Ia a bancos pagar conta, receber dinheiro ou o que quer que fosse ordenado. “O Nossa Senhora, para mim, era como a minha casa. Me sentia à vontade para tomar um café com as irmãs, trabalhar, conversar com os alunos”, disse. O jeito simpático e o modo calmo e levemente arrastado de falar, herança dos tempos de roça, não cativavam apenas quem estudava ou trabalhava na escola. O porteiro também adorava fazer amizade com os pais dos alunos. “Fui amigo de muito delegado que tinha filho estudando lá no Nossa Senhora. Uma vez, a aula já tinha começado quando me chega um delegado querendo que eu colocasse o filho dele para dentro da escola. O menino ainda dormia no banco do carro, mas fui falar com as irmãs e o menino acabou entrando”, disse o porteiro, ao recordar de algumas passagens na portaria do colégio.

Merecido descanso

E foi graças a amizades conquistadas que Zezão conseguiu ajuda para tratar um caso de reumatismo infeccioso – causa inchaço e inflamação nas juntas do corpo – que afetou uma de suas filhas. Segundo ele, uma irmã responsável pelo Colégio Nossa Senhora soube da doença que acometia a menina e se solidarizou. A freira pegou um pedaço de papel, anotou um telefone e pediu para que Zezão procurasse o profissional indicado. Tratava-se do médico Odelmo Leão Carneiro, tio do atual prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão e que hoje dá nome ao Hospital e Maternidade Municipal. “O doutor Odelmo fez todo o tratamento da minha filha e não cobrou nada”, afirmou.

Seu José trabalhou no Colégio Nossa Senhora até 2005, quando a instituição mudou de nome e a administração passou das mãos das Irmãs de Jesus Crucificado para as Irmãs de Nossa Senhora. Naquele ano, o cansaço falou mais alto e o porteiro resolveu se aposentar da profissão.

Atualmente, para não ficar parado, começa o dia fazendo caminhadas de 3 km e, quando bem quer, vai até o centro para conversar e ver as pessoas jogando na praça Tubal Vilela. É a forma que Zezão encontra para aproveitar a Uberlândia que viu crescer. “A cidade melhorou bastante em muita coisa. A opção de hospital que a população tem hoje é um exemplo disso. No meu tempo, não era assim”, disse.

Quando perguntado se sente saudades do trabalho como porteiro, a resposta é rápida: “Vixe, e como tenho!”. Mas o corpo e a idade, segundo ele, não permitem retomar a labuta. “Já fizeram convites, mas eu não daria mais conta de ir aos bancos, ter de andar muito”, afirmou. Resta a Zezão o descanso e as amizades.

Comentários

3 respostas para “Zezão é o típico velho e bom camarada”

  1. A madre perguntou para freira,vc freira quer viver nas
    comunidades pobres debaixo do sol comento feijão.
    ajudando os pobres nas favelas como Jesus fez em seu tempo.
    Ou quer fica no colegio nossa senhora tomando a
    fresca com ar condicionado comendo do bom e do melhor
    e ainda podendo ver televisão vc escolhe.
    A freira respondeu,QUERO FICAR NO COLEGIO.
    Moral da Historia desde que o mundo existe sempre tem
    um querendo sombra mais refrigerante gelado.
    SOU JACINTO PENA =O HOMEM DO SAPATO ROXO
    Jornal favor não fazer CENSURA OK

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