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Nehac







03-09-2010


A flor que nunca murcha



De 27 a 29 de agosto foi apresentado em Uberlândia, no teatro Rondon Pacheco, a peça “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. O espetáculo é uma montagem do romance de Jorge Amado e contou com a direção de Pedro Vasconcelos. No elenco atuaram Carol Castro, como Dona Flor, Marcelo Faria, como Vadinho, e Duda Ribeiro interpretando Theodoro, além da brilhante participação de mais treze atores.

O livro de Jorge Amado, publicado em 1966, nos leva à vida boêmia da cidade de Salvador (BA), na década de 40. Em pleno carnaval de rua, morre Vadinho, o primeiro marido e grande amor de Flor, homem que apreciava uma folia e que fazia apostas em jogos. Logo em seguida, por meio de um flashback, os espectadores presenciam o primeiro encontro de Dona Flor e Vadinho.

A moça adorava as provocações sensuais do marido, mas ao mesmo tempo, sentia-se infeliz quando o mesmo saía para suas farras noturnas, arriscando seu dinheiro em jogos e se embebedando com outras mulheres e amigos. Após a morte de seu esposo, Dona Flor conhece o farmacêutico Theodoro, homem mais tranqüilo e religioso. Os dois se casam, mas o atual marido, por ser conservador e ter uma idade mais avançada, não consegue satisfazer os desejos amorosos de sua esposa, assim, ela não esquecia o falecido Vadinho.

Nesse sentido, Dona Flor sempre chamava pelo primeiro esposo, até que seu espírito volta e passa a atormentá-la constantemente. Somente ela pode ver o falecido, que poderia saciar novamente seus anseios. Com medo de uma possível traição, já que estava casada novamente, Flor procura a ajuda de uma grande amiga, mulher mais experiente. Mas no momento de expulsar o espírito, ela percebe que gosta da presença do ex fica com os dois maridos.

O espetáculo foi bem divertido, a boa atuação dos atores ao lado de um ótimo repertório musical, conseguiu prender a atenção dos espectadores, que fizeram vários elogios e lotaram o teatro Rondon Pacheco nos três dias de apresentação. É possível perceber que a história retratada na peça não nos provoca estranhamento, o caso de um triângulo amoroso e a permanente dúvida: um homem fiel e responsável ou um malandro sedutor?

Fabrícia Vieira de Araújo
Graduanda em História pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU e integrante do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)





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