Busca








 


Nehac







12-03-2010


Vale quanto custa?



No último domingo, aconteceu em Los Angeles, Califórnia, a 82ª cerimônia dos Academy Awards, conhecido amplamente no Brasil como o “Oscar”. Todo ano, premiam-se os melhores do cinema norte-americano, com algumas (poucas) brechas para filmes estrangeiros.

Este ano, quem acompanhou a cerimônia pelo canal pago “TNT” pode observar que o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, apresentador da festa pelo canal, dizia a todo o momento que a megaprodução “Avatar” de James Cameron era o grande favorito ao Oscar de Melhor Filme, uma escolha óbvia, visto que o filme foi produzido com o maior orçamento da história do cinema e bateu todos os recordes de arrecadação. O mesmo fenômeno já havia ocorrido com “Titanic”, também de James Cameron, que em 1998 arrebatou nada menos que 11 Oscars, incluindo o de Melhor Filme.

Às 2h, horário de Brasília, veio, enfim, o resultado: contrariando as expectativas gerais, “Guerra ao Terror” de Kathryn Bigelow (a primeira mulher a ganhar um Oscar de Melhor Direção) levou a melhor e a tão desejada estatueta de Melhor Filme. Foi aí que Rubens Ewald Filho desandou a criticar a Academia, dizendo, entre outras coisas, que a mesma estava dando um “tiro no próprio pé” ao não premiar “Avatar”, simplesmente o filme mais visto de todos os tempos.

Confesso que não assisti à “Guerra ao Terror”, mas justificar um Oscar de Melhor Filme para “Avatar” por ser o filme mais caro e mais assistido da história é, no mínimo, simplório. No cinema, como em outras artes, dinheiro é importante, mas talento é imprescindível. É inegável que James Cameron tinha os dois ao produzir “Avatar”, mas quem assistiu ao filme sabe que não tem “cacife” para Oscar de Melhor Filme. A história é bonitinha, o filme é benfeito, os efeitos são realmente especiais – nesse quesito faturou todos os prêmios –, mas o longa não é daqueles de tirar o fôlego, como é “Quem quer ser um milionário?”, vencedor do ano passado, por exemplo.

Rubens Ewald Filho tem suas preferências e coerências, mas não premiar “Avatar” simplesmente em prol da “Indústria Cinematográfica Hollywoodiana” foi um verdadeiro Oscar para a Academia.

André Luis Bertelli Duarte
Mestrando em História pela Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)





Comentários (0)








05-03-2010


Cia do Latão e seus experimentos artísticos



A Companhia do Latão, grupo teatral paulista que vem desenvolvendo seus trabalhos desde 1997, atua em diversas frentes no que diz respeito à pesquisa e à produção artística. Com uma proposta voltada para a arte teatral engajada, por meio da releitura de peças e textos teóricos de Bertolt Brecht, o Latão conquistou um importante espaço na história do teatro brasileiro e, por isso, não deixa de realizar produções instigantes para aqueles que se interessam pelas artes de modo geral.
Em novembro passado, o grupo dirigido por Sérgio de Carvalho trouxe a público uma novidade em termos de pesquisa cênica e de produção de material de análise: o DVD duplo "Experimentos videográficos do Latão".
Contando com um núcleo próprio de cinema e vídeo, a cia produziu oito vídeos que dialogam com os temas e as formas trabalhados pelo grupo ao longo de seus 10 anos de existência. Há que se ressaltar que o resultado deste trabalho não apresenta peças filmadas, mas sim releituras diversas.
No disco I, dividido em duas partes – “Imagens do Brasil” e “Cenas da Mercantilização” –, é possível entrar em contato com cinco vídeos que chamam a atenção do telespectador pela acuidade crítica. Gostaríamos de realçar apenas um dos momentos singulares do DVD. O vídeo “Auto dos bons tratos” apresenta entrevistas com historiadores importantes, como Luiz Felipe de Alencastro e Fernando Novais, e promove leituras de fragmentos do processo original da Inquisição, que inspirou as construções cênicas do Latão. Assim, aquele que assiste tem a oportunidade de entrar em contato com um material significativo e, ao mesmo tempo, tirar suas próprias conclusões sobre a formação da sociedade brasileira, por meio das considerações elaboradas pelos historiadores e pelo diálogo com a arte.
Já o disco II, chamado de "Releituras", traz, entre outras coisas, um vídeo sobre a releitura de Bertolt Brecht na Cia do Latão, em que encontramos cenas de entrevistas com pesquisadores e intelectuais brasileiros, além de imagens das primeiras leituras cênicas de "Santa Joana dos Matadouros", espetáculo que consagrou o trabalho do grupo.
Rapidamente, podemos dizer que "Experimentos videográficos do Latão" é um importante referencial para o teatro brasileiro e seus amantes, por isso, divulgá-lo é essencial quando se busca compreender a produção teatral nos dias atuais. Vale a pena entrar em contato, pois a experiência de assistir é única.

Rodrigo de Freitas Costa
Doutorando em História pela Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC)





Comentários (0)














.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletronico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Correio.