
Praça Savassi, Belo Horizonte. O local equivale ao que há alguns anos foi a “praça da Bicota” para o underground uberlandense. Em uma noite chuvosa de fim de verão na capital mineira, César Gilcevi (bateria/letras), Dennis Martins (baixo), Fernando Prates (guitarra) e Humberto Teixeira (voz, guitarra), que formam a Carolina Diz, aparecem para a entrevista à Novo Som. A Belô que eles “amam e odeiam radicalmente” é retratada no primeiro CD do grupo, “Crônicas do Amanhecer”, lançado em grande estilo no Teatro Marina, na capital, no fim de março. São lugares, pessoas, situações cantadas em pouco mais de 66 minutos no decorrer de 14 músicas. “Na verdade, a gente queria que o disco tivesse 66,6 minutos, uma mensagem subliminar, mas não deu certo”, brinca o vocalista e guitarrista Humberto, que tem fama de ser o que sempre chega atrasado.
| Anna Lina/Divulgação |
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A banda Carolina Diz, de Belo Horizonte, lançou o primeiro trabalho |
Apostas
Enquanto muitos apostam as fichas na morte do mercado fonográfico, o Carolina Diz não mediu esforços para ter em mãos este primeiro CD. “Desde o trabalho que consideramos demo, o ‘Se Perder’, amadurecemos bastante e acreditamos que o disco tem que ser encarado como uma arte”, comenta o baixista Dennis. “Tivemos a ajuda de muitos amigos de outras bandas e estúdios nesta empreitada e, ainda, dividimos em 15 vezes o valor da prensagem”, entrega Humberto.
Apesar de cantar muito as cosias e os lugares de BH (“Hotel Esplendor”, “BH Blues”, “Eu só me filio à raça humana nas contas a pagar”), as músicas do Carolina Diz são acessíveis para qualquer um que se predisponha a interpretá-las ao seu jeito, porque cada um pode ter, ser ou conhecer “Letícia”, se lembrar dos “Chinelos no Corredor” ou até mesmo se ver em “O Migrante”.
Momentos
“Tem dias que chego em casa e falo: tô fora dessa m****! Em outros estou tão feliz, que não me vejo fazendo outra coisa”, comenta o vocalista e guitarrista do Carolina Diz, Humberto Teixeira. Enquanto o guitarrista Fernando Prates falava pouco e fazia as fotos do making of da entrevista, os outros se revezavam nas respostas. “A gente bota fé nesse lema ‘artista igual pedreiro’, mas é preciso que esta cena independente dê um passo à frente ou corre o risco de se estagnar”, comenta César.
Como todo trabalhador, músico quer respeito. “A gente quer mais é cair na estrada. Onde tiver lugar para ligar um amplificador, a gente toca. Mas a gente quer viver de música, porque é o que fazemos melhor e se a cena não cresce a gente perde”, diz Humberto.
Carolina Diz é uma contadora de histórias, e das boas. Impossível ouvir o disco e não ficar com alguns trechos das músicas na cabeça. No show de lançamento, com o teatro Marina lotado, eles tocaram todas as músicas do disco e cuidaram da ambientação do palco, o que proporcionou uma atmosfera agradável naquele 29 de março. Via-se o profissionalismo no nervosismo de Humberto, que demorou mais ou menos 15 minutos para se soltar mais; estava no visual caprichado de Dennis e em sua gravata laranja; na concentração de Fernando, em sua guitarra, e nas violentas batidas de César. Se Carolina Diz passar por algum lugar perto de você, não perca a chance de conhecê-la melhor.
GIRO INDIE
Para os fãs do R.E.M. que estão afinados no inglês, aqui uma entrevista muito legal que Michael Stipe concedeu à Virgin Radio. A banda já confirmou tour de “Accelarate” na América do Norte e Europa.
Esse eu queria muito ver: o Manic Street Preachers vai abrir para o Foo Fighters no dia 2 de junho, no Manchester Stadium.
| Divulgação |
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Bezzy |
Na segunda-feira, as bandas Pato Fu e Superguidis participarão do terceiro Secret Show, do MySpace no Brasil, desta vez em Porto Alegre. O local ainda não foi revelado e será exclusivo para os primeiros 800 usuários do MySpace que chegarem.
Joe Satriani confirma tour no Brasil. O guitarrista se apresentará em Curitiba (27/7), em São Paulo (29/7), no Rio de Janeiro (31/7), em Belo Horizonte (1º/8) e em Brasília (2/8). Mais no site dele.
Neste fim de semana tem Virada Cultural (das 18h de hoje às 19h de amanhã) em São Paulo. Entre as atrações, 30 bandas do Circuito Fora do Eixo. Entre elas, o Porcas Borboletas, de Uberlândia. Em tempo, confira o portal Fora do Eixo e saiba mais da proposta.
A banda uberlandense de metal progressivo Menahem se prepara para o lançamento do primeiro CD, “Angels and Shadows”. Já conferi o EP promo com três músicas e posso dizer que os meninos estão no caminho certo. O show acontece na quarta-feira 30 de abril, às 20h, na rua Joaquim Leal de Camargos, 220, no Chácaras Tubalina. O ingresso custa R$ 10.
| Divulgação |
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Banda Menahem |

| Adreana Oliveira |
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Ozzy mostrou que a voz continua impecável e a postura mais branda |
“Vocês querem ir à loucura? Eu lhes permito enlouquecer.” Uma frase destas não ficaria melhor em outra boca que não fosse de Ozzy Osbourne. O príncipe da escuridão passou pelo Brasil e deixou saudade. Para aqueles que o davam por acabado a surpresa foi grande. Afinal, no primeiro show, no Rio Arena, na capital carioca, no dia 3 passado, não se via um senhor rastejando pelo palco. As macaquices ficam restritas à sua idade, mas Ozzy mostrou que a voz continua impecável e a postura mais branda. “Eu amo todos vocês”, não se cansava de dizer.
Não teve banho de sangue e, sim, alguns baldes d’água entornados pelo próprio Ozzy sobre uma platéia sedenta por um pouco de sua atenção. E lá estava ele, feliz e satisfeito em sua postura “devora-me se puderes”. A turnê do disco “Black Rain” virou uma versão curta do Ozzy Fest no Brasil, já que trouxe o Black Label Society e o Korn para dividirem o palco com Mr. Osbourne. Ozzy anunciou esta como a sua última turnê, mas como de praxe, parece já ter mudado de idéia. “Prometo que não demorarei mais tanto tempo para voltar aqui.” Quem viver verá.
| Adreana Oliveira |
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Black Label Society a banda de Zakk Wylde também arrepiou a galera |
| Adreana Oliveira |
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Considerada a 1ª banda de new metal, o Korn disparou diversos hits |
BLACK LABEL SOCIETY
Zakk Wylde. Guitarrista. Zakk Wylde. Guitarrista apadrinhado por Ozzy Osbourne. Black Label Society: a banda do Zakk Wylde. Vestido com macacão jeans, camiseta preta, colete de couro e coturno e adornado por correntes, Zakk surgiu no palco do Rio Arena com o aspecto de um caminhoneiro que toca rock. Rústico e direto. Ao vivo, o seu timbre vocal remete a um Layne Staley (Alice in Chains) mais agressivo. A banda não vale só por ter o aval de Ozzy, os caras caminham com as próprias pernas e boas canções, como “Bleed for Me” e “Suicide Messiah”. Zakk praticamente não falou durante o show, mas suas reverências e o modo como batia no peito e encarava a platéia deixaram clara sua gratidão. Ele só ficou um pouco nervoso após ter sua guitarra quebrada pela platéia, quando já estava no palco com Ozzy. Mas foi ele quem começou, quem mandou mergulhá-la naquelas condições? Não sei como não tiraram um pedaço dele!
KORN
Acredite se quiser, mas parece que havia mais fãs de Black Label Society do que fãs do Korn na Arena. Mesmo com a torcida contra e prejudicada por um som aquém do que merece, a banda fez um show empolgado e o vocalista Jonathan Davis falou bastante entre as músicas. Infelizmente estava difícil se fazer entender.
Considerada a primeira banda de new metal por muitos, o Korn disparou hits como “A.D.I.D.A.S.”, “Hold On”, “Somebody, Someone” e, para fechar, “Blind”. O disco “Untitled” (2007) não teve turnê por aqui, nem mesmo o acústico gravado para a MTV, mas mereciam.
GIRO INDIE
Você tem até amanhã para conferir as bandas do 1o Festival de Música do Goma. Hoje tocam as bandas uberlandenses Krow, Dom Capaz e DYF além de Humana, do Chile, e Dull Kids, de Araguari. O som começa a rolar a partir das 22h. Amanhã, a partir das 20h, as atrações são Outra Chance, Fadiga e Juanna Barbera, de Uberlândia, e, ainda, Filomena, do Acre, e Alliance, de Belo Horizonte. O ingresso para o dia custa R$ 6.
O Coldplay já tem data para lançar o quarto disco, batizado “Viva La Vida or Death And All His Friends”: 17 de junho. O tracklist já foi divulgado. Confira: “Life In Technicolor”, “Cemeteries Of London”, “Lost!”, “Lovers In Japan/Reign Of Love”, “Viva La Vida”, “Violet Hill”, “Strawberry Swing” e “Death And All His Friends”. O último disco que a banda lançou foi “X & Y” (2005), que vendeu 10 milhões de cópias.
De volta de férias, a Novo Som volta semana que vem com material fresquinho. Bandas de Uberlândia e região, assim como de todo o Brasil, já enviaram material bem bacana para a coluna. Aguarde!
| Divulgação |
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Coldplay |

ADREANA OLIVEIRA
Editora
No dia 12 de outubro de 2005 um público de cerca de 20 mil pessoas estava no estádio do Canindé, em São Paulo, no festival Live in Louder. Entre outras atrações, a banda finlandesa Nightwish parecia ser a coqueluche do evento que durou aproximadamente 12 horas. Eles ainda não sabiam, mas estavam presenciando o último show da banda no País com aquela formação. No dia 21 do mesmo mês, após encerrar a turnê na cidade natal, Helsinki, capital finlandesa, onde gravaram o DVD “End of An Era”, a vocalista Tarja Turunen recebeu uma carta, publicada no dia seguinte no site da banda, informando que ela havia sido demitida de seu posto.
Para quem viu milhares de jovens erguerem as mãos e cantarem a plenos pulmões músicas como “The Kinslayer”, “Wishmaster”, “Ever Dream”, “Bless The Child”, “Phantom Of The Opera” e “Nemo” não é difícil imaginar a comoção mundial que a demissão de Tarja tomou. Meninas e meninos que choraram em São Paulo com sua interpretação solo de “Kuolema Tekee Taiteilijan”, do álbum “Once”, devem ter derramado um rio de lágrimas com o anúncio. Mais tarde, Tarja responderia publicamente aos ex-colegas de banda, visivelmente magoada.
Estamos em 2008 e o ditado que prevalece é aquele: o que não te mata, te fortalece. Nightwish e Tarja Turunen lançam os primeiros discos dessa nova era para eles, cada um na sua. Para nós, latinos, uma relação fria como essa pode ser estranha, mas alguns dias na Finlândia são suficientes para entender um pouco deste povo cuja economia, arte e estilo de vida são invejados por tantos outros países e em contrapartida têm tanta dificuldade em demonstrar calor humano.
Tempestade
| Foto:Divulgação |
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| Tarja Turunen |
O retorno da soprano Tarja Turunen não poderia ter sido melhor e em mais alto nível. Mais do que o Nightwish ela dependia deste novo começo para se reafirmar no mundo do metal melódico sozinha. Ela se cercou de profissionais altamente gabaritados para fazer do disco um trabalho impecável em todos os sentidos, da produção musical à estética. “My Winter Storm” (Universal Music) traz 18 canções e começa com a belíssima “I Walk Alone”. Se quiser, pode interpretá-la como um recado aos ex-colegas de banda. “Não mande seus anjos ainda, guarde suas flores, eu não estou morta...vá e diga ao mundo que ainda estou por ai”. Esse trabalho traz a cantora em sua melhor forma no seu alcance das notas mais altas e quando arrisca-se em escalas menos agudas como arrisca em uma ou duas frases em “My Little Phoenix” e “Ciarán´s Well”, antes de soltar aqueles falsetes que a tornaram tão popular entre os virtuosos admiradores do metal melódico.
O disco é praticamente composto por músicas calmas, lentas, cheias de contra-tempos milimetricamente calculados. Tarja nunca escondeu ao carinho que tem pelo público brasileiro e sabe também reconhecer talentos brasileiros. Entre as participações especiais do disco está o guitarrista Kiko Loureiro (Angra). Ainda não se sabe sobre uma possível turnê pelo Brasil. Até maio ela tem alguns shows agendados na Europa e uma coisa é certa. Desta vez, ela não terá que reclamar das datas muito próximas que não lhe permitiam o descanso vocal necessário e a faziam adoecer durante as turnês do Nightwish porque será feita a sua vontade.
O frio jogo da paixão negra dos músicos finlandeses
| Foto:Ville Juurikkala/Divulgação |
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| Nightwish |

| Foto:Divulgação |
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| Guffo |
| Foto:Divulgação |
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| Olhar latino |
Cidadão do mundo
| Foto:Divulgação |
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| De volta à POA |