
O meu voto nestas eleições será do candidato a prefeito que assumir compromissos revolucionários. Não me interessam promessas fantásticas de execução duvidosa. A revolução, muitas vezes, é mais simples do que se imagina. Está fundamentada na inovação e na capacidade do gestor público de gastar bem os recursos. Considero revolucionário, por exemplo, garantir que todas as crianças da rede pública municipal, além de aprender a escrever, saiam do ensino fundamental habituadas a ler e, principalmente, capazes de interpretarem o que lêem. Se o candidato fizer apenas esta promessa já me dou por satisfeito. Afinal, garantir a formação da cidadania em 100% da rede municipal em apenas quatro anos já é tarefa para lá de desafiadora.
Declaração de voto II
Naturalmente, para ter meu voto, não basta prometer que, ao fim do mandato, todas as crianças da rede pública serão capazes de escrever, ler e interpretar textos. Votarei no candidato a prefeito que conseguir me convencer de que cumprirá a promessa. Já adianto que não me convenço facilmente. Sou daqueles que só acredita que algo será feito quando o sujeito é capaz de indicar com números de onde tirará o dinheiro para realizar a façanha acordada. Não vale se esquivar dizendo que fará gestão com os governos estadual e federal nem prometer que vai remanejar verbas de outras áreas. Por esta hipótese, espero que o candidato indique como pretende remanejar os recursos. Terá também de ter a coragem de dizer o que deixará de oferecer à população para que consiga investir mais em educação, por exemplo. Ainda espero mais. Para ter o meu precioso voto, o candidato terá que detalhar as ações com prazos claros de execução de cada uma. Não reconhecerei promessas genéricas com metas numéricas decididas sem critérios pelo comitê de campanha. É que pretendo acompanhar o cumprimento da promessa após o escolhido tomar posse. Por isto o planejamento detalhado é fundamental.
Declaração de voto III
Para vereador, votarei no candidato que não fizer promessas. Os que dizem terem construído ou que construirão isto ou aquilo já estão fora da minha lista de escolha. Papel de parlamentar é legislar, é fiscalizar o Executivo. Qualquer coisa fora deste escopo me deixa desconfiado das reais intenções do candidato. Ao expor meus critérios de escolha, aceito antecipadamente as acusações de exigente radical. Só espero não chegar ao dia 5 de outubro sem ter em quem votar. Neste caso, como sou contra o voto nulo, talvez tenha que moderar minhas expectativas.

Como esperado, a primeira semana de propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV dos principais candidatos a prefeito de Uberlândia serviu basicamente como uma apresentação inicial ao eleitorado. Com grau maior ou menor de apelo emocional, tentaram mostrar os laços profissionais e pessoais com a cidade e a disposição de se doarem ao trabalho árduo de gerenciar o Poder Executivo. Tirando as apresentações e histórias de vida, boa parte dos programas foi dedicada à apresentação das tradicionais promessas. Estrategicamente, é importante mostrar rapidamente as principais propostas para que a concorrência não saia na frente com idéias iguais ou semelhantes.
Promessas mirabolantes
O problema é que a pressa em apresentar as propostas de governo acaba gerando uma chuva de “compromissos” mirabolantes que os candidatos terão dificuldade para convencer os eleitores, mesmo os mais desinformados, de sua viabilidade. Como papel aceita tudo, parece não haver limite para as promessas. O que ainda não se sabe é de onde sairá o dinheiro para construir dezenas de creches, hospitais, casas populares, entre outros mimos eleitorais. Prometer à revelia pode surtir efeito contrário na medida em que tende a abalar a credibilidade do candidato exagerado e desvalorizar mesmo as propostas viáveis. Promessas populistas que prevêem desde isenções de tarifas até a escolha de administradores de bairros por meio do voto popular agradam a uns e desagradam a outros. O tempo e as pesquisas de intenção de voto dirão se o saldo será positivo ou negativo no mercado das promessas tentadoras. Claro que “ousar” nas promessas é uma das principais estratégias de qualquer candidato que começa a disputa em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto. O raciocínio é de que se alguma promessa em especial cair na graça do povo o resultado pode ser surpreendente.
Cada um na sua
A campanha para prefeito está no início, mas já é possível perceber a linha estratégica dos principais candidatos. O deputado estadual Weliton Prado (PT), por exemplo, defende a renovação e trabalha para aliar sua imagem à modernidade. Claramente, estruturou a campanha a partir da associação da própria imagem à do presidente Lula. Até a música da campanha é a mesma utilizada por Lula em 2006. Já a campanha do prefeito Odelmo Leão (PP) começou destacando a experiência administrativa e, principalmente, as realizações do primeiro mandato. A idéia é prestar contas do primeiro mandato com o objetivo de convencer o eleitor a dar mais quatro anos para a seqüência do trabalho. O deputado federal João Bittar (DEM) deu ênfase às realizações à frente das obras sociais que fundou e ressaltou a importância de se priorizar o planejamento na gestão pública. Linha aparentemente semelhante à adotada em 2004, quando chegou ao segundo turno. Neste sentido, algumas cenas do programa de TV de Bittar parecem ser reeditadas da campanha de 2004 como a que o candidato aparece levando a mão ao peito e depois à cabeça, antes de apontar para a câmera.

A pesquisa Ibope/CORREIO de Uberlândia/Rede Integração, publicada na sexta-feira, marca o início efetivo da disputa eleitoral na cidade. Ao menos aos olhos da maioria dos eleitores cujo envolvimento com a campanha ainda é pequeno. Realizada pelo principal instituto do País e ancorada por dois importantes meios de comunicação da cidade, a pesquisa traça uma visão mais apurada da disputa. Mesmo sendo um cenário de momento, o fato é que o prefeito Odelmo Leão (PP) largou na frente com 42% das intenções de voto contra 27% de Weliton Prado (PT) e 15% de João Bittar. A margem de erro é de 4% para mais ou para menos. Mantida esta tendência, teremos uma repetição de 2004 quando Bittar e o deputado federal Gilmar Machado (PT) disputaram o direito de ir ao segundo turno contra Odelmo. Há quatro anos, João Bittar, mesmo com o crescimento de Gilmar na reta final da campanha, terminou com a segunda colocação. Posição que manteve durante todo o primeiro turno. Neste ano, a situação se inverteu na medida em que o candidato petista começa na frente de Bittar.
Segundo turno
Em 2004, a disputa pela vaga no segundo turno acabou empurrando os deputados João Bittar e Gilmar Machado para o embate direto. Um dos momentos mais tensos foi a troca de acusações entre o democrata e o petista durante o debate promovido em parceria pelo CORREIO de Uberlândia e a TV Paranaíba. Mesmo com o apoio formal do PT a Bittar no segundo turno, o grupo ligado a Gilmar não embarcou na aliança. Ao menos parte dos “gilmaristas” fez inclusive campanha em favor de Odelmo. A situação nas eleições deste ano tende a ser diferente uma vez que o relacionamento entre Weliton Prado e João Bittar é estreito e, aparentemente, há um acordo prévio de apoio mútuo num eventual segundo turno. O desafio, principalmente para Bittar, é crescer nas pesquisas sem comprometer o bom relacionamento com Weliton. Pelo Ibope, há um rigoroso empate entre Odelmo (42%) e a soma de Weliton (27%) e Bittar (15%). Ou seja, se as eleições fossem hoje a definição se haveria ou não segundo turno seria por um percentual mínimo.
Propaganda gratuita
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV começa depois de amanhã com aparente desinteresse do eleitorado em geral. Em parte porque os partidos ainda não colocaram toda a estrutura de campanha para funcionar. Um acordo tácito entre as coligações para encurtar o período de campanha, conseqüentemente, reduzir custos. A disputa pela audiência com os momentos decisivos das Olimpíadas de Pequim também deve tirar o impacto inicial da propaganda televisiva. Veremos.

O CORREIO de Uberlândia, em parceria com a Rede Integração, realizará cinco pesquisas de intenção de voto para prefeito de Uberlândia. Três no primeiro turno e duas num eventual segundo turno. O estudo, contratado do Ibope, terá amostragem de 600 entrevistas. A primeira pesquisa está programada para ser divulgada nesta semana. Como escrevi no domingo, uma pesquisa realizada pelo maior instituto do Brasil e sustentada por dois dos principais veículos de comunicação da cidade terá papel importante na definição estratégica das coordenações de campanha. Tanto pelos resultados em si quanto pela repercussão natural de uma pesquisa eleitoral com credibilidade. Portanto, a expectativa é grande entre eleitores e principalmente candidatos.
Calma aparente
As restrições à propaganda eleitoral estão gerando uma falsa impressão quanto ao andamento da campanha para prefeito e vereador de Uberlândia. O aparente clima de tranqüilidade para quem anda pelas principais ruas e avenidas da cidade não está refletido nos bairros. Principalmente nos bairros mais populosos da periferia da cidade. Nestas localidades, o assédio de candidatos já é grande. O número de pequenos eventos, de galinhadas a uma simples reunião na casa de algum morador, já é considerável e tende a aumentar muito nos próximos dias. O desafio dos candidatos é acessar a classe média. Para este público, a propaganda eleitoral gratuita se torna ainda mais importante. O problema é captar a atenção para a propaganda política de uma parcela do eleitorado que conta com várias outras mídias para ter acesso à informação. Haja criatividade por parte dos marketeiros.
Propaganda ao volante
Sem autorização legal para usar mídias tradicionais para propaganda eleitoral como outdoors e muros, os candidatos encontraram nos carros uma boa alternativa de divulgação. Muitos estão alugando veículos como contratam cabos eleitorais. Outros, além de colar adesivos, paga um extra para que o proprietário mantenha o automóvel em locais por onde passe o maior número possível de eleitores. Bom para os empresários do setor de plotagem e para quem quer reforçar o orçamento doméstico. Ruim para quem quer estacionar no Centro da cidade. Se já era difícil, ficou ainda pior.
Atenção às propostas
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV começa em menos de 10 dias. Mais do que a criatividade dos cerca de 360 candidatos a vereador que terão que passar o recado em poucos segundos, o espaço servirá inicialmente para sentir o tom da campanha para prefeito. Normalmente o começo é marcado pela apresentação dos candidatos e suas realizações na função pública. Eventuais confrontos são deixados para o final. Neste contexto, as atenções, ao menos do eleitor mais bem informado, deverão estar voltadas para as propostas de governo. Não para o festival de promessas, mas para um plano administrativo viável para os próximos quatro anos. Por meio das propostas dos candidatos, o eleitor poderá avaliar qual o candidato está mais bem preparado para resolver questões complexas como, por exemplo, a modernização das escolas. Modernização que precisa ir além da criação de salas de aula com computador e acesso a internet. Passa também pela capacitação dos professores para lidar com a tecnologia aliada à educação. Será que as propostas dos candidatos a prefeito chegarão a este nível de profundidade. Tomara que sim.

A campanha ainda está em banho-maria, mas já é grande a expectativa para saber a intenção de voto dos uberlandenses para prefeito. Neste sentido, ainda não foi criada uma forma melhor para se antever o que pode acontecer na eleição do que as pesquisas eleitorais. O problema é ter acesso a estudos bem-feitos e com credibilidade. Em Uberlândia, o eleitor deverá ter ao menos uma fonte isenta para acompanhar a tendência de voto durante a campanha. Nos próximos dias, deverá ser oficializada uma parceria para a contratação de pesquisas eleitorais por dois dos principais veículos de comunicação da região. Além da credibilidade destes tradicionais meios de comunicação, o estudo terá a “assinatura” de um dos maiores institutos de pesquisa do Brasil. Pelo acordo, serão cinco rodadas com 600 entrevistas cada. Três no primeiro turno e duas num eventual segundo turno. A primeira pesquisa deverá ser divulgada na segunda quinzena de agosto.
Impacto garantido
Qualquer pesquisa feita de forma independente gera grande repercussão perante a opinião pública e serve de referência também para os candidatos. Claro que as maiores coligações partidárias têm seus próprios estudos e os fazem sistematicamente durante a campanha. Mas uma pesquisa de um grande instituto divulgada pelos veículos de comunicação da cidade acaba movimentando a campanha. Um dos reflexos é a divulgação da pesquisa no programa eleitoral gratuito. Ou seja, a expectativa é grande.
Concorrência imbatível
Há um certo consenso no sentido de que a eleição em Uberlândia só deve esquentar de verdade a partir do início dos programas eleitorais gratuitos no rádio e TV. O horário eleitoral obrigatório começa no próximo dia 19. O que muita gente não atentou ainda – como bem destacou o mestre Ivan Santos na página A-2 - é para o fato de que a propaganda no rádio e na TV vai concorrer com um dos principais eventos esportivos do mundo. As Olimpíadas de Pequim começam no dia 8 e vão até o dia 24. São apenas 15 dias, mas é tempo suficiente para tirar a atenção da campanha. Talvez por isto os candidatos ainda não tenham entrado com força total na campanha. Se a estratégia for esperar para colocar todo o “bloco na rua” somente a partir do dia 25, teremos menos de um mês e meio de campanha a todo vapor. Será?
Corpo a corpo
Além de agradar aos olhos da população em geral, as restrições impostas à propaganda eleitoral têm obrigado os candidatos a trabalhar pesado no corpo a corpo. O velho e bom aperto de mão voltou a ser uma das principais ferramentas para conquistar votos. Neste contexto, o candidato mais habituado ao contato direto com a população tende a levar vantagem. Na outra ponta, o assédio de candidatos aumentará sensivelmente. Qualquer reunião com cinco pessoas ou mais entrará no foco principalmente dos candidatos a vereador. Além disto, em tese, o poder econômico tende a pesar menos na medida em que as opções de publicidade foram restringidas.
É evidente que o dinheiro, antes utilizado para produzir cartazes e pintar muros, será canalizado para melhorar ainda mais a produção dos programas de TV e contratar mais cabos eleitorais, por exemplo. Mesmo assim, as novas regras parecem ter mais benefícios do que malefícios.