
O 25º Salão do Automóvel vai até dia 9 de novembro no espaço Anhembi, em São Paulo. Internacional, integrado ao circuito de mostras da Oica, organização mundial dos fabricantes de veículos, projeta-se receberá milhão de visitantes, sobrepondo interessados no assunto e na Fórmula 1, disputada no próximo domingo.
Área ampliada, paredes removidas, cresceu em espaço e em expositores.
Apresenta veículos-conceito, exercícios de estilo ou engenharia, em sua maioria nunca viabilizada. Uma espécie de picape Renault merece atenção. Talvez a expressão internacional agregada ao nome exprima a essência da mostra: nela há mais novidades estrangeiras que brasileiras a chegar ao nosso mercado.
Norte-americanos Chrysler com o Dodge Trazo – recuperando a marca no Brasil – e o Grand Cherokee com motor diesel V6 3.0. GM exibindo o ressuscitado Camaro, com desenho fino e elegante, e fazendo pesquisa de mercado com o sedã Malibu, para ficar entre o nacional Vectra e o australiano Omega.
Novos alemães Mercedes com a novidade do B170 a R$ 90 mil; BMW, a nova Série 7 BMW, com menos planos de superfícies. Aguardado Mini, a ser importado ao País, não apareceu, mas terá vendas no primeiro trimestre. Audi não foi para exibir o novo A4. Fez exibição privada num porão elegante. Perdeu a oportunidade e o presidente. Sueca Volvo reduzindo preços, e a novidade do XC60, crossover a partir de R$ 138,5 mil. Volkswagen com novo Bora, Passat, conversível EOS, e o interessante utilitário esportivo Tiguan. Coreanos, como os 6 novos Kia: SUV Mojave em motores V6 3.8, V6 diesel 3.0 e 250 cv; e V8, pioneiro na marca, 4.6 e 340 cv. Novos Ceratto, motor 1.6 e poderosos 126 cv e Magentis; o compacto premium Hill, motor 1.4 e 95 cv. Os motores, os mais potentes em relação à cilindrada, são mais importantes que os veículos.
O Hyundai Genesis, sedã e i30. Coreanos SsangYang, comemorando sedimentação de mercado, aumento de vendas e da rede de distribuição. E chineses Chana, Effa, ainda com carrinhos. Um chinês começa mal vende um carrinho como se fosse a volta do Towner, coreano, da falida Asia Motors. Nada a ver. Só o nome.
Objetos de desejo e atração, os esportivos Lamborghini e Lotus, importados em triangulação, via EUA, e o italiano Pagani Zonda, performático e personalizado esportivo, a R$ 4 milhões!
Ao que interessa
Salões usualmente têm temas sintonizados com o momento. Os mais recentes realizados no exterior levantaram a bandeira da ecologia e do maior controle sobre processos e emissões, além de veículos híbridos aptos à comercialização.
Aqui, nada disto. Ao salão, em sua edição mais portentosa, faltou o revolucionário, o sinal do novo. Talvez como rótulo de inserção global, a presença mais volumosa é de carros importados a ser vendidos por importadores ou, no caso das montadoras, para complementar o leque de produtos.
No convívio, nacionais Ford Fusion e Fiat Linea, jipe Troller com a mão da Ford. Meia surpresa, o cupê Mercedes CLC, feito em Juiz de Fora, presença sempre teórica, foi nacionalizado, e está a R$ 120 mil. Motor 2.0 com compressor, câmbio automático. Importados do México, sem imposto alfandegário, os Dodge Trazo, versão do Nissan Versa, 4 portas, motor 1.8 flex, câmbio mecânico seis velocidades ou hidráulico, com 4. Em março. E a mini van Livina, da Nissan, com 5 e 7 lugares, motor 1.8. De pequena participação, entretanto inovador por colocação mercadológica, o Smart, micro carro feito por subsidiária da Mercedes. Motor 1.0 turbo, dois lugares, tipicamente urbano. Charme Premium a R$ 55 mil.
Antecipando-se ao empreendimento industrial a implantar em Goiás, a Suzuki apresentou seu modelo J3, o novo Gran Vitara.
Roda-a-Roda
Subiu
Os pulos da economia, desvalorizando ações, levaram a entesourada Porsche ampliar sua participação na matriz Volkswagen. Controladora, então com 20% das ações, saltou para 70%. E as ações subiram mais de 1.000%, tornando-se as mais valorizadas do mundo.
Na prática
Valorização destas deveria permitir imaginar estar a VW imune e superior à crise de amplitude mundial. Mas não está. Industrial e economicamente encontra-se no mesmo patamar de riscos e aflições da concorrência. A dicotomia é apenas um exemplo da especulação e da irrealidade das bolsas.
História
A Citroën foi a única montadora a preservar sua história. Criou espaço e oportunidade para falar dos 60 anos do 2 CV, um de seus principais produtos. A montadora doará um destes veículos, feito na Argentina, ao Museu do Automóvel, em Brasília. O Museu, voltado a preservar a história da indústria automobilística nacional, ampliará seu espectro, focando o Mercosul. A Ford perdeu o bonde: tem o mais mítico de todos os automóveis, o Modelo T e deixou passar a oportunidade de registar os 100 anos comemorados mundialmente.
Crise
Padrão da mostra, quase todas as declarações dos executivos da indústria automobilística miraram a mesma direção: desconhecimento da extensão da crise; certeza que durará até o fim de 2009, e que a indústria saberá aproveitar a oportunidade para melhorar métodos industriais, produtos, desenvolver negócios.
Positivo
Jorg Henning Dornbusch, presidente da BMW, brasileiro, deu o tom de maior equilíbrio à crise econômico-psicológica: "quem faz a crise acontecer ou não acontecer somos nós". Bola pra frente, manterá o preço dos automóveis com dólar a US$ 1,60 até fim do estoque.
Certeza
Marcos Oliveira, presidente da Ford, garantiu a manutenção dos investimentos. Thomas Schmall, a confiança no País.
Estigma
A apresentação da Hyundai-CAOA foi marcada pelo amadorismo. Metade do tempo perdido por atraso, e para escolher quem falaria, e a outra para listar lideranças da empresa e renovar a sempre anunciada produção do Tucson, e o lançamento do sedã Genesis. Clima de loja de carro usado, nunca de montadora.
Auditoria
Talvez para melhor se apresentar ao crítico público formado pela imprensa, assessores de comunicação da Volkswagen acompanharam todas as apresentações, de todas as marcas. Anotaram tudo, possivelmente para evitar dificuldades exibidas em algumas apresentações e afiar o discurso. Estreava novo diretor de comunicação social.
Novo dono
O passamento há poucos anos de Caio de Alcântara Machado sedimentador das feiras e salões no país levou sua empresa a controle estrangeiro. Depois de ser cortejada pela alemã Frankfurt Messe, acabou com a norte-americana Reed Exibitions. Seu titular, John Reed, veste a camisa com logomarca, anda e fiscaliza tudo pela mostra. O olho do dono.
Método
Caótico o credenciamento para a imprensa. A Reed credenciou nunca imaginado número de pretensos e desconhecidos jornalistas. Grande maioria, apenas coletores do material de divulgação, mal-educados, tumultuavam a distribuição. Moral da história, não houve material informativo suficiente.
Gente
Monique Renault, jornalista, nova gerente de comunicações com a imprensa na MMC, fabricante de Mitsubishis. Álvaro Henrique Dias, 85, jornalista, passou. Sócio do jornal “A Tarde”, foi um dos pioneiros da imprensa de automóveis, onde atuou e encaminhou a carreira de gerações de jornalistas até o fim do século.

Vinte e dois meses e a Ford mostrou ao que veio com a compra da fábrica dos jipes cearenses Troller. Lançou a linha 2009 exibindo o desenvolvimento: mudou o processo produtivo; aplicou componentes de outros veículos da marca; criou maior controle de qualidade; qualificou fornecedores; implantou gestão de resíduos; motivou os operários; ampliou a pistas de testes, para experimentar todas as unidades antes de dá-las como conforme. Por fora, o T4 2009 parece o conhecido jipe, mas é outro produto.
Na prática, visualmente, nova grade removível e faróis redondos. Interior com console e ambiência Ford, artes de montadora secular num produto artesanal – a Troller faz 4 veículos/dia. Uns 400 componentes foram substituídos no processo de qualidade e sinergias, como a Coluna informou anteriormente. Por baixo, harmonia operacional com mudança na produção do chassis e entrosamento entre direção, freios, motor, câmbio e diferencial. O motor é diesel, MWM 3.0 e 163 cv – o mesmo do picape Ranger.
O poder de compra e exigências de montadora deste porte permite maior qualidade e menor preço nos componentes. O processo resolveu problemas risíveis: agora, por exemplo, todas as portas têm a mesma dimensão. Antes, nem sempre. Para contornar o problema e assinar o produto, o Troller 2009 deixou de ser totalmente laminado à mão e adotou moldes em macho e fêmea para portas, capô e teto. A linha de produção é de curso automatizado, a pintura melhorou em processo e padronização, com tintas Dupont, original da montadora.
Resultado muito favorável ao produto e, em realce, o trabalho de satisfação aos engenheiros responsáveis pelas mudanças, desafio pouco usual – corrigir instalações, métodos e produtos. Poucas são as ocasiões em que um grupo de engenharia pode acertar a manufatura, os processos e passar a limpo o projeto do produto.
Mas, apesar de toda a evolução positiva, dos ganhos e aperfeiçoamentos, duas dúvidas iluminam os consumidores: se a Ford é dona e fez as mudanças, por que não aplicou sua logomarca ao jipe? E, a produção continuará depois que se encerrar os incentivos federais e regionais, indutoras da aquisição?
Roda-a-Roda
Negócio
A Chrysler LLC confirmou ter proposto à GM trocar a empresa por 49% das ações da GMAC, a financeira da corporação. A GM declinou. Já bastam seus fantasmas. A Chrysler mantém provocações à Renault-Nissan e tenta negociar com a chinesa Chery.
Factível
E, no primeiro caso, é negócio factível. No segundo, assusta todo o segmento industrial nos EUA. Momento ruim. O governo acabou, mas não avisaram ao presidente Bush, e medidas para proteger a indústria norte-americana, se houver, só no próximo governo.
Flex
Motor 2.0 Citroën agora é flex. Como a Coluna informou, o engenho passou a ser produzido na Argentina. Próximo passo, aplicá-lo no Peugeot 307.
Kawa
A expansão do mercado brasileiro de motos, provocou mais uma montadora a seguir a receita local: instalar-se com as facilidades do regime da Zona Franca de Manaus. Agora quem vem é a Kawasaki.
Láurea
Associação dos jornalistas especializados em automóveis e com programa em TVs concedeu prêmios Top Car TV a Fiat. Melhor automóvel entre 1.000 e 1.400, com o Fiat Linea, Melhor Picape com o Strada, e melhor campanha, para o filme de lançamento do opcional Locker.
Disputa
O prêmio ao Linea é o primeiro a dupla que fará presença no mercado dos médios, concorrerá com o Vectra e tomará alguns clientes dos japoneses. O outro é o Ford Focus.
Tecnologia
Depois da calculadora criada pelo jornalista Bob Sharp, para auxiliar o motorista a calcular a oportunidade de comprar álcool ou gasolina para o carro flex, há incremento tecnológico: a empresa Gol Móbile lançou o Brasilflex, aplicativo que pode ser baixado para iPhone e IPod da Apple.
Olho vivo
Nada de achar que o álcool é boa escolha se custar menos que 70% do preço da gasolina. Quem disse que o consumo de álcool é 30% maior que o de gasolina ? Cada marca é um caso e cada carro, também. Só depois de aferir com o seu automóvel é que você conhecerá especificamente o seu consumo.
Antigos
Anuncia a SP Turis, empresa da prefeitura de São Paulo, estar negociando terreno no autódromo de Interlagos para instalar um museu de automóveis.
Legal
Cumpre definição legal, sempre esquecida, desde 1997, de instalar o tal museu.
Para rir
Anuncia que o acervo de 300 veículos será doado por um colecionador e que será o maior museu do mundo.
Papo
O tal colecionador não doará, cederá ou emprestará o acervo. Aceita conversar sobre venda com pagamento à vista ou troca por imóveis. Precatório, não. E se o negócio for feito, não será o maior do mundo.
Na essência, executivo público fazendo política às vésperas de eleição, não tem compromissos com a realidade.
Gente
Patrick Pélata, engenheiro, 53, novo vice-presidente mundial da Renault. Forma de dar assistência presencial à administração da empresa francesa e melhorar sua imagem com os sindicatos dos metalúrgicos franceses que acusam Carlos Ghosn, presidente da união Renault-Nissan de fomentar o desemprego. Ghosn continua na presidência e em sua especialidade: tocar o Contrato 2009, pelo qual a Renault quer ser estrela mundial – e reduzir custos.
| Divulgação |
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Troller T4, 2009, com a mão da Ford. Cadê a logomarca? |

Salões do Automóvel são o ápice do momento da apresentação de novidades, produtos, sondagem de conceitos. A mostra mais referencial do ano é o Salão de Paris, aberto ao público até o dia 19. Exibiu o de sempre: carros conceitos, muitos modelos que nunca chegarão ao Brasil, estimulou projeções infundadas sobre produção local das novidades, a moda atual das opções tecnológicas para ficar bem na foto da ecologia e do meio ambiente.
As incertezas sobre o tamanho da crise mundial de liquidez pairavam o festivo ambiente. Presentes, mas inconfessadas. Afinal, salão é o pico das festividades do otimismo nem sempre conectado à realidade. É a hora de chamar atenções para produtos planejados em outras épocas, tempos e condições.
O automóvel mais atraente foi o Lamborghini Estoque — a adaga comprida para matar o melhor personagem das touradas, fugindo à seqüência dos nomes de touros famosos — um sedã de quatro portas, cujos reduzidos 1m35 de altura realça os inacreditáveis 5m15 de comprimento. Opções de motores V10, 5.2 litro, 540 cv; V8 flex e diesel.
| Foto:Divulgação |
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| Citroën C3 Picasso. Brasileiro em 2010 |
| Foto:Divulgação |
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| Preço do veículo? Aposte entre R$ 72 mil e R$ 82 mil |
E o motor lança o veículo ...
Quem imaginava ter visto de tudo em matéria de indústria automobilística, ampliou conhecimentos. Nesta semana, a fábrica de motores e transmissões FPT assinou contrato de fornecimento com a TAC, Tecnologia Automotiva Catarinense, e apresentou o destinatário de suas peças, o jipe Stark.
O motor, dito S 23, é diesel, 4 cilindros, 16 válvulas, turbo e resfriador de ar, injeção por monotrilho e injetores eletrônicos, injetam combustível diretamente sobre a cabeça do pistão a inimagináveis 1,6 atmosfera — apenas para lembrar, os diesel de geração anterior utilizavam bomba injetora mecânica, cuja injeção era de 1 atmosfera. 2300 cm3 de cilindrada, perlustra o caminho das conquistas tecnológicas ao produzir 127 cv e 300 Nm (pouco mais de 30 kg) de torque. Ambas as medidas são excelentes para as pequenas dimensões e o reduzido peso da unidade, 212 kg. Abre um novo caminho com menor peso e consumo.
Será produzido no Brasil a partir do próximo ano. A FPT é uma empresa Fiat, mas hoje vende 25% de sua produção de motores e câmbios para outras marcas — Suzuki, Mitsubishi, GM, Ford, Tata, PSA, e busca novos compradores. Daí ter-se motivado a fornecer para o Stark. Será um efeito-demonstração de variedade, de rapidez e de interesse para conquistar clientes. O motor será produzido à base de 20 mil unidades anuais e declaradamente interessado em apresentar-se como mais leve e de menor consumo. Ideal para produtos leves, como o Stark, o Troller, picapes etc.
Quanto ao jipe, prazo igual: início em 2009 e aceleração de produção até 100 unidades/ano. Chassi tubular, carroceria em fibra de vidro em molde e contramolde, desenho futurista, deixou o foco do projeto inicial, de jipe pelado, simples e barato, optando por conforto e segurança. Quanto à mecânica, surpresa agradável: além do motor moderníssimo, chamam atenções as suspensões independentes nas quatro rodas, capazes de rodar com conforto e sem punição aos usuários.
Foca no Ford Troller e entende combatê-lo por desenho e preço. Informações limitadas, a TAC perserva-o em clima de surpresa para lançamento e oferecimento de maiores dados, especialmente sobre a formação da rede de distribuição no Salão do Automóvel.

Quando surgiu, bordejando a década de 80, o Voyage fez e aconteceu. Era um sedã de três volumes criado sobre o Gol. Bem acertado, tinha estilo, e maquiava muito bem o projeto mecânico econômico, com motor no sentido do comprimento, surrupiando espaço de conforto aos passageiros e a transmissão com quatro marchas.
| Foto:Divulgação |
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| O Voyage está de volta |
É o quê?
A montadora planta a cizânia afirmando o novo sedã de 4 portas não se derivar do hatch Gol, como ocorre em veículos pequenos. Seria o contrário: do sedã surgiu o hatch. A dúvida será restrita a estudantes de design automobilístico. José da Silva, possível comprador, pouco se dará a estas firulas. Quererá saber, isto sim, se o bonitinho tem prestação menor que o bolso. Ou se o Renault Logan faz melhor.
É bem acertado de linhas, harmônico, preenche melhor o visual que o Gol. Virá em quatro versões, todas 4 portas: 1.0; 1.6; 1.6 Trend e 1.6 Comfortline. O 1.0 da VW é o de melhor torque na categoria, 10,6 kgf/m a 3.850 rpm. Faz 76 cv a álcool e 72 com gasolina. O torque com gasolina é surpreendentemente menor em 10%. O motor 1.6, 8 válvulas, produz 15,6 kgf/m com álcool e 15,4 a gasolina. Potência de 104 cv a álcool e 101 a gasolina. Nada expressivo, a concorrência oferece mais.
Em matéria de problemas, poupa-se ao não oferecer banco traseiro rebatível. A Volkswagen não informou sobre a capacidade de o Voyage 1.0 subir ladeiras em marcha à ré, proeza não cumprida pelo Fox 1.0.
Um dos problemas do Gol antigo, a facilidade em ser furtado, foi contornado. O Voyage tem imobilizador de motor e fechaduras encapsuladas nas portas, para evitar abertura forçada. Como conforto, o porta-malas, em caminho aberto pelo Ford Ka, pode ser aberto por dentro do automóvel.
É fabricado com o Gol, na fábrica de Taubaté, SP, recém-ampliada, com inclusão de 308 robôs, e alinhamento de carroceria por laser, via financiamento do BNDES. Preço sintonizado com o mercado: começa arranhando os R$ 31 mil.
| Foto:Divulgação |
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| Ford T. Este, nacional, com carroceria especial Grassi & Irmão |
Ford Modelo T, centenário pai do automóvel
O Ford Modelo T comemora 100 anos. Não foi o primeiro automóvel. Este, em formas rústicas, talvez tenha sido o austríaco Markus, antes de Daimler e Benz. Mas foi o que deu ordem no processo produtivo, criou regras econômicas e, principal e fundamentalmente, transformou-se em ferramenta de mobilidade e trabalho. Na prática, para aqueles dias, deixou de ser brinquedo de rico para transformar-se no burro com autonomia. Permitiu ao homem ampliar seus horizontes, andando mais, melhor e mais rápido que a autonomia de então, restrita à dos eqüinos e muares. E chegar às mãos dos consumidores, que nunca imaginaram motorizar-se.
Surgiu, precisamente, no dia 27 de setembro de 1908, quando Henry Ford resolveu padronizar a produção, focando num veículo simples, durável. Feito, como dizia, com os melhores materiais, a mão-de-obra mais treinada, o melhor da engenharia.
Deve ter sido. Mudou o parâmetro de visão do homem do princípio do século passado sobre os automóveis. A simplicidade operacional, a economia construtiva, a manutenção barata, fomentou crescimento. Em 1919, à mão, foram feitos mais de milhão de Ts. Ampliou-se com fábricas em todo o mundo, sendo, como se autodenominava, o Carro Universal. Mudou hábitos, fez florescer a indústria de acessórios, de preparação esportiva, de corridas — os irmãos Chevrolet, famosos e cedentes de seu nome a um carro da General Motors, fabricavam cabeçotes com 16 válvulas para os T!
O T criou hábitos industriais, o processo padronizado, a economia de escala, a verticalização da produção – a Ford tinha as florestas para colher madeira e minas de ferro para fundir peças e motores, trens para transportá-los. Dava aulas de logística: durava quatro dias retirar o minério de ferro, industrializá-lo, formar um veículo — e vendê-lo! Levantou a teoria do combustível vegetal, sendo onívoro: bebia gasolina, álcool, querosene. Agüentava desaforos e em viagens inóspitas chegou a ser lubrificado com banha animal!
Era simplório, antiprogresso com bloco em ferro, válvulas no bloco, deslocava 2.900 cm3 para produzir apenas 20 cavalos de potência, duas marchas. Dele produziram-se mais de 15 milhões de unidades em todos os continentes. Simplório, rústico, às vezes, gentil como o cavalo de uso, outras teimoso como uma mula, exigia mágicas, como usar éter para fazê-lo funcionar. Peculiar, para tirar os barulhos dos raios em madeira nas rodas, recomendava deixá-lo à noite num vau de rio ...
Enfim, moldou uma indústria, criou conceitos, deu a mobilidade ao homem. Foi merecidamente, o Carro do Século, eleito por jornalistas especializados. Tudo o resto foi conseqüência.
(Roberto Nasser, antigomobilista por causa de um T, com que mantém passional relação de amor e ódio)