
A tese da União dos Mineiros a favor da candidatura do governador Aécio Neves à Presidência da República em 2010, defendida pelo prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, começou a crescer em Belo Horizonte e se espalhar por outras cidades do Estado mineiro. O governador Aécio Neves mantém-se firme no jogo sucessório federal cujo desfecho será em outubro de 2010. Primeiro porque percebeu que a oportunidade é singular, pois o político mais popular do Brasil na atualidade – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – não poderá candidatar-se à reeleição. No momento, Aécio Neves tem 80% de aprovação popular no segundo maior colégio eleitoral do Brasil e isto é fator positivo em qualquer eleição majoritária. Segundo, porque, se os mineiros se unirem em torno do governador, essa condição atrairá indecisos em outros estados. O líder mineiro não está inativo nem indiferente ao processo eleitoral. Há poucos dias, Aécio Neves conversou com o presidente do PMDB, Michel Temer, e com o ministro da Integração Regional, Geddel Vieira de Lima, ambos caciques do partido. Foi uma sondagem de campo para conhecer áreas minadas. O PMDB está dividido em dois grandes grupos. Um deles deseja continuar aliado a Lula e apoiar a candidatura indicada pelo trono e homologada pelo PT. O outro grupo prefere não lançar candidato próprio. Deseja permanecer independente em 2010 e, em 2011, apoiar quem assumir a Presidência da República. Esse grupo só quer continuar a comandar ministérios, de porteira fechada, para nomear a “cumpanheirada”. O PMDB não é confiável. O presidente Itamar Franco, que foi do MDB e fundador do PMDB disse, em BH, que se for consultado desaconselhará o ingresso de Aécio Neves nesse partido. Outro mineiro ilustre, o governador Rondon Pacheco, defende a luta política de Aécio no ninho dos tucanos e lembra que Juscelino Kubitschek conseguiu apoio para candidatar-se à Presidência da República contra a cúpula do PSD. As bases do PSDB poderão escolher Aécio na convenção nacional.
Itamar
Itamar Franco disse em BH que, se Aécio perguntar, o desaconselhará filiar-se ao PMDB. “Se ele pedisse minha opinião, eu lhe diria: Nunca”. E acrescentou: “Olha que eu sou fundador do antigo MDB e o nono a assinar a Ata de criação do PMDB Nacional”. A seguir, o ex-presidente lembrou que ficou no PMDB 20 anos e quando tentou candidatar-se a presidente, o partido apoiou o tucano paulista Fernando Henrique (PSDB).
Quebra-cabeça
O quebra-cabeça a resolver no momento é saber se o PMDB, realmente, quer assumir uma candidatura própria à Presidência da República. No momento, este partido se divide em facções. Uma comanda cinco ministérios no governo de Lula. Esta não aceita, de forma alguma, perder fatias de poder no Planalto. O PMDB adesista ao governo deita e rola na Esplanada dos Ministérios. Para este PMDB, só vale o que pesa e brilha.
Uma vela a Deus, outra...
Há ainda no Grande PMDB, outro grupo disposto a unir-se ao governador de São Paulo, José Serra, se a candidatura deste for bem recebida pela opinião pública. A jogada do partidão é participar de todos os cenários que possam levar um candidato a assumir o poder em 2011. Quem subir ao pódio, após as eleições de 2010, terá apoio do PMDB. Naturalmente, se prometer ao partidão, ministérios, grandes Bancos e empresas estatais.
Decisão difícil
No Congresso cresce um movimento com a intenção de abrir espaço na lei eleitoral para permitir mudanças de partido a seis meses de uma eleição. Se vingar essa idéia, será boa para Aécio Neves, se ele for atropelado no PSDB por José Serra e decidir mudar de legenda para candidatar-se à Presidência em 2010. Aécio Neves, que não gosta de aventuras, pode ficar no PSDB para candidatar-se a presidente ou senador.