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Crônica

Busca

Blocos barrocos/ carnavais de tapetes coloridos/ lanternas em báculos enfeitados,/ lanternas de vime/fitas e mais fitas além de belas chitas/ no sobe e desce das ruas, fria chuva/ Zé Pereira/num carnaval de pedras /paixão estonteante/ amor adolescente, imaturo, de repente/ busca por amor puro utópico, alucinante paixão proibida, banida, expurgada/ tribunal tendente, pérfido, sem alma/ juiz leviano, inconfidente, quadrilha/ sentimentos machucados, corações sofridos /nobre e plebeu- história repetida final previsto/ sórdida armadilha/amor perpetuado na memória/ dias de infindável alegria, para os enamorados sentimento encantatório da mais linda e impossível vitória/ sumariamente julgados, friamente afastados/ num carnaval de frias pedras/ choro e tristeza paixão agonizante/ para um degredo, para os dois, eterno e puro segredo/ o tempo/ felizes se fizeram, outros amores, outras e abrasadas quimeras/ Cristalizado na memória, entre confetes, serpentinas, chitas e multicoloridas fitas:
muito carinho, lembrança terna de um carnaval de pedras.

São tantas as maneiras de um verdadeiro amor expressar. O poema de minha autoria nasceu muitos, muitos anos atrás. Um amor adolescente, permanente que a vida toda me acompanhou. Estranha a vida, quisera eu saber motivos para guardar na lembranças amores tão distantes, tentativa de resgate? Por que não? Vontade de saber como está, como vive onde se encontra. Todos sofremos de lonjuras como disse com maestria Manoel de Barros, o grande poeta das miudezas, aquele que me ensinou o olhar para todos os lados, não em busca das riquezas gigantescas e velozes, mas as lentas quase invisíveis seu “Apanhador de desperdícios” encanta.

Os amores foram feitos para durar para sempre, bom quase todos. Pode-se viver uma vida com alguém e o amor não ser o bastante. Vira costume, cadeira ao sol, acomodado. De amor a escrava solidão, rotina sufocante, vazia. Insistimos a malhar ferro frio.

Não. Fomos feitos para sermos felizes, “a vida não é uma condenação” me disse um amor verdadeiro. A busca perfeita, eterna busca, um dia um dia surge em luz. Parafraseio Alda, minha mãe “no fundo bem no fundo encontrarás a pérola” e não existe tempo nem lonjura que separe sentimento verdadeiro, puro. O feito para eterno ser eterno será, sem costume, rotina, bocejos ou indiferença.

Cada dia um pedido de namoro, cada amanhecer beijo doce, variados sabores. Feliz aquele que da poltrona da vida arriba, por vontade própria ou atirado. Tem a chance de começar tudo outra vez. E lá não é tal uma dádiva? Quantos podem ou querem? “Mergulha fundo/Mergulha mais fundo ainda/ Como um pescador de pérolas/ E procura/ Procura sem te cansar! (Swâmi Paramananda, Índia, sec. 19)
Sim encontrei minha rara joia, você também achará a sua. Basta e só basta procurar.

Assim Manoel, o de Barros, nos ensina “Prezo a velocidade/ das tartarugas mais que as dos mísseis./ Tenho em mim esse atraso de nascença./ Eu fui aparelhado /para gostar de passarinhos. Mestre, mestre, quanta saudade: “ Só uso a palavra para compor os meus silêncios.”

Reaprendi o amor verdadeiro. No mais Gerias. Em festa.

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