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Crônica

Intolerância

Minha filha trouxe de presente linda camiseta da Holanda. Malha de boa qualidade, preta, com uma estrela vermelha no peito. Sobre a estrela lia-se em letras brancas “Amsterdam”. Feliz da vida a vesti fui passear à toa como de costume.

Mania, vejo tantas histórias velejando entre gente, folhas e ruas que me custa guardar para um dia contar. Muitas dou conta de prender em meu caderninho roto de páginas soltas, agrupadas com clipes e fita durex. A maioria foge aos risos de minha memória falha.

E lá vou eu pensando na riqueza da vida, no prazer de ter olhos para enxergar e não apenas ver sem por tento. Sorria para mim mesmo. Do nada, começo a ouvir deboches agressivos, piadas de mal gosto, xingamentos mesmo. Não era comigo, pensei, mas era. Fui xingado, chamado de petralha e outros adjetivos que não vou nem citar, ninguém merece.

Pobres coitados, mal sabem o belo significado místico desta estrela para os cervejeiros da idade média. “A estrela vermelha vem dos tempos da Idade Média, onde os cervejeiros acreditavam que ela tinha um poder mágico. Cada ponta representa um elemento: terra, ar, fogo, água e um quinto elemento que acreditavam ser mágico até hoje é desconhecido.” (Fonte: site “Bar, Bebida e Propaganda”).

Foi nada não, tempo passou e numa pressa de sair agarrei outra camiseta, esta da “Bee” (sem jabá) onde estava estampado belo e colorido tucano. Em plena praça fui. Fui xingado, chamado de coxinha e outros adjetivos que também não vou nem citar, pois ninguém merece.

Pobres coitados, mal sabem o belo significado místico desta bela ave: “Também conhecido como tucano-toco, o tucanuçu é o maior dos tucanos, vivendo em todo o Brasil Central e em partes da Amazônia. No Cerrado e na Mata Atlântica, pode-se encontrar a espécie em maior número, em rápidas visitas a pomares e árvores com frutos.”

Os tucanos são, com as araras e papagaios, um dos símbolos mais marcantes das aves do continente sul-americano. Tomaram-me a estrela e o tucano. Com que direito? Vivemos um período de irracionalidade absurda, tanto ódio onde poderia reinar paz, tanto sectarismo onde poderia reinar tolerância. Que país é esse, Legião Urbana? Silêncio, todos da formação original da banda já se foram sem nos dar resposta.

Já que o rancor e a raiva não levam a nada, fecho com duas historinhas. Uma encontrei em rede social e a outra foi escrita por um especial amigo, cujo nome preservo. Conto depois se me autorizar. Quanta bobagem dos fanáticos/sectários de todos os lados, formas e tamanho!

As historinhas: “Não entendi nada! Ontem fui fazer um lanche de final de tarde e pedi um sanduíche de mortadela (adoro!), quando fui pagar me deram trinta “real”, uma camisa da CUT, um boné do MST e me colocaram num ônibus, que me deixou na Praça da Estação. Estou voltando pra padaria pegar meu carro. Que saco!”

A outra: “Que faaase!! Gozado, outro dia, pedi uma coxinha. Recebi uma camiseta amarela, com uma foto do Bolsonaro, um poodle cor de rosa e um cartaz pedindo a volta da Hebe Camargo. Pode? “
Só falta agora um perseguir os canhotos e outros, os destros.

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