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Opinião do Leitor

Ocupar é educar!

Chico Buarque e Dado Villa-Lobos gravaram a canção “Trono de Estudar” em apoio às ocupações de escolas realizadas em todo o País, da qual um trecho reproduzimos para o deleite do leitor: “Ninguém tira o trono do estudar. Ninguém é o dono do que a vida dá. E nem me colocando numa jaula, porque sala de aula essa jaula vai virar”.

Mais de mil escolas e institutos federais de ensino estão, neste momento, ocupados por estudantes em pelo menos 19 Estados de todo o País. O movimento, encetado no Paraná, alastra-se por todo o País em uma velocidade vertiginosa, o que é típico de uma geração que se mobiliza facilmente a partir da utilização das redes sociais.

O movimento é uma reação ao desmonte do serviço público capitaneado pelo atual governo por meio da PEC 241, da PLP 257, da Medida Provisória 746, e de projetos como o da “Escola sem Partido”.

Entre outras coisas, esse pacote de ajustes estabelece o congelamento dos gastos com o serviço público por 20 anos (PEC 241). Impõe um ajuste fiscal que privilegiará pagamentos de dívidas em detrimento do serviço público e de programas sociais, o que seguramente atingirá os mais pobres (PLP 257). Propõe censuras escancaradas ao exercício da docência (ESP) e decreta uma reforma educacional estabelecida de maneira autoritária, rompendo o diálogo com a população estabelecido pelo Movimento da Base Nacional Comum (MP746).

Esse acervo de mudanças afeta, seguramente, aqueles que estão mais vulneráveis no escopo social. Estas medidas e outras que virão (reforma trabalhista, da previdência etc.) achincalham os avanços sociais conquistados nas últimas décadas.

Constituem-se na implementação de um projeto que está a serviço da elite desse País que simplesmente não tolera a redução da desigualdade, com a vênia (lamentavelmente) de uma parte da população que (embora trabalhadora) se autodenomina equivocadamente “classe média”.

A União Nacional dos Estudante (UNE) declarou o dia 24 de outubro como “dia nacional de luta pela educação”. A juventude dá um show de cidadania. A desacreditada geração Z, surpreendentemente, ocupa a escola brasileira e dá uma aula de participação política.

Nesta direção, as palavras do compositor brasileiro são também as minhas e, imagino, de boa parte dos educadores desse País nesta ocasião: “Eu acredito é na rapaziada, que segue em frente e segura o rojão, Eu ponho fé é na fé da moçada, que não foge da fera e enfrenta o leão; eu vou à luta com essa juventude, que não corre da raia a troco de nada; eu vou no bloco dessa mocidade, que não tá na saudade e constrói, A MANHÃ DESEJADA!

Vocês me representam!

Mauro Sérgio Santos
Professor de Filosofia


GREVE DE ESTUDANTES

Eu queria ficar calado diante da greve de alunos nas escolas no fim do ano, faltando poucos dias para o encerramento do ano letivo. Os jovens estudantes não sabem por que estão em greve. Já não tenho filho pequeno e a educação dos meus netos é por conta dois pais deles. Se eu fosse pai de aluno em greve, com a responsabilidade de pai, eu impediria que ele fizesse greve. Para mim, a escola é lugar de aluno estudar e de professor ensinar. Greve política quem faz é militante de partido, não educador ou estudante. Para mim, a escola não é lugar de fazer greve contra ou a favor de alguma causa. Filho menor não teria minha permissão para fazer greve obscura em escola. Na minha falta, a mãe dele imporia a mesma regra com autoridade. A democracia é bonita, mas só será útil se os cidadãos gozarem de direitos cumprindo deveres. Fora disso é bagunça.

Severo de Campos Macedo
Aposentado
Uberlândia (MG)

DESESPERO

Renan Calheiros parece desesperado. Seu destempero nos mostra que, em breve, perderá os cabelos. Comprar briga com o Judiciário com a qualificação do juiz federal que autorizou a operação no Senado de “juizeco”, o que já resultou em veementes protestos da AMB e da AJUFE, além de desrespeito ao ministro da Justiça, que chamou de “chefeco de polícia”, só irá piorar a sua situação perante a opinião pública.

Ronaldo Gomes Ferraz
Engenheiro
ronferraz@globo.com

GREVE DA UFU

A greve é direito garantido pela Constituição Federal a todo trabalhador, mesmo os da iniciativa privada, inclusive isso é bem comum em indústrias, por exemplo. Essa greve tem grande apoio dos estudantes, porque eles sabem que serão os maiores prejudicados. A UFU possui cursos que ainda estão engatinhando fora de Uberlândia, muitos ainda faltam equipamentos e infraestrutura e os cortes começaram neste ano já. É necessário, sim, discutir uma alternativa a esta PEC.

Daniel Alves
Via Correio Online

Pelo Facebook

Obras de ampliação do Pronto-Socorro são novamente interrompidas.

E a novela mexicana continua!

Brunner Gomes

Comentários

2 Responses to “Ocupar é educar!”

  1. Os estudantes estão se manifestando de forma pacífica e organizada. Devemos parabenizá-los pelo protagonismo e pela maturidade com que estão enfrentando esse momento tão difícil da nossa democracia. Faço minhas as palavras do Prof. Mauro Sérgio. Excelente reflexão! Obrigada, professor!

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