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Opinião do Leitor

“O que está por vir”

É o título, bem posto, do filme dirigido pela francesa Mia Hansen-Love, recentemente lançado no Brasil. A personagem central do filme, vivida pela excelente atriz Isabelle Huppert, move-se em meio a crises, descalabros e ruínas, colocando a ênfase naquilo que sobrevive, ou que se perde, enquanto, célere, o tempo passa. A personagem de Isabelle, uma professora de filosofia, encarna um ideal, pontuando para nossa reflexão a necessidade de resistência, compreensão e ultrapassamento, principalmente nas situações de crise, de mudança, de dissolução, de perda(s).

Perder laços, pessoas, coisas e situações às quais nos acomodamos no cotidiano da vida não nos deve empurrar para o limbo, para a recusa e a inércia, para o pessimismo estéril ou para a melancólica nostalgia. As perdas, ao invés de nos paralisar na apatia e na insegurança, devem fortalecer nossa reabertura para o mundo, para o novo, para o desafio de vôos mais altos e mais amplos.

Somos todos cotidianamente conduzidos por hábitos, costumes, afetos e humores. Vale lembrar aqui o conceito de “finesse”, do filósofo francês Blaise Pascal. Segundo Pascal, a “finesse” é a marca dos espíritos delicados e oblíquos. Diante das exigências da vida humana, marcada pela insegurança, pela fragilidade e pela mudança, nossa tendência habitual é recolher-nos no medo, na mágoa, na incerteza do amanhã. Esquecemo-nos, facilmente, da existência do amor, esse sentimento delicado, impreciso, mas perenemente presente.

Para o filósofo Luiz Felipe Pondé, o espírito de “finesse” exige delicadeza, leveza. Ele sobrevive em meio à incerteza e exige de nós a presença de uma vontade férrea, capaz de começar de novo, de correr riscos, ainda que o risco implique a morte. E aqui vale lembrar o inevitável: a morte anunciada do jornal “CORREIO”, ao qual nos habituamos diariamente. É isso a vida: um atoleiro de ambivalências e imperfeições, contaminada, inexoravelmente, pela finitude, pelo desencontro, pelo desencanto. Como diria o filósofo Sören Kierkegaard, somos “existentes jogados no mundo” e buscamos incansavelmente qualquer coisa que faça sentido, que alivie nosso vazio existencial – o que inclui, naturalmente, com o café da manhã, a leitura do jornal diário.

Mas nossa proposta, enquanto “existentes jogados no mundo” é buscar a essência, sabendo que somos feitos de angústia, sobretudo por termos consciência de que tudo, afirma Pondé, tem zero de significado em si. A busca de nossa essência precisa ser pautada pela lógica do mercado de bens invisíveis, sem ilusórias esperanças, sem apego às promessas do mundo, sem apego ao eu, ao si mesmo e seus desejos. O grande contexto do homem é a escassez, é a falta. Sua luta, silenciosa, oscila entre o vaivém, entre a certeza e a dúvida, entre o ter e o ser. Mas, sem dúvida, nossa alma morreria, asfixiada, se habitasse um porto seguro. Que venha, pois, o que está por vir.

Shyrley Pimenta 

Psicóloga clínica

MULTAS DE TRÂNSITO

Concordo com as constantes e ininterruptas fiscalizações no trânsito, pois tais cobranças servem ao melhoramento da segurança dos motoristas e das vias. Mas discordo que isso seja feito somente com o intuito de arrecadar e gerar ainda mais recursos para nossos governos corruptos e incompetentes. Belo exemplo é o da rodovia MG1-29 entre Itabira e a BR-381 de responsabilidade do DER-MG, com fiscalizações rigorosas de veículos e passageiros, entretanto existem crateras na pista capazes de destruir rodas dos veículos, causar graves acidentes e apenas no trecho do contorno de Itabira contei 13 cavalos soltos na pista, sem contar as inúmeras lombadas que servem para assaltantes agirem nas madrugadas. É fácil exigir e multar os motoristas, entretanto cabe ao Estado fornecer o mínimo de segurança para os usuários das vias. Com a palavra o DER-MG.

Daniel Marques
Historiador
danielmarquesvgp@gmail.com

OBRAS EMPERRADAS

Se o prefeito Gilmar Machado não inaugurar o corredor de ônibus da avenida Segismundo nem puder concluir o viaduto da rua Olegário Maciel sobre a av. Rondon Pacheco, dificilmente essas obras vão ser concluídas na administração do novo prefeito que é de oposição ao PT. Pode ser que esteja enganado, mas é assim que eu penso.

Lírio Pandolfo
Aposentado Uberlândia

QUADRINHOS

Ressocializar é preciso. Meus parabéns a esta equipe, com atitudes como esta mostra que nem tudo está perdido, e que tem alguém disposto a ajudar na ressocialização, devolvendo ao ser humano aquela identidade amiga que respeita o próximo, que confraterniza.

Pedro Borges

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