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Papo Geraes

Negócio de ocasião

Faço questão de deixar o mais claro possível, na abertura desta última coluna programada para o CORREIO de Ubelândia, que a opinião a seguir publicada é exclusivamente pessoal. E não tem nenhuma ligação com a instituição em que atuei durante quase toda minha trajetória profissional. Aliás, como sempre foram todos os textos aqui veiculados ao longo dos últimos 14 anos.

Começo compartilhando o conceito que aprendi sobre um jornal. Reporto ao notável Mário Grossi respondendo ao questionamento de um dirigente político sobre uma notícia negativa veiculada no CORREIO. Dizia ele que é função do jornal apontar erros, mas sempre ouvindo as partes. Por excelência, o jornal tem que ser polêmico, porque forma e informa. Emite opinião. Mostra diferentes ângulos e desdobramentos. O que ele não pode nunca deixar de ser é sério. De preferência isento.

E Grossi concluiu: se você quer um jornal que só fale bem de você, faça o seu. Só que ele nunca será um jornal de verdade, apenas um pedaço de papel com textos nele. Não serve pra nada.

Nestes 78 anos de existência, o CORREIO tem sido um jornal de verdade. Não se omite, aponta erros, valoriza e defende causas válidas, propõe iniciativas, registra, divulga e comenta tudo que acontece, principalmente, relacionado à cidade de Uberlândia. Também erra, porque não é perfeito. Mas o índice de seus acertos é expressivamente maior.

Abre espaço para colunistas variados, cada um com seu estilo e pensamento. Com total liberdade para abordar assuntos dos mais diversos. Da mesma forma, faz isso com seus leitores, que têm espaço próprio para expor suas opiniões, muitas vezes, criticando o próprio jornal. Já passou por momentos em que o seu diretor teve que defender, de arma em punho, as suas instalações para que não fosse invadida por cavalaria de soldados.

Abordou casos polêmicos cujos desdobramentos marcaram a vida da cidade, como a morte de “João Relojoeiro”. Posicionou-se em defesa do projeto do arquiteto Oscar Niemeyer para o nosso teatro municipal. E foi determinante para que ele fosse o escolhido.

Ainda que a mídia impressa tenha menor penetração que outras de maior alcance, principalmente a TV, o CORREIO sempre pautou os demais veículos. Pela seriedade e isenção de suas abordagens. Pela sensibilidade e olhar atento de sua equipe em relação aos temas que dizem respeito a Uberlândia.

Por tudo isso, desfruta de merecido prestígio e respeito. Nos mais diferentes setores da cidade e até mesmo nas poderosas instituições públicas da capital dos mineiros. É lido diariamente na sede do governo do Estado.

Tem uma média diária de 40 mil page views na sua versão eletrônica. Acredito que, em torno de 8 mil assinaturas, na sua versão impressa. Números que não são desprezíveis.

Talvez esteja equivocado, mas acredito que possa ser um bom negócio para gente séria que queira se dedicar a uma causa tão relevante para a comunidade uberlandense. Pessoas comprometidas com a cidade, de ambições políticas comedidas.

De vaidades e necessidade de poder controladas. Com nova estrutura operacional, alinhada com a modernidade das mídias sociais. Com versões diárias online (talvez em parceria com algum outro grupo de comunicação) e impressa quatro vezes por semana ou até mesmo apenas uma vez semanal (sem necessidade de gráfica própria).

Liderado por quem é do meio e ama o jornalismo sério, responsável, independente. Com uma característica essencial, além de ser do ramo, ser empreendedor. Porque, me perdoem os colegas que aqui trabalham, a situação crítica chegou a tal ponto que não é hora de pensar em salvar empregos (ainda que isso seja relevante), mas salvar o jornal.

Porque com o jornal continuando, os empregos mais cedo ou mais tarde, voltarão. Sem jornal, não tem emprego nem perspectiva. Isto é possível porque o CORREIO tem algo de inestimável valor, leitores fiéis, que certamente estariam dispostos a ajudar a viabilizar sua continuidade. Inclusive financeiramente. Não apenas assinantes, mas apoiadores.

Se alguém se sensibilizar por estes comentários recomendo que, além da equipe atual do jornal, também escute o Antônio Seara que foi editor há uns 5 anos e Maurício Ricardo Quirino que dirigiu o CORREIO por um bom tempo. No mais, renovo meus agradecimentos a todos. Agradeço, de verdade, a honra de ter feito parte da história do CORREIO.

Encerro reforçando que interrupção não é morte. E que todo fim é sempre um começo. Que esta é a última, mas não a derradeira. Por isso, ao invés de um “viva CORREIO” preferi investir em provocações para o que o “CORREIO viva”.

Celso Machado

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