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Ponto de Vista

2016: o ano que não acabou

O ano de 2016 foi caracterizado pela perplexidade! Não há dúvidas de que, especialmente no campo político, o brasileiro conviveu com situações terríveis, tanto a considerar a produção reiterada de ‘desvalores’, como os efeitos daí consequenciais. Internamente, a publicização dos resultados oriundos das investigações da Operação Lava Jato foi capaz de desnudar as hipercomplexas situações de rebaixamento moral no centro e periferia das decisões políticas, tudo acompanhado do completo abandono da necessária ‘boa governança’ através do princípio da condução responsável das administrações públicas. O resultado dessas desestruturações axiológicas e sistêmicas é infame e carente de constitucionalidade: limitação do acesso à saúde e educação como direitos fundamentais sociais, confisco de valores mensais para equilíbrio da previdência, aumento das despesas básicas e essenciais enquanto se parcela vencimentos dos servidores públicos. Em suma, os responsáveis pelo caos deslocaram a solução para o bolso do cidadão.

Externamente, o pior veio na modalidade de ruptura e desleixo com os direitos humanos: a guerra da Síria, a fragmentação de Aleppo, a intensa e mortal mobilidade dos refugiados, a ampliação da rede de terroristas, enfim, tudo a indicar que houve regressão acintosa na marcha evolutiva da humanidade e da humanização.

Em termos locais, entretanto, certamente, o encerramento das atividades do CORREIO de Uberlândia representa franco prejuízo à população do Triângulo Mineiro. Sabe-se que, dentre os diversos ciclos de exploração de riquezas para atendimentos das necessidades na evolução da humanidade, a informação na sociedade contemporânea é o maior expoente. A informação não representa apenas fonte de poder (das instituições públicas) ou instrumento de diferenciação social, mas essencialmente direito de natureza fundamental (CF, art. 5º, inc. XIV) e, em consequência instrumento básico para as liberdades fundamentais (CF, art. 5º, inciso XLI).

A lógica deveria ser justamente ao contrário, a inauguração de novos sítios informacionais, justamente para ampliação do conhecimento e fomento da opinião crítica, bases fundamentais da democracia. Ensinar a pensar! Contudo, no âmbito da longevidade das empresas, não há espaço para manutenção de setores deficitários, já que o paradoxo ‘ganhar/perder’ é exigente de higidez financeira para sobrevivência dos atores e protagonistas no mercado mundial.

Trata-se, pois, de perda irreparável para a comunidade local acostumada às excelentes reportagens, aos palcos ensejadores de debates, à lisura nas coberturas das matérias (sempre com atenção ao contraditório), onde jornalistas e repórteres (novos e outros mais experientes) exerceram ofício tão espinhoso de administrar a fidedignidade do fato a ser exposto. Em papel ou virtual, veículo indispensável no contexto urbano.

É de anotar, via de consequência, duas referências obrigatórias e derradeiras: a primeira, de agradecimento por todas informações recebidas e que contribuíram para formação e transformação de seguidas gerações; a segunda, no reconhecimento deste jornal como patrimônio histórico, informacional e cultural desta região. E, por isso também, 2016 é ano triste, ano que jamais sairá das memórias, ano sem fim, onde a última notícia é exatamente e melancolicamente ‘o fim das notícias’.

Fernando Rodrigues Martins
Promotor de Justiça
Professor universitário

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