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Ponto de Vista

Crise – avanços e retrocessos

Os sonhos não envelhecem.

A palavra crise vem de krinein. É de origem grega e significa momento de decisão, distanciamento para reflexão; preparação para o início de um momento novo (bom ou ruim). A expressão grega krísis também era usada pelos médicos antigos com um sentido bastante específico e, no entanto, útil para pensarmos questões políticas de nossos dias. Quando o doente, depois de medicado, entrava em crise, era sinal de que haveria um desfecho: a cura ou a morte.

Aliás, a vida é feita de ocasiões críticas que ensejam o novo: a morte da semente para o nascimento da flor, a superação da infância no processo de “adolescer” para a passagem à vida adulta, a casca do machucado que dá origem à nova pele; a antítese que, em conflito com a tese, dá forma à síntese. (…) Em todos os casos, da experiência da crise emana algo novo: bom ou ruim.

Indubitavelmente, vive-se um momento de crise econômica mundial e, por conseguinte, econômica e política nacional, ocasião na qual apresenta-se necessário: parcimônia, bom senso e reflexão para que o desenlace seja o mais benéfico possível para a coletividade.

A crise é inerente à construção e ao aprimoramento da democracia. Mas é também condição favorável ao retrocesso.

Nestes quase trinta anos de processo de redemocratização do País, avançamos significativamente. Superamos a inflação da primeira hora; condicionamos a independência dos três poderes, oportunizamos a alternância do poder político, criamos um sistema eleitoral admirado internacionalmente; possibilitamos o funcionamento autônomo das instituições governamentais como o ministério público e a polícia federal; superamos a miséria e distribuímos um pouco melhor a riqueza.

Todavia, o fantasma do retrocesso sempre nos faz companhia,  manifestando-se precipuamente nos momentos de crise.

De um lado, a possibilidade do retorno de forças autoritárias, da vitória do oportunismo, da preponderância do “quanto pior melhor”, da primazia dos interesses pessoais sobre a coletividade, da politização do judiciário, da judicialização da política, da militarização dos processos educativos, das pedaladas políticas, jurídicas, militares, ilegítimas, escusas.

De outro, a opção pela democracia e por seu fortalecimento, o respeito à constituição, a manutenção do estado democrático de direito, a independência dos poderes, o reconhecimento da soberania do voto popular, a liberdade de imprensa, a ampliação dos direitos civis das minorias, a universalização dos direitos humanos.

Neste momento de crise, a sociedade brasileira pode e é capaz de reinventar a esperança.  E, sim, nós podemos.

Mauro Sérgio Santos

Academia de Letras e Artes de Araguari – ALAA

 

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