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Ponto de Vista

É Natal, sem Righetto

Datas são apenas datas – ou datas são datas. Depende do olhar de cada um. Tivemos a oportunidade de conviver com uma pessoa que nos deixou há pouco tempo. Em todos os dezembros ele nos lembrava de que o Natal era muito importante, por esse motivo, desejava que todos os dias fossem Natal. Professor e poeta Armando Righetto morava na cidade de Passos, no Sul de Minas. Professor universitário, autor de vários livros de matemática e poesia, foi Grão-Mestre do Grande Oriente de Minas Gerais.
Righetto, já com certa idade, visitou todas as cidades de Minas onde havia uma Loja Maçônica.

Tinha um carinho especial por nossa região, nunca faltava a um compromisso, gostava de fazer palestras, sempre sorrindo, nunca ficava triste, tinha uma capacidade singular e superior, sempre valorizava o lado bom da vida. Foi um mestre, um visionário como poucos, um líder que não brigava pelas suas ideias, porque, quando as expunha, não focava as pessoas, mas a proposta. Não agia com falsidade, era honesto em tudo, algo pouco usual. Um líder que não jogou com a vida, soube viver e deixar bons exemplos.

Gostava de dizer que os lugares não são nossos, nem a estrada que construímos, nada é nosso. Espiritualista, espírita, falava a todo o momento, sem forçar, que o ser era mais importante do que o ter. Viajava quilômetros para visitar um amigo doente ou um idoso, principalmente os que dedicavam a vida a servir. Em nossa cidade visitava sempre as pessoas que já não saíam de casa, que deram parte de sua vida para a instituição a qual muito amou, a Maçonaria. Tinha sempre uma palavra para todos, para sua família, para os amigos e em particular para os doentes. Uma memória privilegiada, quando escrevia uma carta não esquecia nenhum membro da família do endereçado. Sabia valorizar e respeitar as pessoas, mesmo aqueles que se opunham a suas ideias. Um livre pensador.

Em razão de ser este mês o último do CORREIO de Uberlândia, transcrevo aqui uma das últimas mensagens de Righetto, porque acredito que irá fazer bem para muitos, principalmente aos que não tiveram a oportunidade de participar do seu convívio:

“O homem é um ser ignorado pelo próprio homem. Não nos conhecemos a nós próprios. Daí decorrem todas as dificuldades. Vivemos de ilusão de que os povos encontrarão a felicidade sem uma radical transformação de mentalidade. A crise do mundo é a crise dos homens. Não poderemos alcançar um mundo de luz e de verdade, um mundo de amor, se não procurarmos medir os nossos próprios sentimentos. Conheçamo-nos a nós mesmos! Comecemos a mudança em nós mesmos.” (RIGHETTO, Armando. Maçonaria, uma esperança. Ed. A Trolha. p. 49).

Este é também o meu último artigo neste espaço. Não é um adeus, porque nada para, tudo continua, mesmo quando mudamos de lugar, tudo é melhor e mais livre do que imaginamos. Que este ano termine bem, que o novo seja melhor ainda, porque, como afirmava Righetto: há sempre algo bom em todos os momentos da vida, sempre há oportunidade de mudança. Com o passar dos anos, temos de fato mais consciência do que fizemos de bom, o que é material se torna supérfluo e o invisível se transforma em rosas azuis. Que todo dia seja Natal.

Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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