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Ponto de Vista

Inversão de valores

Não há como ter bons governos com o atual modelo político e de gestão vigente. Não bastam mudanças conjunturais, é necessária uma mudança estrutural, essa é a questão. Está mais do que claro: houve o descolamento dos políticos dos seus representados e dos objetivos da política, uma inversão de valores. A população não está se sentindo representada pela atual. Tal relação vem se deteriorando ano a ano, agravou-se e se evidenciou com a crise do momento. A Operação Lava Jato mostrou com clareza aquilo de que muitos desconfiavam, mas em um quadro pior do que se imaginava.

Quando citamos descolamento, queremos lembrar: o princípio básico da democracia representativa é que, quando votamos, estamos passando uma procuração com todos os poderes para vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e presidente da República fazerem o que necessitamos, em todas as áreas: saúde, segurança, infraestrutura e, principalmente, no campo ético. Mas ao que temos assistido é exatamente o contrário, eles se elegem e tratam apenas dos interesses pessoais, dos familiares e de quem os financiou. Isso é uma grande inversão de valores.

Artigos e manifestações não faltam, afirmando que no plano municipal a população não concorda com o número de vereadores e de assessores, com seus altos salários e benefícios indiretos. O mesmo acontece nos planos estadual e federal. Nesses dois últimos é pior, porque estão mais distantes das pessoas. Passaram de representantes para uma classe que não pertence mais à comunidade, em que o corporativismo predomina. O eleitor que os mantém não concorda, mas o nível de politização e de interesse da população ainda é baixo; entretanto, está melhorando.

A atual prática política repercute diretamente na gestão, também nos três planos: municipal, estadual e federal, nos quais o fisiologismo, o “dando que se recebe”, foi otimizado de forma vergonhosa nos últimos anos. O político trocando o voto por cargos ou por outros benefícios. É um desvio total e imoral da atividade política, não há como administrar com essa perversa forma de atuação.

O correto é o eleitor votar em alguém para defender os interesses coletivos, e não individuais, ou seja, o eleitor também hoje está errado: faz pedidos individuais e poucos coletivos. O eleitor deve solicitar ao poder executivo que escolham suas equipes pelo quesito da competência e da honestidade, e passar a fiscalizar se realmente isso acontece. Nesse modelo o político é de fato um representante e a coisa pública, bem administrada. Os Executivos hoje são reféns do Legislativo, dos partidos, dos financiadores de campanha e de outros atores da comunidade que se aproveitam desse ineficiente modelo. Assim, na maioria das vezes são estes que escolhem a equipe para governar. Não tem como administrar nesse formato. Esse é o ápice a da inversão de valores.

Há unanimidade por parte dos gurus da Administração: que mudar estrutura, estratégia, não é fácil; porém, o mais difícil é mudar a cultura, os princípios, os valores, o comportamento de uma sociedade. Mas temos que trabalhar com muita vontade e desprendimento, porque esse é o único caminho. Estou otimista, já começamos, é um processo lento, entretanto, viável e necessário.

Hélio Mendes

Prof. e Consultor de Estratégia e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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