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Ponto de Vista

Não há esperanças no fascismo

Este CORREIO de Uberlândia publicou, no dia 28/6/2016, missiva endereçada a um certo prof. Roberto, que a julgar pelo teor de minhas publicações, bem posso ser eu, embora outros e melhores Robertos desempenhem a docência. Avesso aos maus modos, não deixaria a missiva sem resposta. Realizo firme defesa dos projetos populares legitimamente eleitos em sucessivos pleitos. É inequívoca a preferência do eleitorado brasileiro, e quando as urnas falam, os democratas obedecem.

O que faz a diferença entre direita e esquerda hoje é por quem dobram os seus sinos. Importa combater os impostores ideológicos, aos quais nunca se tratou de defendê-los, mas tampouco de realizar perseguições seletivas em face de um sistema comprometido. A diferença está em que durante os governos populares, estatisticamente, a pobreza diminuiu agudamente, e também os notáveis avanços bem próximos de nós na área da educação, que é onde reside a esperança dos indivíduos depauperados.

Nunca defendi o caos e a via fascista que o apoia para forjar o salvador. Esta é a ideologia do catártico homem apocalíptico, dos teólogos da política. É a via eficiente para exterminar a esperança. Opto pela análise do real, única via para vislumbrar horizontes promissores. Distopia é apontar para uma realidade desencarnada de homens, cenário em que apenas os (supostos) virtuosos desempenhem funções políticas. Este é o desenho de mundo que pressupõe a “limpeza”. Seus especialistas foram os fascistas alemães que exterminaram todos que julgavam ser a escória de sua época. E agora, quem será julgado impuro? Quem será o julgador que determinará quem deve ou não sobreviver? Reviverá o Führer encarnado em alguma figura paranaense? É isto “esperança”? Está a esperança radicada no fascismo purificador da raça e das instituições?

O fascismo é letal para toda esperança, e a radicalização da utopia teológica é vizinha da concretização da distopia. Falsa a imputação de utópico, pois ando bem seguro dos riscos das distopias fascistas que nos rondam e dos personagens cinzentos que as sustentam, ingenuamente ou de caso pensado. As lutas contra os fascismos e seus ditadores serão sempre nossas e nunca “envelhecem”. Esquecer o passado é sinalização indefectível de que sofreremos uma e outra vez com as reedições do fascismo. A esperança perece ao optarmos por ideologia que aponta para o triunfo dos donos do capital.

Cientes ou não, a decrepitude da esperança seca e devora a alma quando abraça ideologia que faz com que pobres e miseráveis faleçam em postos de saúde, que vejam suas escolas e oportunidades diminuídas ainda mais devido aos cortes em gastos públicos que favorecem as elites. Aqui a esperança se esboroa. Mas não se termina enquanto pulsa um coração valente, enquanto nobre o objetivo e justa a mente, combinação de forças a lutar pelos deserdados.

Quem escolhe e luta sem peias nem travas pelos empoderados é que já perdeu a esperança, e embora talvez não o saiba, talvez tenha perdido mais. A vergonha sustenta a preocupação por transcender a mera esperança e concretizá-la. Nisto se diferencia o campo popular e a direita, que continua a insistir na promessa da redenção. O progressista eleva as condições do povo aqui e agora, pois sabe que a fome e a doença tem pressa, dores do povo que nunca foram compartilhadas e nem motivo de atenção da direita. E por retomar o citado José Régio, concluo: “Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / Sei que não vou por aí”.

Roberto Bueno

Pós-doutor CEAD/UFU

Comentários

8 Responses to “Não há esperanças no fascismo”

  1. Os riscos de não se aprender com a história rondam…ao destinatário espero que a missiva sirva à reflexão, embora duvide….o mundo está cheio de certezas e escasso de estudo…

    • Prezado Sr. Toso. É extremamente importante o destaque que concede a importância de aprender com a história. É preciso estar disposto a tanto, mas é também necessário hierarquizar valores para que as lições da história efetivamente nos sirvam, e nesta hierarquização é que muitos discrepam. De nossa parte, a supremacia é sempre concedida a população empobrecida e carente. A erudição é má conselheira quando desacompanhada dos princípios humanitários. Também isto aprendemos com a história.

  2. Parabéns pelo excelente texto Prof. Roberto. Tens toda a razão quando dizes que a diferença entre a esquerda e a direita hoje é pelo que lutam, e nós continuaremos sempre a lutar pela Democracia, pela minoria, pelos Direitos Fundamentais e pela Justiça social. Assim, lutaremos sempre contra os fascistas e ditadores.

    • Prezada Sra. França. Agradeço pela arguta leitura ao tempo em que manifesto satisfação por observar que há importante motivação em nossa sociedade para compreender as dimensões próprias da esquerda e da direita, distinção conceitual que não deixou em momento algum de existir e que neste instante abandona a máscara sob a qual esteve tentando ocultar-se. Sua é a razão ao destacar que precisamos sempre manter o nosso alerta e as ações para o embate contra as forças da ditadura. Att. Roberto Bueno

    • Prezado Sr. Curcino. Agradeço pela leitura e folgo em tornar-me sabedor de que compartilhamos o mesmo propósito de defesa da democracia, cujas liberdades nunca terminam de ser conquistadas. Isto sim, é tarefa cotidiana, e agora já o sabemos muito bem o quanto e quão intensa ela é. Cordialmente, Roberto Bueno

  3. Professor Roberto, quanto à sua afirmação, em artigo anterior, de que a presidente afastada é vítima de golpe, pois contra ela não pesa nenhuma acusação de crime, é bom lembrar que ela está afastada justamente por mal feito praticado. O que ocorre é que a favor de presidente com mandato, mesmo que suspenso, existe uma rede de proteção muito grande, ofertada em troca de favores nada republicanos. Deixe concretizar o afastamento definitivo e ai, sim, poderão aparecer incontáveis coisinhas a ser explicadas à justiça. Por outro lado, o professor deve saber que contra Hitler, Mussolini e tantos outros déspotas, não pesam até hoje, acusações de corrupção. No entanto, destruíram seus países e mais meio mundo. O seu chamado “governo popular” destruiu o pais, pela incompetência, pela ganância e, sobretudo, pela desonestidade.

  4. Foi fácil pro Pt “diminuir estatísticamente” a pobreza, bastou mexer no valor de referência mínimo para tal e plim… Do dia para a noite milhões foram alçados à classe média, com incrível renda de… R$921,00.
    Acabaram com a educação pública, sucatearam todos os hospitais, não investiram o mínimo em infraestrutura, Empregaram milhares de funcionários públicos caros e inúteis, (todos cumpanhêros), doaram bilhões para ditadores em Cuba, Venezuela, Bolívia, roubaram descaradamente a Petrobras, correios, bndes, Eletrobrás, BB, CEF, fundos de pensões, fgts, não fizeram nenhuma reforma, protegem ladrões e criminosos e pra finalizar quebraram o Brasil.
    Não adianta, os brasileiros já entenderam (enfim) que o Pt é uma quadrilha, e Pt nunca mais, o resto é choradeira de derrotados incompententes que tiveram todas as oportunidades possíveis de melhorar o país, mas só roubaram (há raríssimas excessões).

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