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Ponto de Vista

Sorte!

Dizem que até cachorro precisa de sorte na vida para se dar bem. Pura verdade. Basta pensar nos animais de rua famintos e carentes que a gente vê por aí, enquanto outros passeiam de carro, dormem em camas limpinhas e até vão ao pet shop de helicóptero, como o Juquinha, cão de estimação do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (que voava sob às custas do contribuinte, obviamente).

Mas a sorte é de fato item obrigatório nas histórias de superações e conquistas. Napoleão, por exemplo, escolhia seus generais a partir de informações que os credenciassem como sortudos. Sem sorte, ninguém vence batalhas. E o que é a sorte, afinal?

Vivi, recentemente, uma experiência que me fez conjecturar mais demoradamente sobre essa fada madrinha que só se aproxima de nós quando quer, mas, para que a mágica aconteça, precisamos estar preparados. Escalada para fazer a reportagem sobre a vinda a Uberlândia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para participar do ato de repúdio ao atentado sofrido pelo procurador Marcos Vinícius Ribeiro, na cidade de Monte Carmelo (MG), disputei, com os colegas jornalistas que cobriam o evento, a oportunidade de fazer as perguntas que dariam conteúdo ao texto que eu deveria publicar.

Antes de narrar o fato, vou abrir um parênteses: quando assistimos pela TV a uma dessas rápidas entrevistas coletivas em que políticos e outras autoridades dão à imprensa, não temos noção de quão difícil é conseguir falar em meio a tantos profissionais amontoados e gritando suas perguntas. Chega a ocorrer uma falta de educação entre os colegas, pois um fala com o outro e quem grita mais alto ganha sua resposta. Como eu só participo, eventualmente, desses momentos, pois faço pautas especiais e não cotidianas, sempre sinto um desconforto nessas coletivas em flash. Fecha parênteses. Lá estava eu, olhando feio para os que não me deixavam falar (desculpem o mau jeito, colegas) quando surgiu a oportunidade de disparar a arma que os jornalistas usam para matar o leão do dia – a pergunta. Atingido o alvo, obtive como prêmio o objeto de desejo de todo profissional da imprensa: um furo jornalístico, ou seja, uma notícia inédita. Na resposta a mim dirigida, o procurador-geral da República informou, em primeira mão, que sua casa havia sido alvo de invasão e roubo do controle remoto do portão (a casa tem sistema de alarme e segurança armada).

Sem saber que aquilo se tratava de um furo, reportei à Agência Folha as informações apuradas e perguntei ao editor se eles já tinham essa notícia, ao que ele respondeu negativamente. Finda a jornada dessa pauta, segui para o escritório onde presto assessoria (profissionais da imprensa costumam ter mais de um trabalho, por não ser uma atividade muito valorizada). No carro, sintonizei a rádio Jovem Pan, onde acontecia o programa “Os pingos nos is”, do jornalista Reinaldo Azevedo. Surpresa! Ao vivo, ele citava a notícia e questionava por que a informação da invasão da residência havia demorado um mês para ser divulgada. Ao ouvi-lo falar, quase não acreditei que se tratava da “minha” matéria. A internet, é claro, possibilitou que o radialista obtivesse acesso online ao nosso furo e já o utilizasse em seu editorial. Nesse momento, ainda vacilando, comecei a sentir que tinha sido premiada naquela tarde.

Horas depois, tomando uma cervejinha e já celebrando o fato, recebi uma ligação do meu filho, eufórico, contando que a família, lá em São Paulo, estava me vendo no “Jornal Nacional”. Era justamente a cena da coletiva em que Rodrigo Janot respondia à minha pergunta. A notícia havia se convertido na principal manchete política daquela noite de sexta-feira (27/2). A todos os “parabéns” recebidos, eu dei a mesma versão: tive sorte. E isso é pouco? Não, é maravilhoso! Não fosse a passagem imprevisível dessa força favorável e Janot não revelasse uma informação inédita, o fato se resumiria a uma reportagem a mais a ser somada às outras já realizadas. Mas a “preparação” para o ofício de repórter – consolidada ao longo do tempo, unida à “oportunidade” de estar lá buscando dar o meu melhor, se configuraram naquilo que, às vezes, muda a nossa vida: a incontrolável e tão desejada visita da amiga Sorte.

Stela Masson
Jornalista e assessora de comunicação

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