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Velho Chico

Descoberto pelo navegador florentino Américo Vespúcio em 4/10/1501, dia de são Francisco de Assis, o rio impressionou os primeiros europeus a chegar ao Brasil pela sua vastidão. Nasce na Serra da Canastra, em nossas Minas Gerais, e percorre território exclusivamente brasileiro até desaguar no oceano Atlântico, e como integra diferentes regiões do país ficou conhecido como o “rio da unidade nacional” e mais carinhosamente como o “Velho Chico”. E este importante rio, o São Francisco, que banha vários estados e é quase inteiramente navegável, tem sofrido muito nas últimas décadas. A construção de barragens, por exemplo, alterou a dinâmica natural do rio, que deixou de ter período de secas e vazantes, prejudicando todo o ecossistema. O plantio de cana de açúcar no Centro Oeste de Minas Gerais, onde estão as nascentes, deixa suas marcas e põe em risco a vida do rio. O jornal “Estado de Minas” do dia 17/2/13, em um artigo sobre o rio São Francisco, expõe mazelas às quais está sujeito e fórmulas que estão sendo usadas para envenenar o “santo”: lançamento de esgotos, resíduos de atividades agropecuárias, efluentes industriais e rejeitos de mineração começam a sufocar o grande caminho de águas. O leito que ajudou a integrar o país está mais envenenado do que nunca e “sua situação hoje destoa até mesmo do nome do santo que viveu para defender o meio ambiente”. Com o crescimento acelerado dos núcleos urbanos, o recurso hídrico vem sendo utilizado de forma não sustentável, trazendo a ameaça de esgotamento de suas águas e o comprometimento da sua qualidade.

Devido à importância e grandeza deste rio, chama atenção e desperta polêmica projeto do governo federal que prevê o aproveitamento das águas do São Francisco para solucionar o problema da seca no Nordeste. Propõe o projeto a construção de canais para levar parte das águas do Velho Chico até o sertão de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Inúmeras ações deram entrada no STF por instituições contrárias às obras de transposição, questionando a sua constitucionalidade, mas, infelizmente, as decisões as consideraram constitucionais. Ambientalistas, técnicos, estudiosos e pessoas das mais variadas gamas profissionais colocam-se contra a transposição, pois reconhecem que o rio não tem condições de ceder parte do volume de águas, está doente, precisa ser revitalizado e mais, que a população das regiões semiáridas não será alcançada pelos canais de distribuição, pois vivem dispersas. O projeto, segundo os estudiosos, é mais econômico do que propriamente social.

Enquanto faltar preocupação com a preservação das nascentes, com a manutenção das matas ciliares, com a vida e saúde do rio, enquanto faltarem cuidados necessários com esta riqueza que a natureza prodigamente nos oferece, certamente, haverá óbices à implementação deste projeto.

E parece que o santo protetor desta maravilhosa obra da natureza está fazendo alguma alquimia, pois as obras de transposição emperram sempre em algum obstáculo ou na ganância desmedida e na irresponsabilidade de muitos. A gente espera que o rio corra natural e saudável para o oceano e que, com o santo, as feiosas carrancas esculpidas nas proas das embarcações protejam não apenas os barqueiros e as populações ribeirinhas, mas espantem todos os males que hoje põem em risco as águas turvas do Velho Chico.

Marília Alves Cunha
Professora
Uberlândia (MG)
mariliacunha16@hotmail.com

Comentários

2 respostas para “Velho Chico”

  1. Prezada Marília,
    Leve esta luta para as suas salas de aula. Não podemos permitir que essa quadrilha, chefiada por um charlatão oportunista, formado na clandestinidade da periferia política da ditadura militar, mate o nosso querido rio. Um grande abraço. Jackson

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