LDO sem cifrão
*Por Arthur Fernandes
O Executivo já enviou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 para a Câmara Municipal de Uberlândia. O que mais chama a atenção na peça é a falta de menção a valores financeiros. Nas 21 páginas da LDO de Uberlândia para o próximo ano só aparecem dois cifrões ($). As citações são quando há referência às despesas consideradas irrelevantes de R$ 8 mil, no caso de aquisição de bens ou prestação de serviços, e de R$ 15 mil, no caso de realização de obras públicas ou serviços de engenharia. Fora isso, não há nenhuma outra menção aos valores que estão previstos para serem arrecadados ou despendidos pelo município no próximo ano. Também não consta no projeto nenhum tipo de anexo com as rubricas destinadas para 23 secretarias e autarquias. “A LDO não vem com anexo, porque não votamos ainda o PPA (Plano Plurianual). Sem PPA não tem como fazer. Depois que votarmos o PPA, teremos o anexo. A LDO vem para dar a linha geral, ela não vai detalhar. Quem vai detalhar é a Lei Orçamentária Anual (LOA), que se articula com o PPA”, afirmou o prefeito Gilmar Machado (PT). Segundo ele, esse é um ano atípico, por ser primeiro ano de governo. “Isso acontece todos os anos quando há mudanças de governo”, disse.
LDO de 2005
No entanto, em 2005, quando houve o primeiro ano da gestão do ex-prefeito Odelmo Leão (PP), o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) continha o detalhamento com receitas e despesas e os seus respectivos valores em R$. Para não se ater apenas a este exemplo uberlandense, a LDO 2014 da cidade paulista de Ribeirão Preto também já está disponível na internet. A prévia também inclui o detalhamento das receitas e despesas em todas as pastas de governo. O orçamento ribeirão-pretano para 2014 é previsto em R$ 2,1 bilhões. Há também a estimativa da composição das arrecadações e das saídas de recursos financeiros como forma de dispêndio em todas as secretarias.
Forma de gerir
Questionado pela coluna sobre estes aspectos mais detalhados na primeira LDO do seu antecessor e da mesma característica também presente na peça da cidade paulista de porte parecido com o de Uberlândia, o prefeito Gilmar Machado afirmou que essa falta de minúcia na LDO para 2014 foi uma opção da atual administração municipal. “Cada um tem uma forma de gestão. Esse é um direito que nós temos, e, portanto, estamos utilizando. A LDO vem com aquilo que é necessário nela, que são as diretrizes. Depois, vêm os detalhamentos com a PPA e a LOA”, afirmou Gilmar Machado.
Cenário opaco
Perguntado se está havendo dificuldades para prever esses detalhamentos financeiros para 2014, o prefeito disse que não. “Estamos fazendo com muita tranquilidade e muita calma, porque para o próximo ano teremos muitas novidades para os servidores”, disse. Mas uma coisa é clara: apesar de o setor financeiro da Prefeitura de Uberlândia prever que o segundo semestre será melhor economicamente para o Brasil, a linha ascendente que o orçamento uberlandense vinha tendo nos últimos anos terá um viés de queda para 2014. Como a LDO não demonstra claramente como será essa curva na descendente, só resta aguardar o que virá no Plano Plurianual e na LOA.
Cuidado com o “oba-oba”
Com a maestria de sempre, o estimado colega colunista do CORREIO de Uberlândia editor de Opinião, jornalista Ivan Santos, no artigo publicado na última terça-feira (21), acertou na mosca mais uma vez. Ele alertou sobre o risco que projetos como este da região metropolitana do Triângulo Mineiro trazem, em ano de véspera de eleição, para atrair oportunistas que utilizam o discurso regionalista em proveito próprio.
Renan, presidente
O Brasil será governado, hoje, interinamente, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL). Terceiro na linha sucessória para assumir o posto, a agenda dos outros dois na sua frente ajudou o alagoano. A presidente Dilma Rousseff (PT), o vice-presidente Michel Temer (PMDB/SP) e o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB/RN), estarão em viagem internacional. A presidente embarcaria ontem para a Etiópia. Temer vai representar o Brasil na posse do presidente reeleito do Equador, Rafael Correa, hoje, em Quito. A interinidade de Renan durará um dia, já que Temer retornará amanhã. Já o presidente da Câmara está em missão oficial nos Estados Unidos e só volta domingo.