No muro
Quem esperava que o vereador Zezinho Mendonça (PSB) declarasse em qual lado iria atuar ao tomar posse ontem na Câmara Municipal, caiu do cavalo. Em seu primeiro discurso como parlamentar, o substituto de Liza Prado optou pela prudência de quem está chegando com dois anos de atraso para os demais companheiros, e num momento em que a base aliada está fragilizada. Diante da situação, Zezinho preferiu o discurso pronto: “vou votar com o povo”. Como povo não é de oposição e nem de situação, a escolha lhe garante tempo suficiente para se familiarizar com o processo sem sofrer o desgaste por uma decisão que, mais adiante, será cobrada.
De olho
A oposição não escondeu o descontentamento com o discurso do vereador do PSB. Em especial a bancada do PT, que apostava que Zezinho seria o quarto integrante a bater mais firme nas ações da Administração Municipal. Por outro lado, a base aliada sentiu no novo vereador um potencial de voto que pode ser decisivo em matérias relevantes. Principalmente as que precisam de quórum qualificado. É o caso do projeto que cria o IPTU progressivo em Uberlândia. Derrubado no fim do ano passado, sob o argumento de que o texto precisava ser aprimorado, a proposta retornará neste início de ano ao Legislativo. E, ao que tudo indica, sem alteração.
Portas abertas
A posse do novo vereador foi prestigiada pela presença do prefeito Odelmo Leão (PP). E o prefeito deixou bem claro em seu discurso que, apesar de ser marinheiro de primeira viagem, o novo vereador não entrou de gaiato no navio. Odelmo lembrou que Zezinho já apresentara requerimentos à prefeitura, sobre pendências em seu bairro de atuação (Mansour), antes mesmo de se tornar vereador. E todas as solicitações foram atendidas, frisou o prefeito.
Um chega, outro sai
Com a chegada de Zezinho Mendonça na Câmara, o seu irmão Ronivaldo Correia de Mendonça deixa a Casa. Ele estava lotado como assessor parlamentar (ASP-8) no gabinete do vereador Gilmar Prado (PT). A exoneração já foi publicada, evitando, portanto, qualquer constrangimento em função de nepotismo cruzado.
Planos ousados
A Executiva Estadual do PTdoB quer aproveitar as experiências das duas últimas eleições – 2010 e 2008 – para traçar uma meta nada modesta para o próximo pleito. O partido trabalha com a perspectiva de eleger 30 prefeitos e 200 vereadores em Minas Gerais. Os planos, no entanto, não consistem em vôo solo. A meta inclui a participação de outras siglas que, tradicionalmente, tem possibilitado a coligação. Em 2008, o partido traçou a conquista de quatro cadeiras na Câmara Municipal de Belo Horizonte, tendo alcançado o objetivo. Já no ano passado, os planos eram conquistar duas vagas na Assembleia Legislativa e uma na Câmara Federal. Dito e feito.
A vez dos pequenos
Com o aumento de cadeiras nas câmaras municipais a partir da próxima legislatura, os partidos menores, porém estruturados, tendem a ganhar cada vez mais espaço. Os grandes ainda vão levar a maior fatia das vagas de vereador. Mas, as legendas que até então nunca haviam alcançado representatividade em determinadas esferas do legislativo, agora têm a chance de ocupar espaço. Com mais vagas, o coeficiente eleitoral será menor, facilitando a eleição de quem antes batia na trave. Como as grandes legendas estão cheias de agentes políticos com mandato ou ex-vereadores, a tendência é uma migração para partidos menores, que dêem sustentação a uma disputa mais nivelada, porém com maior chance para os que fizerem uma campanha eficiente. Em 2012, é grande a possibilidade de haver mais partidos conquistando vagas na Câmara Municipal e menos cadeiras concentradas numa só legenda.
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