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15/02/2011 7:36

Nadando contra a corrente

O primeiro mês de trabalho do ano na Câmara Municipal de Uberlândia termina hoje e o grupo de vereadores autointitulado independente começa a demonstrar sinais de desunião. Ao que tudo indica, a base do governo Odelmo Leão (PP) conseguiu novamente o apoio do pedetista William Alvorada, após o deputado estadual Tenente Lúcio (PDT) dar um ultimato aos colegas de partido. Com o voto do vereador do PSB Zezinho Mendonça já conquistado, a maioria absoluta nas votações voltou a ser favas contadas para a situação.

Sem emendas

Na votação das emendas apresentadas para a revisão do Código de Saúde, a maioria fez o que quis com as matérias apresentadas pela oposição. As rejeições das emendas eram sucedidas de provocações do vereador Hélio Ferraz, o Baiano (PP). “Quero ver quem é da bancada, vou fazer o teste”, afirmou, antes de uma proposta de emenda do petista ser rejeitada por 13 votos a 5.

Na maioria

O vereador William Alvorada seguiu a maioria governista em praticamente todas as votações das emendas. “O William (Alvorada) está com a gente de novo”, afirmou Baiano, rindo. Questionado se o voto representava uma mudança de posição, o vereador do PDT riu e balançou a cabeça negativamente. Vendo a cena, um dos integrantes do grupo independente disse: restaram três vereadores no grupo.

FRASE

“O Baiano (Hélio Ferraz) liberou o Zezinho (Mendonça) para votar na emenda do Delfino (Rodrigues)?”, afirmou o vereador Márcio Nobre (PSDC), questionando ironicamente o voto favorável do vereador do PSB em emenda do petista

Ciúme de homem

O vereador Delfino Rodrigues (PT) disse que muitas das emendas derrubadas tinham pareceres favoráveis da Comissão de Legislação e Justiça. “Não parecia ser uma coisa da queda de braço político, era questão pessoal. Apresentei algumas emendas só para melhorar o texto e eles votam contra por quê? Acho que é ciumeira”, afirmou. A Emenda 29 — de autoria do vereador do PT e que tinha apelo popular e estava sendo acompanhada com atenção pela categoria dos açougueiros, porque previa a exigência de um técnico como responsável em vez de um profissional com curso superior — foi aprovada por unanimidade.

Leitura enfadonha

O Código de Saúde é composto por 358 artigos. Para ler todos, os vereadores da mesa diretora faziam revezamento. Além dos artigos, havia dezenas de emendas, e a leitura integral demorou cerca de quatro horas quase ininterruptas. De tão enfadonho, o cumprimento da regra da leitura de algo de interesse público gerava efeito contrário: desinteresse generalizado. Bastava uma olhada rápida por todo o plenário para perceber que ninguém no recinto estava prestando atenção à leitura, que também era transmitida pela televisão. Na TV, no entanto, o presidente da Casa, Vilmar Resende (PP), disse haver efeito contrário. “Recebia ligações toda hora de gente pedindo cópia de certos trechos da lei”, afirmou.

CURTAS

O símbolo da votação ontem do Código de Saúde foi a forma de produção de linguiças.

Os vereadores aprovaram a classificação dos estabelecimentos aptos a vender o embutido condimentado. O assunto, é claro, rendeu gozações.

 “Vai uma linguiça, aí?”, ofereceu o líder do Executivo, Wilson Pinheiro (PTC) a um colega. Ele participou de um programa de TV pondo a mão na linguiça, em pé de porco e carne seca, para defender a tradição do alimento apimentado artesanalmente. “Prefiro a mais grossa”, afirmou.

Comentários 1

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  1. Léo Teterello disse:15/02/11 12:05

    Entre o escárnio e a sacanagem…
    Essa é a Câmara Municipal de Uberlândia!

    Responder