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18/02/2011 6:00

Sem aperto

Se a votação do projeto de lei que reajusta o salário mínimo para R$ 545 era o primeiro teste da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados, ela passou, e sem aperto. Dos 512 deputados que tomaram posse em 1º de fevereiro, 370 votaram com o governo. Na verdade, o que ficou claro é que, assim como aconteceu durante boa parte do governo Lula, a oposição não tem moeda de troca para fazer grande pressão ao governo no momento de votações de propostas mais impactantes. O barulho que continua sendo feito pelos oposicionistas, em muitos casos, é só para reforçar a posição.

Municípios

As propostas de salário mínimo de R$ 560, defendida pelo DEM, e de R$ 600, assinada pelo PSDB, não ecoam nos municípios comandados por estes partidos, principalmente os pequenos. E o motivo é simples: muitos governantes teriam que gastar mais com o funcionalismo. Em época de responsabilidade fiscal, cada um sabe onde o sapato aperta.

Uberlândia

Em Uberlândia, não há servidores com remuneração fixada em um salário mínimo, mas o aumento para R$ 600 ultrapassaria o menor salário pago hoje pelo município, de R$ 548,34. A situação poderia colocar a administração numa ‘saia justa’. Um ajuste para corrigir o valor do salário poderia gerar brecha para os demais servidores reivindicarem um novo aumento.

Mapa partidário

Entre os 22 partidos que compõem o Legislativo federal, em 11 a maioria dos seus componentes foi pró-governo na votação do novo valor do salário mínimo. O PMDB é o maior partido mais fiel ao governo, com índice zero de traição. O PT teve 11% de infiéis. Na outra ponta estão os quatro partidos de oposição, com baixo índice de adesão às propostas governamentistas.

Batalha ganha

Depois de passar com folga pela Câmara, o projeto de lei que estabelece o valor do mínimo será votado no Senado no dia 23. O número de oposicionistas, 17 contra 59, já indica que não haverá dificuldades para aprovar os R$ 545. Sem contar que nem todos os nomes da oposição defenderão valores maiores. Aécio Neves (PSDB), por exemplo, é a favor do valor dos R$ 545.

Falando nisso…

Dos três deputados federais com domicílio eleitoral em Uberlândia, apenas um votou o projeto de lei que fixa o valor do salário mínimo para 2011. João Bittar (DEM) seguiu o partido e votou pelo valor de R$ 560, segundo mostra publicação do site Congresso em Foco. Membros de um dos partidos da base aliada do governo, aliás, o PT da presidente Dilma, Gilmar Machado e Weliton Prado não participaram da votação. Weliton está viajando, a convite da Marinha, para a Antártica, e Gilmar está na Espanha, representando o governo brasileiro, numa feira de ciência e tecnologia, segundo informou um assessor dele, em Uberlândia. Neste caso, deixar de fazer a lição de casa, não fez falta.

Erro no voto

O deputado Tiririca (PR-SP) votou pelo salário de R$ 560, contrariando seu partido. Ele teria se embananado com o terminal de votação. Mas admitiu que votou “com o povo”. “Quem me colocou aqui?”

Frase

“Já sabemos que aqui no Senado vai se votar o que se determinar pelo governo”
Afirmou Itamar Franco (PPS), senador da oposição, sobre a votação do reajuste do salário mínimo do Senado, marcada para a semana que vem.

Curtas

Os vereadores de Uberlândia vão se reunir em sessão extraordinária na terça-feira (22), às 9h. Eles votarão uma proposta do Executivo, que prevê o repasse de R$ 6,5 milhões para o Hospital e Maternidade Municipal. O recurso será destinado à compra de equipamentos.

O ex-deputado federal Romeu Queiroz (PSB) assumiu uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Amparado por uma liminar do TJ/MG, ele tomou posse na vaga de Julinho Araújo (PTB), que havia assumido o cargo como suplente.

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