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13/05/2011 6:00

Menos desgaste

Os vereadores de Uberlândia anteciparam em um ano o desgaste que teriam pela aprovação do aumento do número de vagas na Câmara na próxima legislatura. Como 2012 é ano eleitoral, a medida poderia criar um mal-estar perante o eleitorado. A fixação do número de vagas poderia ser feita até 60 dias antes das eleições. Mas, como no próximo ano os vereadores também terão que estabelecer os valores da remuneração e da verba indenizatória que prevalecerão na legislatura seguinte, a aprovação agora do aumento de vagas se tornou uma prudência necessária para quem pensa na reeleição.

Sem alarde

A votação do projeto de lei complementar que fixa em 27 o número de vereadores na Câmara a partir de 2013 seria concluída sem sobressaltos não fosse uma mudança de rumo da bancada do PT. A mesa diretora já havia tratado o assunto com a maior discrição possível. Recolheu assinaturas sem fazer alarde e nem sequer chegou a colocar o projeto na pauta do dia. Além disso, antecipou em um dia a votação, que estava prevista para acontecer hoje. Resultado: a maior parte da imprensa que cobre o Legislativo não acompanhou a votação apostando que o projeto entraria em discussão na última sessão do mês.

Teto de vidro

Momentos antes da votação, os três vereadores do PT – Delfino Rodrigues, Gilmar Prado e Neivaldo Lima – retiraram as assinaturas do projeto. Na semana passada, Gilmar e Neivaldo haviam assinado o projeto seguindo uma orientação de parte do partido. Delfino deu seu aval nesta semana. Ao recuar no momento da votação, a bancada do PT deu a interpretação de ter cometido seu maior equívoco em toda a legislatura. A bancada acreditava que o assunto só seria votado na sexta e, quando iria fazer a solicitação de retirada das assinaturas, a mesa colocou o projeto em apreciação. O assunto já era de uma fragilidade semelhante a um teto de vidro, e a ação dos vereadores petistas figurou como uma pedra jogada para o alto.

Críticas

Se a intenção do PT era ou não ganhar visibilidade, os demais vereadores que se mantiveram firmes em suas posições trataram de colocar a bancada petista no centro do palco. E não pouparam críticas. Wilson Pinheiro (PTC) chegou a chamar o PT de “partidinho”. Já Márcio Nobre (PSDC) falou em “demagogia” citando o aumento de 30% no número de ministérios no governo do PT. Nobre e outros vereadores ainda questionaram se o PT abriria mão das vagas que eventualmente o partido venha a conquistar em 2012 depois da 21ª cadeira.

Primeira versão

Até a semana passada, parte do diretório municipal era favorável ao aumento de 21 para 27 vagas na Câmara. Um documento assinado pelo vice-presidente do diretório, Ismael Costa, e divulgado na semana anterior, reforçava que o aumento de vereadores interessa aos setores populares à medida que “amplia significativamente as possibilidades de termos mais representantes populares na Câmara”.

Frase

“Sem sombra de dúvidas, quanto mais vereadores, melhor é, afinal dos poderes da República é o Legislativo o mais permeável à presença e à pressão popular, a Câmara Municipal é a expressão mais concreta disso.”

Ismael Costa, vice-presidente do PT em Uberlândia, em documento divulgado na semana passada abordando sobre o aumento de vagas na Câmara.

Segunda versão

Há uma semana, a falta de sintonia na bancada do PT foi levantada em reunião do diretório. Apenas Delfino Rodrigues não havia assinado o projeto que aumenta as vagas na Câmara, enquanto alguns membros do PT defendiam que “mais representatividade, mais democracia”. Nesta semana, o vereador recuou e, pressionado ou não, colocou sua rubrica no projeto. Ontem, ao justificar a retirada das assinaturas, o vereador Neivaldo Lima disse que a bancada seguia uma orientação da Executiva do PT, que havia se reunido no último sábado. Foi o suficiente para que o presidente da Câmara, Vilmar Resende (PP), lembrasse que o vereador Delfino havia assinado o projeto na terça-feira, três dias depois da reunião. Neivaldo argumentou que só foi informado da nova decisão ontem pela manhã. O teto, no entanto, já havia caído.

Comentários (3)

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  1. Xadem disse:13/05/11 11:10

    Se o não haverá aumento de repasse para a Câmara, ou seja, o percentual da arrecadação que vai para os cofres da Câmara será mantido, que mal há em aumentar o número de vagas?

    Bem, se o PT se considera tão santo, que, então, apresente um número de candidatos proprocional ao número antigo.

    Com mais vagas, pode ser que a qualidade dos vereadores aumente, ou, fique como está.

    Xadem

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  2. Léo Teterello disse:13/05/11 18:35

    Xadem, pior que tá num fica Tiririca?

    Será????…

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  3. Maria Aparecida de Carvalho Dias disse:19/07/11 16:26

    Se João Bittar fosse professor da rede pública e faltasse 14 vezes num semestre já seria exonerado. Que exemplo!
    Fantático é o trabalho da câmara de vereadores de UBDIA: aprovou 101 projetos do prefeito. Afinal, quem legisla? Também é o prefeito?

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