Confidencial

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20/09/2011 8:54

Vassouras

Manifestação da ONG Rio de Paz, ontem, nas areias de Copacabana, simbolizava cada um dos congressistas brasileiros com uma vassoura pintada nas cores verde e amarelo. Mais do que um protesto, o ato representou um apelo para que deputados e senadores ajudem a “varrer a corrupção do Brasil”. Longe das areias cariocas, algumas dessas 594 “vassouras” têm sido utilizadas da maneira adequada, com a escova impulsionada para baixo ajudando a retirar a sujeira doméstica. Outras, no entanto, têm servido de arma, com o cabo em riste prestes a espantar o eleitor ao primeiro sinal de alergia à poeira. Há ainda casos em que as vassouras são utilizadas como meio de transporte para bruxos.

Só na promessa

Ficha limpa, reforma política, faxina. Essas e outras expressões que levantam o discurso do “basta” de corrupção na política se tornaram bandeiras numa época em que quase tudo é permitido e quase ninguém é punido. O problema é que, de tanto se falar e nada de agir, correm o risco de cair em descrédito. A reforma política encabeça a fila. Há mais de 20 anos se defendem mudanças na forma de escolher os representantes eleitos pelo voto e nas regras da disputa eleitoral. Virou promessa de campanha.

Sujou, limpou

A ficha limpa é outro tema que caminhou a passos mais largos do que a perna pôde acompanhar. Resultado: tropeçou logo no primeiro obstáculo. Não valeu para as eleições de 2010 e não se sabe se valerá para 2012. A cada semana, a mídia noticia a posse de um candidato que, barrado por ser ficha suja, recorreu, teve os votos obtidos em 2010 validados e, por ter alcançado o quociente partidário, assegurou a vaga no Legislativo para o qual concorreu. De posse do mandato, pode fazer discurso de um ficha limpa.

Tapete

A faxina é a onda do momento. Já derrubou quatro ministros que tiveram alguma evidência de mau uso do dinheiro público e um quinto por ter a língua maior que a boca. A vassoura também provocou um limpa em escalões menores de ministérios e órgãos como o Dnit. Na esfera estadual, também derrubou, em menor número, secretários e diretores de autarquias. Mas a sujeira mais grossa ainda está debaixo do tapete.

Frase

“O eleitor também é um grande demagogo, porque é comum ele pedir vantagens e o candidato não o atender. É uma relação promíscua em alguns casos. Em eleição para vereador, por exemplo, é muito comum”

Nelson Jobim, ex-ministro, em debate, ontem, sobre reforma do código eleitoral, citando que o eleitor também tem responsabilidade nas brechas que favorecem a corrupção no atual sistema.

Comentários (3)

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  1. Gustavo disse:20/09/11 9:49

    Engraçado como esses cariocas são ativistas agora né. Quando a capital era no Rio, ninguem se mobilizava e a corrupção era pior do que é hoje. Carioca é o povo mais oportunista e hipocrita que tem nesse país.

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  2. renato disse:20/09/11 12:51

    Parabens, meu caro Jobim. Você expressou uma verdade inquestionável, em decorrência de que é fato comprovado o que vc está falando e escrevendo. A reforma eleitoral só vai acontecer, q2uando tivermos eleitores conscientes, o que acho muito difícil, pois acredito que cada um puxa fogo para sua sardinha e fica cada vez mais difícil ter alguém que vote por princípios ou outro fator preponderante

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  3. Leandro Grôppo disse:20/09/11 16:25

    Vassoura? Faxina?
    Chamem o Jânio de volta!

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