Público x privado
Os conflitos na Câmara Municipal durante esse momento pré-eleitoral chegou a tal ponto que as prioridades se invertem na hora de colocar projetos em votação. Enquanto alguns vereadores transformam determinados assuntos em bandeira, outros tentam desconstruir o bom- senso que a discussão de uma proposta deveria despertar em qualquer representante do povo. No meio do tiroteio político, um projeto de interesse da iniciativa privada teve prioridade sobre outro de interesse público.
O público
Projeto de lei do Executivo que autoriza a doação de parte da rua Pará à Universidade Federal de Uberlândia foi retirado da pauta ontem momentos antes da votação. A doação visa atender ao Hospital de Clínicas que pretende utilizar a área para a construção do novo pronto-socorro. A verba já foi disponibilizada pela União.
O privado
Um dia antes de retirar o projeto da rua Pará, a Câmara aprovou a venda de parte da rua Argentina para o Center Shopping, destinada à ampliação do complexo logístico. Detalhe: o projeto teve pedido de urgência e foi aprovado em duas discussões no mesmo dia, com realização de sessão extraordinária.
O momento
O que levou os vereadores a aprovar a venda de rua para a iniciativa privada e a recuar da intenção de destinar outra rua à União que seria utilizada para ampliar o atendimento à saúde? O momento político certamente contribuiu, mas não foi somente isso.
Entrave
Os vereadores da base aliada defenderam a venda para o Center Shopping sob o argumento de que se trata de um investimento que vai trazer milhares de empregos e oportunidades, bem como o fato de que a rua Argentina não despertaria o interesse de nenhuma outra empresa. Daí, o fato de o projeto não conter a possibilidade de venda por licitação. A oposição esperneou e, de última hora, foi colocada uma emenda que prevê a licitação. Mesmo assim, apenas a base aliada votou a favor.
Retirada
O projeto que autoriza a doação da rua Pará à UFU continha dispensa de licitação por se tratar de assunto de interesse público. Antes da votação, a oposição subiu em peso na tribuna para afirmar que votaria a favor. Mesmo assim, o líder do Executivo retirou o texto de pauta argumentando não acreditar na oposição e alegando falta de quórum para aprovação. Três vereadores da base não estavam no plenário no momento.
Tentativa frustrada
Ao perceber a retirada do projeto, o vereador Adriano Zago (PMDB) olha para o painel eletrônico e consta o registro de presença de vereadores fora do plenário. Então, pede chamada para verificar o quórum, mas a mesa diretora indefere o pedido. Dez minutos depois, outro projeto (menos polêmico) que estava na pauta é aprovado por 15 votos favoráveis, dentre eles, membros da oposição.
Última chance
O líder do Executivo, vereador Wilson Pinheiro (PTC), disse que o projeto de doação da rua Pará à UFU pode ser reapresentado hoje, na última sessão do mês. “Se tiver votos suficientes, vou colocar em votação”, disse o vereador, alegando que não confia na oposição. “Eles disseram que votariam a favor no projeto do Dmae (doação de área para a construção da nova sede) e na hora foram contra (na votação, a oposição se absteve). Não dá para acreditar neles.”
Medida cautelar
Ontem à tarde, o Ministério Público entrou com uma ação cautelar pedindo a suspensão do projeto aprovado anteontem na Câmara que autoriza a venda da rua Argentina para o Center Shopping. O MP foi acionado por uma representação protocolada pelos vereadores Adriano Zago e Delfino Rodrigues antes que o projeto fosse votado. A alegação era que o projeto original não constava obrigatoriedade de licitação e falta de interesse público justificado para a venda da rua.
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ana disse:18/11/11 10:15
DA PRA ACREDITAR?
VENDE UMA RUA PARA UM CHOPPING
E NÃO DOA UMA PARA CONSTRUÇÃO DE UM PRONTO SOCORRO.E ABUSAR DEMAIS DA INTELIGENCIA DO POVO.
MAIS O POVO MERECE.-
Xadem disse:18/11/11 16:35
Pior companheira, pior que merece… Ou não?
É correto o “Espero” aproveitar do “Ignorante”?
Grande Abraço!
Leandro Chagas Demetrio Xadem
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Xadem disse:22/11/11 13:49
* Espero = Esperto
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Severo Gomes disse:22/11/11 9:10
A câmara municipal de Uberlândia atende praticamente os interesses privados. Venderam o Juca Ribeiro, privatizaram o Aterro, a rodoviária e agora serão sócios num cemitério privado. Cadê a atuação firme do MP nesses caras.
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buto de raiva disse:18/11/11 11:38
A situação aprova rapidamente um pedaço de rua para instituuição privada, e enrola para liberar rua para ampliar pronto socorro. Meu DEUS, onde vamos parar? Eleitores, prestem atenção em quem vocês irão colocar na câmara no ano que vem. Aguentar mais 4 anos presidente da câmara incompetente, festeiro cachaceiro, tarja preta, paxtor do capeta, marionete e adicionaldos da vida, ninguem merece…
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Severo Gomes disse:22/11/11 9:07
A maioria dos vereadores locais atuam em favor do privado. Serão acionistas até de um cemitério. A oposição local enfrenta os desmandos desse presidente da câmara e pensar que temos um ano pela frente com essa gente. Vem logo, Gilmar Machado socorrer essa cidade.
Comentários (6)