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26/07/2012 7:37

PSB em pé de guerra

*Por Arthur Fernandes

Assim como ocorre em nível estadual, principalmente em Belo Horizonte, o PSB em Uberlândia também passa pela mesma crise de identidade provocada pelo apoio mútuo ao PT e ao PSDB em diferentes esferas de poder. Se na capital mineira, há uma corrente ligada ao prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e que está atrelada ao senador Aécio Neves (PSDB), a outra ala é “dilma-lulista” e tem como referência máxima o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (PSB), que é presidente da executiva estadual da legenda. Em Uberlândia, o pivô da discórdia é outro e tem nome e sobrenome: Liza Prado. A deputada estadual e presidente do diretório municipal do PSB queria porque queria ser candidata a prefeita de Uberlândia, mas “forças ocultas” dentro do partido e até de outros, notadamente o PT e o PDT, a impediram de realizar o desejo manifestado antes de o PSB declarar o apoio ao candidato do PT, deputado federal Gilmar Machado. Agora a disputa da vez é pela participação no programa eleitoral gratuito, que começará no dia 21 de agosto.

Reunião quente

Na terça-feira (24), a executiva do PSB realizou uma reunião com os candidatos a vereador pelo partido, que fez coligação com o PCdoB. Mesmo não sendo considerada bem-vinda pela maioria dos presentes, a presidente do diretório local chegou para presidir a reunião. Segundo o comentário de um integrante da legenda que participou do encontro, a reunião “pegou fogo” mesmo, quando foi colocada em pauta a participação da deputada estadual nos programas de rádio e TV para divulgação das candidaturas do PSB.

Tempo de TV

Os candidatos do PSB estariam irredutíveis com a possibilidade de a deputada e presidente do diretório municipal, que não é candidata, ter um espaço maior no programa do que os próprios concorrentes. Segundo os cálculos do partido, cada vereador teria entre 5 e 6 segundos para se apresentar a cada programa. Já a deputada Liz Prado teria 15 segundos para aparecer na vinheta de abertura dos programas do partido. O vídeo já teria até sido gravado com a deputada falando o texto de praxe: “começa agora o programa do PSB…”. Ela argumenta que no programa do PCdoB, que fez coligação com o PSB, a deputada federal Jô Moraes terá o mesmo papel.

Liderança em jogo

Liza Prado disse ontem à coluna que não houve esse descontentamento generalizado dos candidatos e que a participação dela no programa do PSB já está definida, mesmo a contragosto de alguns colegas de partido. “Na última eleição, eu tive 33 mil votos. Você acha que eu não consigo puxar votos para a legenda? Qual partido não quer uma liderança que puxa votos?”, afirmou. Na reunião, ela também teria dito que não vai pedir voto para o candidato Gilmar Machado.

Coordenação materna

Enquanto vive às turras com os colegas de partido em Uberlândia, a deputada trabalha em outra frente, lá em Contagem. Um dos filhos de Liza Prado é candidato pela segunda vez a vereador pelo PCdoB na cidade na região metropolitana de Belo Horizonte. O detalhe é que ao contrário de Uberlândia, em Contagem PCdoB e PSB estão em lados opostos na eleição proporcional e majoritária. O PCdoB tem um candidato a prefeito e o PSB apoia outro do PT. Ela contou que o filho Paulo Prado é natural de Contagem e nasceu quando ela morava lá. “Estou participando intensamente da campanha dele. A direção estadual do partido já me liberou para fazer a campanha do meu filho”, afirmou.

Material de campanha

Na reunião do PSB na terça-feira, candidatos também teriam demonstrado ansiedade pela liberação de material de campanha prometido pela coordenação da campanha a prefeito de Gilmar Machado. Segundo a direção do partido, o compromisso é que o material seja fornecido pela coordenação petista até o fim desta semana.

PSD com Patrus

A Executiva Nacional do PSD manteve, ontem, a decisão sobre a intervenção no diretório de Belo Horizonte, que forçou o partido a apoiar a candidatura de Patrus Ananias (PT) a prefeito, em detrimento ao apoio à reeleição de Márcio Lacerda (PSB). A decisão foi aprovada por 14 a 1, em reunião em Brasília. O voto vencido foi dado pela senadora Kátia Abreu (TO), que ameaçou trocar de partido e ir para o PMDB.

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