Confidencial

Análise dos fatos políticos mais relevantes da cidade e região.

Confidencial A coluna Confidencial é publicada de terça-feira a sábado.

19 de junho de 2013 8:32

Pão e circo é pouco

*Por Cezar Honório Teixeira

Em plena Copa das Confederações, quem diria, não se fala em outra coisa senão nas manifestações populares que se espalham pelas principais cidades brasileiras. Onde está o país que só pensa em futebol e não se indigna com nada? Vivemos um novo Brasil. Também não é para tanto. Ao menos não ainda. O mais interessante nesse movimento popular é que, na prática, nenhuma teoria se aplica à dinâmica do movimento. Quando começaram as manifestações nas proximidades dos estádios, alguns diziam que, se o Brasil perdesse o torneio, o clima ficaria tenso. O Brasil goleou o Japão, mas nem por isso os protestos arrefeceram. Pelo simples fato de que a indignação popular não se resume a quanto foi gasto nos estádios da Copa ou mesmo no custo da tarifa do transporte público. É tudo isto e muito mais.

Cadê o fim?

Provavelmente por ser jornalista, pessoas têm me perguntado, algumas com cara de assustadas, no que dará esse movimento popular. Transcrevo aqui a minha resposta: não tenho a menor ideia. Justamente por não saber, repeti a pergunta ao jovem estudante Max Ziller, coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFU), membro do movimento em Uberlândia. Sabe o que ele disse? Que também não tem a menor ideia. A íntegra da resposta do Max e a análise das manifestações feitas pelos professores João Batista Domingues Filho (cientista político) e Sebastião Vianey (professor de Antropologia) estão no CORREIO TV Debate que será exibido nesta sexta-feira, às 11h, com reprise no domingo, às 21h, no Canal da Gente (canal 15 da TV a cabo CTBC).

Futuro incerto

O fato é que quem imaginava que Dilma Rousseff (PT) teria vida ainda mais fácil para se reeleger em ano de Copa do Mundo já começa a pensar diferente. Imaginou se os protestos se fortalecerem justamente durante a Copa, período coincidente ao início da disputa eleitoral? Por outro lado, não há sinais de que a oposição sairá lucrando com o movimento popular que está em plena ebulição. Aliás, uma das características do movimento, até o momento, é a aversão à política partidária. Não me lembro de manifestações de rua nos últimos 30 anos sem as tradicionais bandeiras partidárias, principalmente aquelas características de legendas e organizações de esquerda. Uma prova de que o fenômeno atual é bem diferente das Diretas Já ou mesmo do que resultou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Juntos para sempre

No movimento popular em curso, há um proposital descolamento das ideologias partidárias. Provavelmente reflexo da ascensão do PT ao poder cujo discurso sofreu mudanças radicais e, por consequência, uma inevitável aproximação da ideologia de centro-esquerda. Leia-se social democracia tucana. Ou seja, os partidos, faz algum tempo, estão muito parecidos. Para não dizer idênticos. Tanto que, em São Paulo, o governador do PSDB, Geraldo Alckmin, e o prefeito petista, Fernando Haddad, se uniram no discurso contra a redução nas tarifas do transporte público. Em uma só voz, bradaram: “não voltaremos atrás no preço da passagem”. Já começam a sinalizar o contrário.

Eleitores órfãos

Como o discurso radical de partidos como PSTU e PSOL não evoluiu um milímetro sequer, este povão que ganha as ruas deixa claro que não se sente representado por nenhuma legenda partidária. Resultado: os políticos, de maneira geral, estão completamente perdidos. A única coisa de que têm certeza é que estão completamente desconectados dos anseios da maioria da população. Por consequência, a maioria assiste a tudo a distância com medo de virar alvo dos manifestantes. Nem aquela turminha oportunista que existe em todos os partidos se aventura a pegar carona nas manifestações.

Brasil mais forte

O fato é que vivemos um momento ímpar na histórica política brasileira com potencial para um desfecho positivo. Ou seja, com capacidade de tornar o Brasil melhor. A presidente Dilma Rousseff se apressou em se posicionar depois de ver a grandeza das manifestações de segunda-feira (17). Disse que o país amanheceu mais forte. Resta saber para que lado essa força atuará nas eleições gerais do ano que vem.

18 de junho de 2013 8:25

Fatos e versões

*Por Cezar Honório Teixeira

As vaias para a presidente Dilma Rousseff foram o assunto mais comentado da Copa das Confederações até o momento. Para alguns veículos de comunicação, diante da manifestação, a goleada do Brasil por 3 a 0 diante do Japão virou assunto secundário. Para a oposição, as vaias foram uma prova de que a população está insatisfeita com o atual governo e não aguenta mais tanta corrupção e descaso com o dinheiro público. Para a turma da situação, o úúúúúúú que tomou conta do Estádio Mané Garrincha não passou de um protesto de uma elite que não tem a humildade de admitir os avanços sociais alcançados nos últimos anos. Por essa teoria, o povo não estava representado nas arquibancadas pelo simples fato de o ingresso mais barato ter custado R$ 280. Houve ainda os que trataram de juntar as vaias aos protestos de rua contra o preço do transporte público como mais um indicativo de que o Brasil está prestes a passar por uma revolução popular.

Política e futebol

Aproveitando o tema do momento, simplifico os motivos pelos quais ecoou uma sonora vaia sábado passado durante o jogo do Brasil. Para este modesto colunista, aquele mundaréu de gente estava ali para ver uma partida de futebol, pagaram caro por isto. Desta forma, qualquer político que por ali se aventurasse estaria fadado a pagar o mico. Politizar as vaias no Mané Garrincha mostra que os ânimos eleitorais estão à flor da pele, nada mais. E olha que estamos a mais de um ano das eleições presidenciais. Antes fosse um protesto popular pautado na insatisfação com a qualidade da educação e nos altos custos dos estádios. Que ótimo seria se fosse uma vaia para a falta de investimento na saúde pública. Nada disso. Quem estava ali dava o seu aval ao projeto Copa 2014. Tanto, que pagou, no mínimo, R$ 280 por um ingresso.

Movimento popular

Descontada a vaia para a presidente Dilma Rousseff como uma contingência destinada a qualquer político que se aventura em estádios de futebol, cabe sim reflexão quanto aos protestos que se espalham pelo Brasil a pretexto de tentar reduzir o preço do transporte público. Este sim, um fenômeno novo na história recente do Brasil. Tirando os “caras pintadas” que foram às ruas exigir o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, há muito não se via manifestações de caráter popular. O fato de não estar atrelado a partidos políticos dominantes (alguns líderes de partidos radicais até pegam carona) dá ao movimento certo ineditismo. O que resultará deste movimento ainda é uma incógnita. O fato é que de petistas a tucanos, a politicada profissional está um tanto sem rumo nesse cenário. Tanto que se uniram em São Paulo para malhar a “baderna” estudantil.

Nossa vez

Em Uberlândia, está marcado para quinta-feira (20) um protesto contra o preço da passagem de ônibus. É a tentativa de colocar a cidade no mapa nacional dos protestos contra a tarifa do transporte público. Como agora o PT é situação no município, há certa expectativa para saber como os aliados dos deputados Welinton Prado e Elizmar Prado vão se comportar. Irão contra a administração da qual fazem parte e farão vista grossa para o movimento? Ou jogarão nas duas pontas? Cito nominalmente os irmãos Prado, porque, no passado, eles eram os principais articuladores desse tipo de movimento.

Dentro de casa

O processo seletivo simplificado da FundaSUS destinado a contratar servidores para UAIs e PSFs hoje administrados pela Fundação Maçônica não terá custos extras ao município. Esta é a informação de momento da assessoria de comunicação da Prefeitura de Uberlândia. Como se trata de um processo simplificado, a intenção é realizar o exame usando a estrutura interna da prefeitura. O formato, no entanto, ainda depende da finalização do processo de transição, que deve ocorrer nesta semana.

Curtas

Em período de recesso parlamentar na Câmara de Uberlândia, as atenções se voltarão ainda mais para o processo de transição na saúde municipal. Isto se os vereadores não forem convocados para sessões extraordinárias.

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O titular deste espaço, Arthur Fernandes, entrou em férias e, nos próximos cerca de 30 dias, o caro leitor terá que me aturar nestas linhas. Como não sou tão bem informado quanto o colunista efetivo, apelo para a colaboração alheia. Portanto, contem-me tudo.

15 de junho de 2013 10:07

As bolas do Rei

Uberlândia recebe hoje o show do Rei Roberto Carlos na Arena Multiuso do Sabiazinho. Ontem ainda havia poucos ingressos disponíveis pelo site oficial e a entrada mais barata custava R$ 320 e a mais cara, R$ 440. Por outro lado, a Fundação Uberlandense de Turismo, Esporte e Lazer (Futel) cedeu gratuitamente o ginásio para o espetáculo do cantor com valores dos ingressos neste patamar altamente restritivo para a população apreciar as canções do Rei. Procurado pela coluna para explicar a incongruência entre o alto valor do ingresso e a cessão gratuita do espaço para o show, o diretor da Futel, Zezinho Mendonça (PSB), argumentou que os organizadores deram algumas contrapartidas. Entre elas, estão a doação de 206 bolas para programas de esporte da Futel. “A lei permite que se faça essa cessão gratuita para promover a cultura. A propaganda institucional da prefeitura e da Futel também foi inserida no material de divulgação do show”, afirmou o diretor da Futel. Para efeito de comparação, cada ingresso mais barato, ou melhor, menos caro para o show do Rei daria para comprar quatro bolas oficiais da Copa das Confederações, e ainda sobraria troco de R$ 40.
Troca sertaneja
A Câmara aprovou ontem projeto de lei do Executivo que prevê a troca de duas áreas na periferia que pertencem ao cantor Bruno, o qual, em contrapartida, vai receber uma área altamente valorizada na avenida Nicomedes Alves dos Santos, no bairro Morada da Colina. O cantor sertanejo, que fez propaganda na campanha do candidato adversário do atual prefeito, vai pagar também cerca de R$ 3,7 milhões pela área na zona sul. Para vereadores da oposição, no entanto, o m² na área cedida ao cantor sertanejo valeria pelo menos o dobro dos cerca de R$ 600 contidos na avaliação do imóvel para embasar a troca de terrenos.

Vira-casaca
Veja a quantas anda a movimentada inserção de indicados na Prefeitura de Uberlândia. Durante a legislatura em que estiveram juntos na Câmara, o atual secretário de Habitação, Delfino Rodrigues (PT), e o ex-vereador Hélio Ferraz, o Baiano (PP), sempre viveram às turras. Agora, o petista teve que aceitar como assessor na sua secretaria um ex-assessor do ex-vereador com quem mantinha a relação de constante beligerância. Técnico de times de futebol amador da cidade, Celisvaldo Silva, o Pesão, foi nomeado coordenador de regularização fundiária na Secretaria de Habitação. Perguntado sobre o novo ocupante de cargo de confiança na Habitação, oriundo do gabinete do antigo desafeto na Câmara, Delfino encarou com bom-humor a virada na casaca do seu mais novo coordenador. “Veja como são as coisas nessa vida…”, afirmou o secretário.

FRASE
“Estamos diante de uma grande negociata sertaneja”
Vereador Felipe Attiê (PSDB)
Questionando na tribuna da Câmara a permuta da Prefeitura de Uberlândia com o cantor sertanejo Bruno

Requerimento negado
A vontade da maioria em um parlamento, que é uma das expressões máximas da democracia, às vezes, pode servir como pretexto para coibir expressões democráticas. É o que aconteceu ontem na sessão da Câmara. Depois de verem o pessoal da Caixa Econômica Federal utilizar o espaço da tribuna para explicar o novo projeto de aquisição de móveis dentro do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, vereadores da oposição apresentaram requisição para também utilizar o plenário na próxima terça-feira. Em meio ao conturbado processo de demissão de mais de 2,6 mil funcionários da Fundação Maçônica Manoel dos Santos, os vereadores queriam levar representantes de trabalhadores que são contrários à forma de transição para a fundação pública de direito privado criada para substituir a Fundação Maçônica. Os vereadores da base de governo, no entanto, negaram o direito de cessão do plenário na próxima terça-feira para haver essa discussão. Normalmente, esse tipo de pedido de uso do plenário é vetado de forma simbólica. Mas, como o assunto é delicado, a proposta foi colocada em votação e derrubada com a ajuda dos votos da base governista.

Momento inadequado
Entre os mais de 2,6 mil funcionários que estão sendo demitidos, 500 são médicos. O vereador Mario Milken, que também é médico, votou contra o requerimento que autorizaria os insatisfeitos a se manifestarem, inclusive aqueles da sua própria categoria. Perguntado sobre essa contraditorieadade, o vereador pedetista argumentou que esse não seria o “momento adequado” para haver uma discussão assim na Câmara. Outra representante do segmento da área de saúde na Câmara, a vereadora Gláucia Galante (PDT) também votou contra o requerimento, alegando motivo parecido ao colega de partido e de ramo de atuação.