Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

6/02/2011 6:00

O fedor da retranca borrada

Engenheiro Agrônomo aposentado

Há mil nomes para os dejetos dos animais. No meu forte entender, devemos ficar com o cocô. Até a rainha da Inglaterra só não o usa porque fala inglês. Mas, como é gente fina, deve usar baby shit. Na verdade, o que vale, em termos de rejeito intestinal, não é seu nome, mas tanto que fede.

O cocô mais fedido que conheço é do gato. Ele é um rapaz legal: não deixa de enterrar sua fétida obrinha, sempre que o ambiente permite. Mas o campeão disparado é o bicho-preguiça. Para fazer tal serviço, desce da imbauba onde mora e se alimenta, apenas uma vez por semana.

Começou agora uma campanha para sempre fazermos xixi durante o banho. É para economizar água. Bom mesmo seria toda a gente fazer xixi no terreiro, o meu grande prazer quando morava na roça. Aqui na cidade, somente quem tem jardim ou quintal pode gozar daquele prazer.

Quanto ao cocô, no intento de economizar água, o jeito é enterrá-lo no quintal, como eu fazia, de modo planejado, com a biomassa do nosso pastor alemão. Além da economia de água há a vantagem de se fertilizar o solo. Quanto ao cocô dos quadrúpedes que motorizam os veículos de tração animal, a prefeitura deve construir calçadões no centro da cidade e permitir que eles sejam usados apenas por gente, charretes e carroças. Não haverá atropelamentos nem poluição do ar.

Mais jeitoso ainda é obrigar que os animais usem apenas rações perfumadas. Ai, Uberlândia, que já foi Cidade Jardim, Paris de Minas e Cidade Luxo, passará a ser Cidade Perfumada. À noite, a moçada voltará a fazer o footing para se deliciar com o agradável aroma de cocô dos animais. Porque, repito, o que faz a diferença entre os cocôs é o fedor. Aliás, o que mais está fedendo neste país não é o cocô do gato nem o do bicho-preguiça.

É o escandaloso aumento do ganho mensal de toda a cambada da cúpula governamental feito na surdina. Aquele fedor chegou a todos os recantos do Brasil, logo depois que obraram na retranca. Esta é uma correia larga que fica na popa do animal e serve para evitar que, nas descidas, a cangalha se desloque para a frente. É auxiliar do rabicho. Sujar a retranca significa causar grande decepção. Mesmo assim, senhores do Parlamento, nóis vai continuá votano noceis. Nóis é bobo…

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