Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

27/02/2011 6:00

Antes dos tempos modernos (87)

Engenheiro Agrônomo aposentado

A comodidade mais bacana que apenas poucos hotéis ofereciam a seus hóspedes era simples, mas de grande utilidade. Aliás, eram duas utilidades numa só peça. É o lavatório. Ele funciona como lavatório das mãos e do rosto e como mictório. É, pois, um lavaxixitório. Que bondade tê-lo no momento de se deitar e durante a noite. Evita a incômoda viagem ao banheiro.

O meu esquartório número 307 do Hotel Colombo me oferecia aquela coisa ajeitada. Daí eu ter que ir ao banheiro somente tomar banho e fazer coisa mais grossa do que aquela aguinha carregada de ureia a qual as mulheres chamam de xixi e os homens de mijo, e nos hospitais recebe o nome, quase científico, de urina.

O lavaxixitório do meu esquartório concorreu de modo decisivo para eu arranjar o maior e prestativo amigo que tive aqui. De repente, o meu quarto começou a tinir de tanta limpeza. A torneira do meu lavaxixitório passou a brilhar. Descobri que aquela limpeza toda era obra de um baixinho dinâmico pra setenta. Pouco tempo depois, aquele “caboquinho” sumiu. Quando reapareceu me informou que esteve trabalhando na fazenda de um fulano. Saiu de lá porque não gostou dos modos daquele sujeito que nem usava cueca.

Eu já estava montado na Ford F1 da Sotreq. E rodava muito. Um dia, ele se mostrou interessado em me fazer companhia em minhas viagens. Entendi-me com a diretoria da Sotreq. E o Lourival França me caiu do céu.

Eu sabia que ele era filho do Tiquino, um fazendeiro deste município. A mãe dele era empregada da fazenda do Tiquino, um descendente de italianos. Pela cor do Lourival, a mãe dele só poderia ser uma negra. Foi dela, certamente, que ele arranjou o sobrenome França. E foi daquela mistura de raças que o Lourival herdou tanta vivacidade e inteligência, resultantes do vigor híbrido.

O nome do fazendeiro Tiquino era José Pedro Camin, pai também do meu amigo José Pedro Camin Filho, engenheiro-agrônomo, especialista em Topografia, e fazendeiro.

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