O colossal Ninho do Periquito
Curti para valer minha juventude no meio da passarada, à sombra de árvores frutíferas. Jamais me canso de dizer o quanto admiro o melhor cantor que conheço o gaturamo. Ali também viviam outros extraordinários cantores. Sempre gostei daqueles avoantes. Tinha inveja deles. Por amar tanto o imitador de todos os canoros, o gaturamo, tentei tê-lo perto de mim, numa gaiola. Como ele adora mamão, assim eu o alimentava. Para quê? O mamão que lhe entrava pelo bico saia embaixo em estado pastoso muito fedorento. Além disso, não cantava na prisão.
Eu gostava até dos bobocas anus pretos e brancos. E também do casal João de Barro. Este sabia que viver à toa é um inferno. Por isso, edificava sempre uma nova casa para a próxima ninhada. Não é como nós que construímos uma casa para nela morarmos até por toda a vida. O João de Barro jamais precisou de financiamento. Seu arquiteto não dá bola para o CREA. Ele é o Instinto. O casal de Barro é legal à beça. Doa as casas anteriores aos periquitos, aqueles verdinhos tão bonitinhos.
No domingo, 30 de janeiro de 2011, dei uma olhadela, sem apear do carro, no Ninho do Periquito “Ueque”. Havia homens e máquinas quebrando o pau nos serviços. Notei que grandes rolos de grama estavam sendo estendidos, e irrigados, sobre uma área do tamanho do campo de futebol do Parque do Sabiá.
Senti que aquele ninho vai ser um colosso, em tudo por tudo. Parabéns aos dirigentes do UEC. O Ninho do Periquito vai ser grande e comportará, comodamente, com todo o conforto, um Periquito do tamanho de um bonde.
Resta ao UEC, com o patrocínio dos ricaços daqui, abrigar naquele estupendo Ninho, um destemido e vencedor Periquito à altura da pujança desta cidade.
Quando o Ninho do Periquito estiver pronto, este engenheiro de obras feitas vai verificar se ele ficou tão bonito e confortável quanto o ninho do beija-flor.
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