O Soco Só (1)
Na beira do rio havia árvores cujas copas eram totalmente brancas. É que ali estava pousada uma montoeira de garças. Noutra árvore havia um ninhal de socós. E, no chão, conforme contara o professor Diogo, havia mais de duzentos jacarés por metro quadrado, uma coisa pavorosa! Um socozinho se meteu a voar antes de estar devidamente treinado, e caiu no chão. A sua mãe dele ficou apavorada e desceu a fim de evitar que o seu filho dela virasse chiclete de jacaré. Foi uma tragédia: a mamãe socó também virou chiclete de jacaré, com pena e tudo. O socó marido dela ficou viúvo. Ficou muito triste. Ele agora é um socó só. Matutava demais: “O que vou fazer da minha vida sem ela? Como é triste a vida de um socó só”.
Houve um andaço de coceira baiana. A socozona desesperada, não atinava com o modo coçar tanta cafubira. O socó viúvo vivia aporrinhado com o fato de não ter o que fazer. Então se ofereceu para ajudar aos amigos socós a se coçarem. O andaço aumentou. Porém, muitos socós preguiçosos não queriam coçar ninguém, a não ser as suas próprias coceiras. Somente o socó viúvo continuou a coçar toda a socozona.
O nosso socó viúvo foi indo até que se chateou com aquilo e disse: “Cê besta, é muito socó prum socó só coçar!”
Então começou a andar avuando pelo mundo Brasil. Encontrou uma lagoa muito ajeitada socada no meio de uma mata. Moravam nela patos-do-mato, frangos-d´água, piaçocas e saracuras. Não viu nenhum jacaré. Infelizmente, pouco tempo depois, os homens derrubaram a mata. A lagoa secou. Por isso, o nosso socó viúvo partiu para novas avuanças.
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