Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

19/02/2012 6:15

Minhas encruzilhadas (2)

Engenheiro Agrônomo aposentado

Morando na roça, não havia como ter assunto para participar do papo dos colegas. Não frequentava os cinemas, dai não acompanhar os seriados. Eles comentavam os filmes, falavam de “aquela cena”. E eu boiava: não sabia o que era cena. Mas fui em frente, navegando e temperando. Fiz amigos até entre os professores. Dentre eles destaco o Deusdedit Baptista, um advogado negro, inteligente e de palavra fácil. Foi, durante muitos anos, o apresentador de todos os eventos sociais e culturais de Cachoeiro.

Aquele povo de alma quente, muito dado e camarada, sempre foi como eu: jamais teve preconceito. Aliás, sempre detestei apenas o “CC”. Tive amigos do peito no Colégio. Era convidado a pegar a boia em casas de alguns. Tais mamatas aconteciam principalmente a convite do Elias Antônio e do Gilton Pinto de Moraes.

O Elias era mais conhecido por Lesitó. Ficamos amigos para sempre. Estudou Medicina na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Eu e minha família, já morando em Uberlândia, não deixávamos de visitá-lo em Cachoeiro ou Marataíses. Foi ele quem, em Marataíses receitou-me aminofilina, com a qual fiquei livre de uma antiga bronquite.

O meu maior amigo foi o Gilton Pinto de Moraes. Frequentei muito a sua casa, quase sempre para almoçar. Seu pai era uma dentista muito austero. Sua esposa era a dona Elvina. Seus filhos eram Gilton, Darcília, Dilo e Francisco José, que ainda era menino.

O Gilton foi meu colega no ginasial durante apenas quatro anos, posto que foi terminar aquele curso no famoso Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Foi muito popular e querido no ginásio de Cachoeiro. Por isso, quando fui comemorar os 45 anos de “formatura”, a turma toda perguntava pelo Gibu, apelido que jamais usei.

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