Minhas encruzilhadas (3)
Quando terminei o curso ginasial, em dezembro de 1935, fiquei apavorado: “Como fazer para continuar estudando?” Medicina e Direito, só no Rio de Janeiro. Meu pai não poderia enfrentar tamanha despesa. Senti-me no mato sem cachorro. Por uma baita sorte, “dessas que descem do além”, estando a bestar na cidade, encontrei-me com o Gilton na praça Doutor Tinoco, perto da estação da Leopoldina. Logo no início do nosso papo, ele notou minha preocupação relativa ao tal “E agora?” E me disse:” Eu vou para Viçosa. Vai prá lá também. Como filho de agricultor, a Secretaria da Agricultura poderá pagar os seus estudos lá”.
Fui com ele pelo melhor caminho existente naquela segunda encruzilhada da existência deste mocorango da Ortiga. A professora Maria Flávia, que me mostrou o primeiro bom caminho do meu destino, era noiva do Coutinho. Espero que tenha sido feliz em toda a vida. Lastimo o fato de nunca mais ter tido notícias dela. Muitos anos depois, soube que estava muito velha e morava no Rio de Janeiro.
Com o Gilton foi diferente. Mostrou-me o melhor caminho e por ele seguimos praticamente juntos.
Após breve cursinho, passamos no vestibular. Um grande feito: dos 84 candidatos, foram aprovados 14, dentre os quais estávamos. E, em 15 de dezembro de 1942, recebemos nossos canudos de pergaminho de engenheiros agrônomos. Em 3 de janeiro de 1943, comecei a trabalhar na Secretaria da Agricultura do Espírito Santo, lotado na Escola Prática de Agricultura (EPA), em São João de Petrópolis, mais conhecida por Barracão, no município de Santa Teresa. O Gilton se envolveu com os americanos em esforço de guerra, na Amazônia. Em seguida, ocupou o cargo de Chefe do Departamento Agropecuário do Território Federal do Guaporé, atual Estado de Rondônia.
Como fiquei enfarado com o amargo não fazer nada no Ministério da Agricultura, em Goiânia, aceitei o convite do Gilton e voei para Porto Velho.
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