Antes dos tempos modernos (94)
Saí do Hotel Colombo por causa do meu casamento, logo depois que deixaram a sua direção os meus amigos Paschoalin e Sebastião. No lugar deles assumiram a direção do hotel a família Sulzbeck. A Clara e seu namorado Floriano foram as pessoas que mais vi no primeiro andar do Colombo, onde ficavam também a copa e o refeitório. Porém, jamais tive oportunidade de conversar com eles. Já o Nicolau, só tive a satisfação de conhecê-lo quando já era o dono do Neon Uberlândia. É hoje o mais notável violinista desta cidade.
Fiz muitos amigos no Hotel Colombo. Tempo bom! Quanta Saudade! O hotel era família e meus melhores amigos eram os empregados. Foi daí que me pintaram mulheres no quarto, o que evidencia o inestimável valor da amizade.
Estou me despedindo do Hotel Colombo com este número 93 da série “Antes dos tempos modernos”. Vou contar, de novo, três coisinhas que vi e ouvi naquele hotel. De novo, porque sei que os leitores têm memória curta. Posso me gabar que não há como eu ficar sem assunto: bastaria remodelar certos escritos que já foram publicados em meus livros.
Certa vez, ouvi um bancário, procedente do Rio de Janeiro, a espinafrar sua mulher, aos barros: “Fica sabendo que você não está mais no Rio de Janeiro, onde dava o rabo pra todo mundo!” Caraca! E eu que não sabia que mulher tinha rabo!
Numa tarde, quando abri a porta do quarto, ouvi um sujeito a cantar no banheiro. Um gaiato uivou. E o cantor reagiu: “Qual foi o fedaputa que uivou ai? Vem cá, se for homem. Quero quebrar a sua cara”. Eu também uivei. E desci para me encontrar com a turminha do aperitivo no Bar Colombo.
Naquela noite, pouco antes das 10 horas, tive a ventura de ver a coisinha mais linda deste planeta. Eu zanzava na porta do hotel quando a goianinha surgiu ali, após atravessar a Afonso Pena. Como sempre, a bandidinha ignorou minha presença. Pegou a chave de seu apartamento com o Ataúba. Este a levou, pelo elevador, para o 3º andar. Quando o Ataúba voltou, disse-me: “Vamos subir para vermos aquela coisinha pelada”. O Ataúba foi o primeiro a olhar pelo buraco da fechadura. Quando foi a minha vez, vi a coisinha só de calcinha a andar pelo quarto. Passou rente à porta em que eu estava. Ela estava ao alcance das minhas mãos. Foi um tremendo Suplício de Tântalo. Foi ao banheiro. Na volta ajoelhou-se ao lado da cama e se benzeu. Aí eu saí dali como o diabo foge da cruz.
Desci com a Ataúla. Atravessei a praça da República (Tubal Vilela), cheguei à rua Santos Dumont a fim de dar uma dormidinha com a Pierrô.
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