Minhas coleções
Quando eu já entendia certas coisas, o me padrinho Frederico me mostrava uma moeda de prata e fazia o truque de ela desaparecer. Que eu a procurasse, a fim de ganhá-la. Era fácil achá-la, pois estava sempre dentro de uma das mangas do paletó dele. Com aquela brincadeira, passei a dono de uma apreciável coleção daquelas moedas.
Fiz também uma coleção de búzios, quando tivemos que ficar na praia de Marataíses durante quatro meses. Como curti aquela praia! Tinha apenas duas obrigações: buscar lenha no mato e água numa nascente perto do morro. Fiquei perito em achar búzios, quando a maré estava baixa. Fiz uma bela coleção dele.
Meus colegas do ginasial faziam coleções de figurinhas. Nunca entrei naquela: morava na roça e tinha muito cuidado com a grana que meu pai ganhava com muito sacrifício.
Minhas coleções de moedas e de búzios sumiram depois que meti a cara no mundo. Nunca mais tive oportunidade de fazer coleções. Tentei fazer uma prazerosa, porém, impossível. Lembrei-me dela porque aconteceu um troço chato com as mulheres que implantaram silicone nos seios. Convivi com peitos desde o momento em que dei com a cara na luz de uma lamparina.
Sempre gostei decotes generosos, desde antigamente. Agora, as boas, siliconadas ou não, fazem questão de exibir totalmente seus encantos mamários. Aliás, ocultam somente os mamilos. Há, portanto, a dispensa total dos sutiãs tradicionais. A sustentação do peito fica a cargo do silicone. O sutiã já pode ser a estrela do PT, do Botafogo ou a miniatura de qualquer escudo. As ricaças usarão modelos caríssimos de outro ou de prata com pedras preciosas.
Quando eu namorava moças, todas virgens, vivia doido para ver-lhes os seios, acariciá-los e amassá-los. Agora, com os avarias do silicone, é mais prudente bulir só com os mamilos.
Ataquei várias namoradas na tentativa de fazer uma coleção de biquinhos de peitos. Fracassei: não dei conta de desatarraxar nenhum deles. Mas como foi bom! O importante é que elas gostavam ainda mais do que eu. Como suspiravam!
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