Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

27/05/2012 7:45

Um chute na alma

Engenheiro Agrônomo aposentado

Tenho uma raiva danada de quem deu um chute no traseiro do doutor Cargo, a quem eu pertencia. Aquele ódio só não é maior do que o que tenho do governo. Porque é ele quem manda na Caixa Econômica Federal e no INSS. Então, meu ódio tem mesmo que ser concentrado no Governo: aquelas instituições governamentais devem a mim e a milhares de bobocas do povo, uma montanha de cascalho. A justiça já disse que temos direito de botar a mão naquela grana. Temos, mas o governo, além de caloteiro, empurra com a barriga acertos de contas como aquelas.

Não tenho nenhuma peninha do governo quando fica sabendo que o INSS está deficitário até no último furo. É claro que não pode sobrar dinheiro para o INSS diante das bondades do ex-presidente, das fraudes e imoral remuneração dos felizardos do alto escalão do governo. O nosso grande azar é o PT pretender perpetuar-se no Poder. Até a Dilma que começou uma animadora faxina no Brasil, criou ministérios inúteis. Estes, na realidade, não passam de moedas para a compra de votos. Aonde vamos parar? Sei que tenho apenas o direito de exercer a cidadania de espernear em vão.

É grande também a raiva que tenho de quem meteu o pé no traseiro do doutor Cargo quando a ele eu pertencia. É esquisito, mas aquele chute jamais deixará de arder, não no doutor Cargo, mas na alma deste que teve a honra a ele pertencer.

O dr. Cargo tinha cartaz: gerentes de bancos ofereciam-lhe empréstimos, foi até convidado a entrar para o Rotary Club. Por indicação de um vereador, teve votação unânime da Câmara Municipal para receber o título de cidadão Honorário de Uberlândia. O dr. Cargo queria que eu fosse representá-lo na solenidade da entrega da honraria. Ponderei que não ficaria bem. Afinal, a Câmara estava prestando uma homenagem a ele, não a mim. Matutei: não sou besta de ir à Câmara, de terno e gravata, fazer um discurso para agradecer a uma honraria que não me pertence.

Um amigo de longa data sabia que meu dono não havia feito xixi na palha nem poderia ir às lojas, espalhadas na região, a fim de calçar notas fiscais. Mesmo assim, ficou na moita. Poderia ter livrado o meu dono de levar aquele chute. A ele, saudações polares.

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