Antes dos Tempos Modernos (96)
Caças e caçadores eram mato em Cachoeiro de Itapemirim. Havia até, ou ainda existe, uma fábrica de pios, os quais eram verdadeiras obras de arte. O Clube mais antigo de lá, o da elite, é o Caçadores Carnavalescos Club (CCC). A caça mais cobiçada era o macuco. O casal de macucos vive no chão que nem as galinhas.
À tardinha o casal vai dormir no alto de uma árvore. O macuco atende ao pio até da boca de gente. Mesmo assim, era uma gloriosa façanha matar macuco. Foi por isso que o seu Antônio Vivacqua, homem rico, membro da família mais importante de lá, convidou um amigo para almoçarem o macuco que ele havia caçado.
Durante a refeição, no momento em que o seu Antônio dava detalhes da caçada, chegou um menino que disse à empregada que o recebeu. “Eu quero um particular com seu Antônio”. Este ouviu o menino, apesar de estar na sala de jantar. E falou, cheio de rompante: “Pode falar, menino! Comigo não tem particular”. Então o menino disse: “O papai mandou eu vim buscá o dinheiro do macuco”.
As caças ficaram vasqueiras. Nos capões de mato só restaram juritis, inhambus e lagartos, os quais são surdos e conhecidos também por tius. São caçados porque têm rabos comíveis. Dois rapazes foram caçar numa matinha. Um deles teve a sorte de matar um rabudo lagarto. Num domingo, havia muitos homens perto da venda da encruzilhada. Alguns jogaram malha, outras apenas proseavam. O rapaz que matou o lagarto, todo ganjento, disse que o lagarto tinha um rabo deste tamanho.
E indicou, com as mãos, cerca de um metro. O companheiro deu-lhe uma cotovelada. Então o caçador deixou por menos. Na terceira cotovelada, ele reclamou: “Que diabo, assim você deixa o meu lagarto sem rabo”.
É chato ser surdo como um tiu. Eu estava assim.
Então procurei uma fonoaudióloga. Levei seu relatório para o doutor Cleber, no Ambulatório Amélio Marques, da Universidade Federal de Uberlândia. Novos exames foram feitos por competentes fonoaudiólogas. Agora estou usando uma prótese auditiva. Estou ouvindo pra cachorro.
Um sitiante estava indo a pé para a venda da encruzilhada quando viu seu compadre no meio de uma rocinha arrancando um pé de mandioca. Gritou para ele:
─ Boa tarde, cumpadre! Como vai a cumadre?
─ Tá um pouco aguada, mais eu tô comeno assim mesmo.
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