Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

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Crônicas especiais

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Clarimundo Campos Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

20 de maio de 2012 7:01 | TAGS: , ,

Uma entrevista com certeza

Clarimundo Campos Engenheiro Agrônomo aposentado

Diante da sarnenta insistência de um dos repórteres da “Gazeta de Avatinguara”, resolvi dar-lhe um saco de entrevista. Eu lhe disse: Com foto nem pensar: Estou velho e feio. Já fui bem-apanhado, cultivava um bigode bacana, alinhado. Choviam garotas em cima de mim. O repórter me chamou de senhor. Aceitei o tratamento. Antigamente, eu ficava chateado quando moça bonita, da qual pretendia rapar alguma coisa, me chamava de senhor. Eis a entrevista:

− Com que, então, o senhor é engenheiro agrônomo?

− Com certeza! Agora já não o sou. Fui descartado pela Tecnologia, aquela infame. Era tão bom quando eu estava na ativa. Comia cada boião nas fazendas!

− Com que, então, o senhor é de Cachoeiro do Itapemirim, Estado do Paraná?

− Com certeza! Mas o nome daquela cidade é Cachoeiro de Itapemirim e fica no Estado do Espírito Santo. Fui criado em Cachoeiro. Sou, portanto, conterrâneo de criação de Rubem Braga, Roberto Carlos, Newton Braga, Raul Sampaio, Carlos Imperial. Nasci no Estado do Rio de Janeiro.

− Com quem, então, o senhor é fluminense?

− Com certeza! Mas virei Botafogo por causa de uma namorada que morava na rua São Clemente. Porém, eu ia mais ao campo do Fluminense, que fica de grito da casa em que eu morava.

− Com que, então, o senhor gosta de futebol?

− Com certeza! Mas só quando eu estou torcendo por um time. Torço pelo Brasil. E todo time é Brasil quando enfrenta adversário estrangeiro. Adoro ver craque jogando.

− Com que, então, o senhor gosta de Neymar?

− Com certeza! Ele deveria jogar dentro da área, a fim de, a cada paulada que levar, ser pênalti.

− Com que, então, o senhor morou no Rio de Janeiro? Gostou?

− Com certeza! Povo alegre, acolhedor, gente cordial. As praias. Adoro praia.

− Com que, então, o senhor deve gostar daqui também?

− Com certeza! Não tem praias, mas tem o fabuloso Praia Clube, o Parque do Sabiá, o Virgilão, o UTC, o Caça e Pesca, o Sabiazinho e um monte de clubes e praças de esportes. E o Ninho do Periquito, do Uberlândia Esporte Clube, o tal Verdão. Que, bem antes do dia de São Nunca, há de ser digno da grandeza desta cidade.

− Com que, então, parece que o senhor não gosta do atual Verdão?

− Com certeza! Ele não é mais o Verdão. O coitado tem levado tanta tinta que, agora, é o Manchadão.

13 de maio de 2012 7:01 | TAGS: , , , ,

Enxurrada de verdades, bestagens e brincadagens

Clarimundo Campos Engenheiro Agrônomo aposentado

De bobo, bobagem; de político, politicagem; de veado, viadagem; do papa, santidade; do Lula, bondade. Ter apenas qualidade não me satisfaz: há qualidade ótima, boa, ruim, péssima… O pior comentarista de jogos de futebol é o melhor. Creio que você prefere ter cara de ladrão que de jegue. Que bondade ser ministro da Pesca! Ganha bem apenas para aprender a vestir anzol com minhoca e dar banho nela. E não é preciso pescar nada de pesca. “Deus ajuda a quem trabalha”.

Nós, meninos lá da roça, completávamos: ”E a quem fica à toa também”. As mentiras de alguns políticos têm pernas tão curtas que não saem da moita. O ex-presidento Lula, em matéria de finanças, entende pra burro de gastanças. Ele é o cara do mundo porque, segundo o genial e saudoso Millôr Fernandes, o Luiz Inácio fala português em todas as línguas. Bom mesmo foi namorar a esposa boa e bonita bissurdo (BBB) de um cientista.

Enquanto ele estudava no escritório, eu a namorava no alpendre. Melhor ainda foi quando passamos a namorar na cama, enquanto ele fazia pesquisas na Serra da Caiana. De vez em quando, xingar é preciso. É o melhor modo de desabafo. Conforme a situação, basta uma banana, a qual pode ser dada discretamente.

Para xingar brabamente recomendo o son of a bitch, muito usado pelos americanos. Já que existe sigla para tudo, use apenas s o b, cuja pronúncia é esse ou bi. Aqui no Brasil, o PQP é muito jeitoso. Da burrice com a hipocrisia resultou neste incrível paradoxo: no Cassino Brasil, dirigido pela Caixa Econômica Federal, o jogo é proibido.

“Lá vai a garça voando com as penas que Deus lhe deu. Contando pena por pena, mais penas padeço eu”. Yes! Porque sou aposentado pelo INSS. E mais isso aqui: quem no furtou nem herdou vive sempre no cocô. Não fí-lo porque não quí-lo, como dizia Jânio Quadros. Mas eu não filo porque não fumo.

6 de maio de 2012 7:13 | TAGS: , , , ,

Ao Sul, o Monte de Vênus

Clarimundo Campos Engenheiro Agrônomo aposentado

Fui bem criado na roça como membro da Natureza, a qual amo tanto e respeito que fico contrariado quando noto que não foi escrita com “N” maiúsculo. Afinal, ela é a representante de Deus no Universo. Vivendo entre os passarinhos, era natural que eu desejasse ser um deles, principalmente dispondo de muita fruta. Que barato ter a liberdade de ir e voltar vencendo rios, espinheiros e montanhas. Gostaria de ser um pássaro macho: ele usa uma roupa bonita, cujo objetivo é atrair as fêmeas. Estas, coitadinhas, são feias e não sabem cantar. Compare a beleza de um canário-da-terra, cabeça de fogo, com a sua esposa. Tal fato acontece com quase todas as espécies de pássaros. Poderia ir longe: vivi minha mocidade entre os passarinhos, tão alegre quanto eles.

Com os humanos acontece o contrário: os machos são mais feios que as fêmeas. Mas não há como generalizar: há barangas mais feias do que a mãe da necessidade. É o caso das que têm os peitos desmilinguidos como coadores de pano com pouco pó de café, cuja causadora foi a força gravitacional da Terra. Aquela verdade justifica o estranho fato de o sutiã haver chegado antes da calcinha.

Os pássaros machos são bonitos por causa das roupas que usam. Levam, ainda, esta vantagem sobre os homens: não usam aquela bobagem chamada gravata sobre um incômodo colarinho. É incrível que tal aconteça ainda nestes tempos da tecnologia galopante. Neste quesito as mulheres são mais inteligentes que os homens: usam roupas bonitas e confortáveis. Se eu fosse mulher só usaria calcinha naqueles dias, juntamente com o “tampax”.

A mulher jovem e bonita como “uma estátua majestosa, esculturada por Deus”, é ainda mais linda quando está usando o vestido da Eva. Neste ponto divido a mulher bonita em dois hemisférios, cuja separação é a linha que passa pelo umbigo. O norte tem as utilidades conhecidas, além de ser o mais bonito. Naquele top ela deveria usar somente o less. No botton, ao Sul a calcinha é indispensável: esconde certas feiúras ali existentes, com estas honrosas exceções: bumbuns e coxas. Destaco ali o Monte de Vênus, no qual os homens de verdade adoram praticar o alpinismo.

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