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	<title>Crônicas</title>
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		<title>Mestre Ivan, por que Juazeiro?</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 08:51:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Minha primeira namorada da cidade, a Carmen Teodoro, morava longe, já que era no Guandu, perto da Fábrica de Tecidos. Somente no fim da rua Moreira é que eu atravessava o Itapemirim pela Ponte Municipal. Já na margem direita do rio e após caminhar mais um pouco, chegava à Praça Jerônimo Monteiro. Nela, à esquerda, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha primeira namorada da cidade, a Carmen Teodoro, morava longe, já que era no Guandu, perto da Fábrica de Tecidos. Somente no fim da rua Moreira é que eu atravessava o Itapemirim pela Ponte Municipal. Já na margem direita do rio e após caminhar mais um pouco, chegava à Praça Jerônimo Monteiro. Nela, à esquerda, havia jardim, bancos, árvores e o grupo escolar do mesmo nome. À direita do outro lado da rua, um correr de casas com todas as comodidades de uma cidade, inclusive dois cinemas e residências de gente rica. Ali aconteciam os animadíssimos carnavais de rua e o footing. O Carlos Imperial nasceu lá. Ainda jovem, foi para o Rio de Janeiro e virou um dos mais famosos cafajestes do Brasil. É autor de uma canção que começa assim: “Hoje amanheci com saudade de você. Beijei aquela foto que você me ofertou, e fui sentar lá no banco do jardim só porque foi lá que começou o nosso amor”. De fato, ali aconteciam os flertes e começaram os namoros. Foi o que se deu comigo e a Carmen. Nosso namoro funcionava durante minhas férias de Viçosa. Era sem graça e chué, já que eu não podia sequer pegar-lhe nas mãos. Foi fácil acabar com ele: não fui mais ao Guandu e, quando a via no footing, não lhe dava bola.</p>
<p>Na noite passada sonhei que estava indo à casa da Carmen. O centro da cidade estava totalmente às escuras. Não havia uma só janela iluminada. Meus pés estavam frios, já que, na praça, caminhava sobre um gramado úmido. Na realidade, estava a dormir na minha cama. Sentia os pés frios porque estavam descobertos. Era o sonho a me proteger o sono.<br />
Saindo da praça, em frente ao estacionamento dos táxis, deparei-me com uma grande sala iluminada, cuja porta era da mesma largura. Não era um bar. Havia várias mesas com cadeiras ao lado. Numa delas havia três homens esquisitos e calados. Sentei-me longe deles. Logo que o fiz, eis que me aparece o Ivan Santos. Sem me cumprimentar, foi logo dizendo: “Adorei Cachoeiro, cidade quente de gente alegre e alma quente. Camarada, amável e acolhedora. Em toda parte em que estive, senti-me como gente de casa. Mas, infelizmente, vim-lhe dizer que estou partindo para Juazeiro”.<br />
Levantei-me e nos abraçamos. Chorei. E, chorando, lembrei-me de que o segui para quase todos os jornais de Uberlândia. E que, em outubro de 1988, quando este jornal passou a ser realmente diário, graças ao Ivan, foi publicada minha primeira crônica, intitulada “O desconfiômetro”, aparelho equipado com um plugue anal de duas polegadas de diâmetro para ser instalado no Newton Cardoso.</p>
<p>O sonho aconteceu. Aproveito esta ocasião para me gabar: durante aquele montão de anos não falhei um só domingo. Saravá, caro Ivan!</p>
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		<title>Nem angu, nem biju</title>
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		<pubDate>Sun, 12 May 2013 08:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Clarimundo Carneiro]]></category>
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		<description><![CDATA[Na Ortiga eu não era mais o menino Tina que só brincava com os irmãos. Era um moleque taludo e libidinoso. Se, que vivia a escarapetear com os malungos por toda parte. Meu apelido era Marimbondo. Meus principais companheiros eram Crima, Baé, Jabá, Gadogué, Proga e Banana Ouro. Nossas principais brincadagens eram caçar passarinhos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na Ortiga eu não era mais o menino Tina que só brincava com os irmãos. Era um moleque taludo e libidinoso. Se, que vivia a escarapetear com os malungos por toda parte. Meu apelido era Marimbondo. Meus principais companheiros eram Crima, Baé, Jabá, Gadogué, Proga e Banana Ouro. Nossas principais brincadagens eram caçar passarinhos e jogar bolas de vidro, as quais, não raramente, eram substituídas pelas balebas. Outra grande atividade era pricurar frutas para comer e cana caiana para chupar. De primeiro, caçávamos com bodoque, um trambolho difícil de se andar com ele dentro das capoeiras. Com o aparecimento dos automóveis e caminhões, o bodoque foi substituído pelas setas, os atuais estilingues. O primeiro carro a passar pela estrada da Ortiga foi um Ford. Depois apareceu o Chevrolet Pavão, mais macio, mas com grave defeito de serem de madeira os raios das rodas.</p>
<p>O Crima era o mais craque na pontaria com a seta, mas o maior feito foi meu: matei uma saracura em pleno voo. Não caçávamos passarinhos pequenos. Porque eram de Deus. O único pequeno que matávamos era o papa-capim, também conhecido por papa-arroz. É que eles causavam grandes estragos em nosso arroz.</p>
<p>Eu fazia minhas pelotas com tabatinga e as queimava numa frigideira velha. A mamãe fez pra mim um imbornal de pano de calça rancheira. Uma vez o Baé e eu estávamos indo pricurar goiabas do outro lado do taboal. No meio do caminho ele me chamou para trocar. Reagi: “Cachorro, vai trocá com um jumento”!</p>
<p>A Ritinha, filha do carreiro Cristovo, uma pardinha já em ponto de bala, era caidinha por mim. Já tinha peitinhos grandinhos e popas arrebitadinhas. De vez em quando, eu até fazia cosquinhas nos suvacos dela. Numa tarde nos encontramos à sombra de três guaranemas altas, na qual estava um carro de boi com a ponta do cabeçaio no chão. Aquele carro estava equipado com esteiras de taquara. Não havia como se ver o que estivesse em seu interior. A Ritinha e eu subimos carro pelo cabeçaio e por uma das chedas. Naquele escondidinho, quando já estava a levantar-lhe a saia, a Ritinha me alertou: “Só deixo atrais”! Respondi-lhe: “Atrais eu não quero. So quero na frente”!</p>
<p>Deu caiaia: não passamos daquela turra. Desci do carro com o pito já apagado.</p>
<p>PS- Não há sequer um tiquinho de ficção neste relato. Muitas palavras estão com a ortografia de acordo com o linguajar da gente daquela roça. Dar caiaia significa fracassar.</p>
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		<title>Deserto Verde</title>
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		<pubDate>Sun, 05 May 2013 08:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há dois tipos de canas: cana de açúcar e cana de chupar. Em nossa roça havia duas espécies da cana de chupar: a caiana e outra. A caiana é macia após ser descascada. A outra cana de chupar lá de casa tinha a metade do diâmetro da caiana. Uma cana singular: de tão macia, era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dois tipos de canas: cana de açúcar e cana de chupar. Em nossa roça havia duas espécies da cana de chupar: a caiana e outra. A caiana é macia após ser descascada. A outra cana de chupar lá de casa tinha a metade do diâmetro da caiana. Uma cana singular: de tão macia, era chupada com casca. Apenas eram desprezados os nós. Tenho muita saudade dela. Nunca mais a vi. De ter sido extinta.</p>
<p>Jamais gostei de cana-de-açúcar. Parece que vão surgir muitos canaviais aqui no Triângulo. Lamento. O canavial é um Deserto Verde. Naquele solo mineralizado, com zero de matéria orgânica, não medram plantas com folhas macias. Assim, aquele hostil ambiente não serve para a gente ir no mato. Nem todo mundo é que nem o Adão, que fazia no deserto e limpava o respectivo com areia. Quem adora canavial é a Diatraea saccharalis, a broca da cana, cuja forma adulta é uma mariposinha bacana.</p>
<p>Para dar vida e alegria ao Deserto Verde é preciso que sejam criados oásis. Neles e nas margens das estradas devem ser plantadas árvores frutíferas. Conheço muitas, modéstias à parte. No entanto, sugiro apenas estas: corindiba, goiabeira e calabura. A corindiba é adorada pelos passarinhos. Vivi, por muitos anos, ao lado de uma que sombreava a porta da cozinha de nossa casa. Suas frutinhas não servem para humano comer: são muito miúdas. É com entusiasmo que destaco a goiabeira. Nasci no Estado do Rio de Janeiro. Sou, pois, um papa goiaba. Sempre fui bem chegado às goiabas. São nutritivas e dão muita sustância. Os passarinhos levam vantagem sobre mim: para eles, bicho de goiaba, goiaba é. Eles gostam tanto de goiaba que se encarregam de disseminar as goiabeiras por toda parte. O nosso goiabal da Ortiga foi todo “plantado” por eles. A calabura é estrangeira. Suas frutas são deliciosas. Conheci uma no Parque do Sabiá. Foi-me apresentada pelo Cícero Alves Diniz, me saudoso amigo. Ponha saudoso e amigo nisso!</p>
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		<title>De paraíso a  sucursal do inferno</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Apr 2013 08:08:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nasci durante a Primeira Guerra Mundial, mas escapei da gripe espanhola. Segundo o papai me contou, ela era tão mortífera, que, quando um infeliz espirava, alguém lhe dizia: Deus te ajude! Isto é, que Deus o ajudasse a morrer logo, antes de muito sofrer.
Quando tomei fé de mim, já estava morando numa fazenda em São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nasci durante a Primeira Guerra Mundial, mas escapei da gripe espanhola. Segundo o papai me contou, ela era tão mortífera, que, quando um infeliz espirava, alguém lhe dizia: Deus te ajude! Isto é, que Deus o ajudasse a morrer logo, antes de muito sofrer.</p>
<p>Quando tomei fé de mim, já estava morando numa fazenda em São Joaquim, no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES). Como era bom viver ali! Depois, já molecote, fui morar com meus pais e irmãos numa fazenda que meu pai comprou na Ortiga, no mesmo município. Fiz o curso primário na roça e o ginasial na cidade. Como era bom aquele tempo! Fui para Viçosa. Como era bom estudar naquela Escola! Formado, fui trabalhar na Escola Prática de Agricultura, no Vale do Canaã, no município de Santa Tereza (ES). Como era bom trabalhar na EPA! Convidado, fui trabalhar na Rubber, cuja sede era em Belo Horizonte. Enfiei a cara no sertão de Minas, a fim de incentivar a produção de borracha de mangabeira. Era um esforço de guerra para os Aliados. Fazia pião em Patrocínio. Como era bom aquele serviço! Após a Segunda Guerra Mundial, fui trabalhar no Território Federal do Guaporé. Como era bom morar em Porto Velho! De lá fui para o Rio de Janeiro, onde me convidaram para trabalhar na Sotreq. E no dia 2 de fevereiro de 1948, cheguei aqui.</p>
<p>Como era ótima esta cidade com cerca de 50 mil habitantes. Durante mais de 10 anos só houve um assassinato em Uberlândia. Como era bom o Brasil naquele tempo!</p>
<p>E agora, meninos? A mídia me informou que a Dilma disse que vai “fazer o diabo” no Brasil, porque tem peito para atacar os problemas que seus antecessores não tiveram coragem de enfrentar. Que ela tem mais peito que o FHC, por exemplo, estou cansado de saber. Porém, dona Presidenta, vossa excelência não deve fazer mais diabos. Já os temos em demasia, em forma de bandidos. Estão soltos, à vontade, nadando de braçada. Já fizeram do nosso Brasil, outrora tão bom e tão cheio de sossego, em sucursal do inferno.</p>
<p><strong>CORREÇÕES</strong></p>
<p>Correção: Erros que notei em “Broca do café” (publicado dia 21 de abril): Cachoeiro é macho, arabica não tem acento – é do latim. Ainda bem que era. O certo é: Ainda bem que não era.</p>
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		<title>Broca do café</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Apr 2013 08:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Garanto que a jabuticabeira e o cacaueiro são plantas nativas do Brasil: eu as vi nos lugares em que nasceram, nos quais estavam vivendo satisfeitas da vida. A jabuticabeira era alta e esguia, já que se espremia entre as árvores de um Capão de Mata Atlântica, Ortiga, município de Cachoeira de Itapemirim (ES). Eu a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Garanto que a jabuticabeira e o cacaueiro são plantas nativas do Brasil: eu as vi nos lugares em que nasceram, nos quais estavam vivendo satisfeitas da vida. A jabuticabeira era alta e esguia, já que se espremia entre as árvores de um Capão de Mata Atlântica, Ortiga, município de Cachoeira de Itapemirim (ES). Eu a vi quando era ginasiano, portanto, antes de 1935. Vi vários cacaueiros morando embaixo da Floresta Amazônica, num lote de terra fértil da Colônia Agrícola de Iata, Território Federal do Guaporé (Estado de Rondônia).</p>
<p>Pelo tanto que abunda no Brasil, alguém até pode achar que ele seja nativo daqui. Não é. É da Abissíma, África, atual Etiópia. Foi descoberto pelos cabritos. Seu nome científico é Coffea arábica, posto que os matreiros árabes passaram a dono da preciosa rubeácea e a difundiram por todas as bandas. Chegou ao Brasil pelo Norte. Fez do Estado de São Paulo sua principal moradia. Ali prosperou e enriqueceu muita gente. Ah, meninos, lá em um feio dia, apareceu nos cafezais um besourinho preto chamado Hypothenemus hampei, mais feio que a mãe da necessidade. Era a broca do café. Suas larvas devoravam os dois cotilédones de cada grão. Aquele besourinho foi o inseto que mais prejuízo deu ao Brasil. Só que debelado com o aparecimento do BHC. Então o Hypothenemus ficou apavorado. Foi daí que procurou as moscas das frutas na goiabeira mais próxima. Conversou com a Ceratites e com a Anastrepha. A Ceratites disse: “Não. Por enquanto o veneno não chegou aqui”. O besourinho retrucou: “Mas deve chegar. Acho bom a gente dar a pira daqui. Vou para o Espírito Santo. Acho que o BHC ainda não chegou lá”.</p>
<p>As moscas das frutas disseram que iam também, mas só até Campos de Goitacazes, terra da goiabada. O famigerado Hypothenemus chegou ao Espírito Santo. Fez miséria. Acabou com café da nossa fazenda da Ortiga. Ainda bem que era a nossa principal cultura. Certa vez, esfreguei vários punhados do café que estava a secar no terreiro. Não consegui sequer uma bandinha intacta. Tudo virou farelo.</p>
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		<title>Pacientezinho borradinho de arrarinha</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2013 13:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há muito tempo que um doutor oftalmologista disse-me: “você deve esperar a catarata do olho direito”. Mas a minha condição financeira de aposentado pelo INSS não me permitiu. Agora, porém, como tenho um convênio, oferta de minha filha, procurei uma clínica na tentativa de melhorar a minha velha e cansada vista, com a qual não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito tempo que um doutor oftalmologista disse-me: “você deve esperar a catarata do olho direito”. Mas a minha condição financeira de aposentado pelo INSS não me permitiu. Agora, porém, como tenho um convênio, oferta de minha filha, procurei uma clínica na tentativa de melhorar a minha velha e cansada vista, com a qual não me canso de apreciar as lindas coisas aqui da terra. Que belas paisagens, que lindos passarinhos, que lindíssimos decotes de mulheres boazudas! O máximo, em se tratando de mulheres, é serem belas, terem uma anatomia perfeita, serem legais e boas de cama.</p>
<p>Por essas e outras, como não precisar de lupa para ler alguns textos, fui a uma clínica de olhos. Fui muito bem recebido, mas sofri durante os rigorosos exames. Fiz dois. Em ambos, as gentis enfermeiras diziam-me: “Apoia bem o queixinho e encosta, com força, a testinha aqui. Abre bem o olhinho e olha para a frente, sem dar piscadinhas”. Noutra visita, tive que fazer exames ainda mais rigorosos, pois visaram à operação da catarata. Pediram-me exame de sangue e um eletrocardiograma. Este teria que ser feito com autorização do convênio. Foi ai que o meu filho Fernando foi informado de que o convênio não podia autorizar aquela operação, porque não havia vencido o período de carência.</p>
<p>Foi-se a minha esperança! Mas continuo alegrinho a ver naviozinhos. Sinto-me devidamente borradinho de arrarinha.<br />
O Clarimundinho Campinhos agradece aos médicos e às enfermeiras que o atenderam direitinho. De fato, fui muito bem atendido pelo Instituto de Olhos do Triângulo (IOT). É uma clínica moderna. Conta com instalações e equipamentos adequados e uma equipe competente sob a direção do doutor Fernando Menezes Pereira. Diante da impossibilidade de eu ser atendido pelo convênio, o IOT ofereceu-me parcelamento daquela cirurgia. Achei o cascalho pesado demais para a picapinha de aposentado. Pode ser que a bondadosa presidenta Dilma me dê uma “Bolsa Operação de Catarata”, com o beneplácito do presidento Luiz Inácio.</p>
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		<title>Cavalo vira boi</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Mar 2013 09:46:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando eu ainda era moleque pequeno e ouvia um mais velho dizer “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eu acrescentava “e a quem se levanta tarde também”. Quando alguém dizia “Deus ajuda a quem trabalha”, eu completava: “e a quem fica à toa também”. Agora, vetusto pra caramba, cheguei a esta fantástica conclusão: dona Dilma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu ainda era moleque pequeno e ouvia um mais velho dizer “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eu acrescentava “e a quem se levanta tarde também”. Quando alguém dizia “Deus ajuda a quem trabalha”, eu completava: “e a quem fica à toa também”. Agora, vetusto pra caramba, cheguei a esta fantástica conclusão: dona Dilma é uma deusa: ela ajuda a quem fica à toa. Principalmente.</p>
<p>O Brasil brilhou intensamente nos funerais do Hugo Chávez. Foi o único país representado por dois presidentes da República. Viva nóis!</p>
<p>Tenho muita saudade do Cannabis sativa quando, no meu tempo de estudante de Agronomia, ele era o Cânhemo, planta produtora de uma excelente fibra. No entanto, o Cannabis foi ingrato. Virou maconha.</p>
<p>Certa vez, apareceu lá em casa um roceiro com galinhas na manguara para vendê-las na cidade. Não há como um vivente sofrer mais que galinha na manguara. A manguara é uma vara na qual várias galinhas são colocadas, após terem seus pés amarrados aos pares. As galinhas resultam penduradas na vara com as cabeças para baixo. E torcem o pescoço na tentativa de evitar que o sangue desça todo para a cabeça. Meu pai comprava todas as galinhas e frangos que nos apareciam na manguara. Eram soltos em nosso vasto terreiro que se ligava aos pastos.</p>
<p>Outros grandes sofredores que conheci, no tempo da Segunda Guerra Mundial, foram os burros de Pirapora. As mercadorias transportadas pelos barcos eram descarregadas perto do Velho Chico. Dali até a rua eram levadas nas carroças. Eram pesados demais. Os burros atolavam naquela areia fofa. Caíam e eram barbaramente chicoteados pelos carroceiros.</p>
<p>Creio que não existam mais os sofredores burros de Pirapora. É provável que a manguara ainda seja usada. As galinhas na manguara e os infelizes burros de Pirapora me fazem lembrar dos humanos sofredores que amargam suas doenças nos corredores dos hospitais públicos deste país. O que me deixa admirado é o fato da caridosa e bondosa presidenta ainda não ter criado a Bolsa Manguara para acabar com aquela deplorável situação.</p>
<p>‒ Mamãe, cadê a Dilma? A Dilma aonde foi? Quero perguntar a Dilma se cavalo vira boi.</p>
<p>‒ Ara, menino, eu mesma tenho a resposta! Deixe a Dilma trabalhar sossegada. Ela tá, hoje, com o Lula, inaugurando uma obra que ainda não está terminada. Cavalo vira boi, sim. É quando ele chega ao açougue, depois de sair do frigorífico.</p>
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		<title>Cavalo vira boi</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Mar 2013 08:31:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Clarimundo Carneiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu ainda era moleque pequeno e ouvia um mais velho dizer “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eu acrescentava “e a quem se levanta tarde também”. Quando alguém dizia “Deus ajuda a quem trabalha”, eu completava: “e a quem fica à toa também”. Agora, vetusto pra caramba, cheguei a esta fantástica conclusão: dona Dilma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu ainda era moleque pequeno e ouvia um mais velho dizer “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eu acrescentava “e a quem se levanta tarde também”. Quando alguém dizia “Deus ajuda a quem trabalha”, eu completava: “e a quem fica à toa também”. Agora, vetusto pra caramba, cheguei a esta fantástica conclusão: dona Dilma é uma deusa: ela ajuda a quem fica à toa. Principalmente.</p>
<p>O Brasil brilhou intensamente nos funerais do Hugo Chávez. Foi o único país representado por dois presidentes da República. Viva nóis!</p>
<p>Tenho muita saudade do Cannabis sativa quando, no meu tempo de estudante de Agronomia, ele era o Cânhemo, planta produtora de uma excelente fibra. No entanto, o Cannabis foi ingrato. Virou maconha.<br />
Certa vez, apareceu lá em casa um roceiro com galinhas na manguara para vendê-las na cidade. Não há como um vivente sofrer mais que galinha na manguara. A manguara é uma vara na qual várias galinhas são colocadas, após terem seus pés amarrados aos pares. As galinhas resultam penduradas na vara com as cabeças para baixo. E torcem o pescoço na tentativa de evitar que o sangue desça todo para a cabeça. Meu pai comprava todas as galinhas e frangos que nos apareciam na manguara. Eram soltos em nosso vasto terreiro que se ligava aos pastos.</p>
<p>Outros grandes sofredores que conheci, no tempo da Segunda Guerra Mundial, foram os burros de Pirapora. As mercadorias transportadas pelos barcos eram descarregadas perto do Velho Chico. Dali até a rua eram levadas nas carroças. Eram pesados demais. Os burros atolavam naquela areia fofa. Caíam e eram barbaramente chicoteados pelos carroceiros.<br />
Creio que não existam mais os sofredores burros de Pirapora. É provável que a manguara ainda seja usada. As galinhas na manguara e os infelizes burros de Pirapora me fazem lembrar dos humanos sofredores que amargam suas doenças nos corredores dos hospitais públicos deste país. O que me deixa admirado é o fato da caridosa e bondosa presidenta ainda não ter criado a Bolsa Manguara para acabar com aquela deplorável situação.</p>
<p>‒ Mamãe, cadê a Dilma? A Dilma aonde foi? Quero perguntar a Dilma se cavalo vira boi.</p>
<p>‒ Ara, menino, eu mesma tenho a resposta! Deixe a Dilma trabalhar sossegada. Ela tá, hoje, com o Lula, inaugurando uma obra que ainda não está terminada. Cavalo vira boi, sim. É quando ele chega ao açougue, depois de sair do frigorífico.</p>
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		<title>Categas</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Mar 2013 10:12:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando trabalhei no território Federal do Guaporé, ele ainda era criança: tinha pouco mais de três anos de idade. Além daquele belo Rio Madeira, só havia floresta. Mato era mato. Mas a Estrada de Ferro Madeira &#8211; Mármore, de 365 km, tinha uma reta de 40 km num pântano totalmente coberto por um denso buritizal. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando trabalhei no território Federal do Guaporé, ele ainda era criança: tinha pouco mais de três anos de idade. Além daquele belo Rio Madeira, só havia floresta. Mato era mato. Mas a Estrada de Ferro Madeira &#8211; Mármore, de 365 km, tinha uma reta de 40 km num pântano totalmente coberto por um denso buritizal. Viajei várias vezes naquela estrada, afim de dar assistência agronômica aos agricultores da Colônia Agrícola de Iata. Esta ficava a poucos quilômetros do fim da linha férrea, em Guayaramerin. Do outro lado do rio, na Bolívia, ficava Guayaramerin. O que vi de mais esquisito nos trens eram soldados bolivianos fardados, mas descalços.</p>
<p>Pertinho de Porto Velho, o governo tinha uma fazenda, cuja principal atividade era a avicultura. Montado num jipão de guerra, eu me encarregava de recolher o sangue do matadouro para enriquecer a ração das galinhas. Com a proteína do sangue, aumentava muito a produção de ovos, o que me possibilitava levar ovos para a casa que me fornecia refeições e para a da minha namorada.<br />
Desde que cheguei a Porto Velho, notei que quase todos os funcionários do governo eram procedentes do Rio de Janeiro. E o maior desejo de cada um era voltar para a “civilização”. As pessoas mais importantes de Porto Velho eram chamadas de categas, ou seja, pessoas de alta categoria.</p>
<p>Gostei do termo catega. Aqui há muitos categas, mas conheço pouquíssimos, porque sou sistemático: só considero que uma pessoa seja minha conhecida se ela for capaz de me conhecer em qualquer lugar.</p>
<p>Eis os únicos categas que estão politicando atualmente e me conhecem: Noberto Nunes, Liza Prado e Luiz Humberto Carneiro.</p>
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		<title>Primeira viagem  do trem da Dilma</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Mar 2013 08:16:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarimundo Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Clarimundo Campos]]></category>

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		<description><![CDATA[Conheci a primeira Dilma há pouco mais de 80 anos. Era minha ex-futura cunhada, a irmã da minha ex- futura esposa Dila. Só recentemente, na Era Lula, foi que me pintou a segunda Dilma. Nada preciso dizer a respeito dela, já que você a vê todos os dias na tela da TV.
O matreiro doutor Luiz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci a primeira Dilma há pouco mais de 80 anos. Era minha ex-futura cunhada, a irmã da minha ex- futura esposa Dila. Só recentemente, na Era Lula, foi que me pintou a segunda Dilma. Nada preciso dizer a respeito dela, já que você a vê todos os dias na tela da TV.</p>
<p>O matreiro doutor Luiz Inácio, diplomado em politicagem, fez da Dilma a presidenta da República. E, por essa via de consequência, temos dois presidentes da República. Que legal! Como sabem que uma das características da democracia é a alternância no poder, irão praticá-la entre eles mesmos. E assim sendo, a oposição esta fadada a levar na tarraqueta durante muitos anos. Aqueles dois sabem engabelar a massa ignora os que os elege, com bondades, as quais são pagas por nós, por meio de imorais tributos. Nascerão muitas Dilmas no Brasil. É um nominho bonito. As mães costumam ter dificuldades na hora de escolher um nome para o filhote. Houve uma que pôs na filha o nome de Madeinusa, porque agradou dele quando viu numa embalagem de um produto importante. Vão surgir, certamente, Chequins e Propinas. O problemão de falta de espaço nos hospitais públicos será facilmente resolvido com a construção de corredores. As macas serão doadas pelas instituições de caridade e pela bondosa Dilma. “Tem boi na linha, tem, tem. Tem boi na linha e a Catarina vai no trem.” Agora a toada é outra: “Tem boi na linha, tem, tem. Tem boi na linha, mas dona Dilma não vai no trem”. Trem bão é trem. Mas dona Dilma só vai no aviaozão do Lula. Ela só irá no trem-bala que vai construir em sua terceira gestação, digo, gestão. A primeira viagem daquele trem será de São Paulo a Toribaté, via Uberlândia e Xapetuba.</p>
<p>Será um festão, sô! Ah, o veio lá! Escutem o que vou falar: o trem da Dilma vai chegar a Toribaté antes das águas de Lula ao Nordeste.</p>
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