Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

14 de abril de 2013 11:03

Pacientezinho borradinho de arrarinha

Engenheiro Agrônomo aposentado

Há muito tempo que um doutor oftalmologista disse-me: “você deve esperar a catarata do olho direito”. Mas a minha condição financeira de aposentado pelo INSS não me permitiu. Agora, porém, como tenho um convênio, oferta de minha filha, procurei uma clínica na tentativa de melhorar a minha velha e cansada vista, com a qual não me canso de apreciar as lindas coisas aqui da terra. Que belas paisagens, que lindos passarinhos, que lindíssimos decotes de mulheres boazudas! O máximo, em se tratando de mulheres, é serem belas, terem uma anatomia perfeita, serem legais e boas de cama.

Por essas e outras, como não precisar de lupa para ler alguns textos, fui a uma clínica de olhos. Fui muito bem recebido, mas sofri durante os rigorosos exames. Fiz dois. Em ambos, as gentis enfermeiras diziam-me: “Apoia bem o queixinho e encosta, com força, a testinha aqui. Abre bem o olhinho e olha para a frente, sem dar piscadinhas”. Noutra visita, tive que fazer exames ainda mais rigorosos, pois visaram à operação da catarata. Pediram-me exame de sangue e um eletrocardiograma. Este teria que ser feito com autorização do convênio. Foi ai que o meu filho Fernando foi informado de que o convênio não podia autorizar aquela operação, porque não havia vencido o período de carência.

Foi-se a minha esperança! Mas continuo alegrinho a ver naviozinhos. Sinto-me devidamente borradinho de arrarinha.
O Clarimundinho Campinhos agradece aos médicos e às enfermeiras que o atenderam direitinho. De fato, fui muito bem atendido pelo Instituto de Olhos do Triângulo (IOT). É uma clínica moderna. Conta com instalações e equipamentos adequados e uma equipe competente sob a direção do doutor Fernando Menezes Pereira. Diante da impossibilidade de eu ser atendido pelo convênio, o IOT ofereceu-me parcelamento daquela cirurgia. Achei o cascalho pesado demais para a picapinha de aposentado. Pode ser que a bondadosa presidenta Dilma me dê uma “Bolsa Operação de Catarata”, com o beneplácito do presidento Luiz Inácio.

31 de março de 2013 7:46

Cavalo vira boi

Engenheiro Agrônomo aposentado

Quando eu ainda era moleque pequeno e ouvia um mais velho dizer “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eu acrescentava “e a quem se levanta tarde também”. Quando alguém dizia “Deus ajuda a quem trabalha”, eu completava: “e a quem fica à toa também”. Agora, vetusto pra caramba, cheguei a esta fantástica conclusão: dona Dilma é uma deusa: ela ajuda a quem fica à toa. Principalmente.

O Brasil brilhou intensamente nos funerais do Hugo Chávez. Foi o único país representado por dois presidentes da República. Viva nóis!

Tenho muita saudade do Cannabis sativa quando, no meu tempo de estudante de Agronomia, ele era o Cânhemo, planta produtora de uma excelente fibra. No entanto, o Cannabis foi ingrato. Virou maconha.

Certa vez, apareceu lá em casa um roceiro com galinhas na manguara para vendê-las na cidade. Não há como um vivente sofrer mais que galinha na manguara. A manguara é uma vara na qual várias galinhas são colocadas, após terem seus pés amarrados aos pares. As galinhas resultam penduradas na vara com as cabeças para baixo. E torcem o pescoço na tentativa de evitar que o sangue desça todo para a cabeça. Meu pai comprava todas as galinhas e frangos que nos apareciam na manguara. Eram soltos em nosso vasto terreiro que se ligava aos pastos.

Outros grandes sofredores que conheci, no tempo da Segunda Guerra Mundial, foram os burros de Pirapora. As mercadorias transportadas pelos barcos eram descarregadas perto do Velho Chico. Dali até a rua eram levadas nas carroças. Eram pesados demais. Os burros atolavam naquela areia fofa. Caíam e eram barbaramente chicoteados pelos carroceiros.

Creio que não existam mais os sofredores burros de Pirapora. É provável que a manguara ainda seja usada. As galinhas na manguara e os infelizes burros de Pirapora me fazem lembrar dos humanos sofredores que amargam suas doenças nos corredores dos hospitais públicos deste país. O que me deixa admirado é o fato da caridosa e bondosa presidenta ainda não ter criado a Bolsa Manguara para acabar com aquela deplorável situação.

‒ Mamãe, cadê a Dilma? A Dilma aonde foi? Quero perguntar a Dilma se cavalo vira boi.

‒ Ara, menino, eu mesma tenho a resposta! Deixe a Dilma trabalhar sossegada. Ela tá, hoje, com o Lula, inaugurando uma obra que ainda não está terminada. Cavalo vira boi, sim. É quando ele chega ao açougue, depois de sair do frigorífico.

30 de março de 2013 6:31

Cavalo vira boi

Engenheiro Agrônomo aposentado

Quando eu ainda era moleque pequeno e ouvia um mais velho dizer “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eu acrescentava “e a quem se levanta tarde também”. Quando alguém dizia “Deus ajuda a quem trabalha”, eu completava: “e a quem fica à toa também”. Agora, vetusto pra caramba, cheguei a esta fantástica conclusão: dona Dilma é uma deusa: ela ajuda a quem fica à toa. Principalmente.

O Brasil brilhou intensamente nos funerais do Hugo Chávez. Foi o único país representado por dois presidentes da República. Viva nóis!

Tenho muita saudade do Cannabis sativa quando, no meu tempo de estudante de Agronomia, ele era o Cânhemo, planta produtora de uma excelente fibra. No entanto, o Cannabis foi ingrato. Virou maconha.
Certa vez, apareceu lá em casa um roceiro com galinhas na manguara para vendê-las na cidade. Não há como um vivente sofrer mais que galinha na manguara. A manguara é uma vara na qual várias galinhas são colocadas, após terem seus pés amarrados aos pares. As galinhas resultam penduradas na vara com as cabeças para baixo. E torcem o pescoço na tentativa de evitar que o sangue desça todo para a cabeça. Meu pai comprava todas as galinhas e frangos que nos apareciam na manguara. Eram soltos em nosso vasto terreiro que se ligava aos pastos.

Outros grandes sofredores que conheci, no tempo da Segunda Guerra Mundial, foram os burros de Pirapora. As mercadorias transportadas pelos barcos eram descarregadas perto do Velho Chico. Dali até a rua eram levadas nas carroças. Eram pesados demais. Os burros atolavam naquela areia fofa. Caíam e eram barbaramente chicoteados pelos carroceiros.
Creio que não existam mais os sofredores burros de Pirapora. É provável que a manguara ainda seja usada. As galinhas na manguara e os infelizes burros de Pirapora me fazem lembrar dos humanos sofredores que amargam suas doenças nos corredores dos hospitais públicos deste país. O que me deixa admirado é o fato da caridosa e bondosa presidenta ainda não ter criado a Bolsa Manguara para acabar com aquela deplorável situação.

‒ Mamãe, cadê a Dilma? A Dilma aonde foi? Quero perguntar a Dilma se cavalo vira boi.

‒ Ara, menino, eu mesma tenho a resposta! Deixe a Dilma trabalhar sossegada. Ela tá, hoje, com o Lula, inaugurando uma obra que ainda não está terminada. Cavalo vira boi, sim. É quando ele chega ao açougue, depois de sair do frigorífico.