Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

13 de janeiro de 2013 14:09

Sujeitos eminentes

Engenheiro Agrônomo aposentado

Hoje amanheci com vontade de elogiar pessoas. Começo com os fulutrecos que merecem elogios, os tais homens públicos, entre os quais estão políticos e os politiqueiros. A presidenta Dilma merece rasgados elogios pela caça que está fazendo aos ladrões e ladronas do Erário, isto é, da nossa grana. Espero também ter motivos para, oportunamente, elogiar o prefeito Gilmar Machado. Tenho que elogiar a CBF pela escolha do Parreira para coordenador da seleção e do Felipão para seu técnico. Com ele, parece que a coisa vai.

Para escrever aqueles trecos, os quais gostaria que fossem amenidades, não dispenso os adjetivos. Para elogiar homens públicos, tive que esquentar a cuca a fim de escolher a palavra mais adequada. Ela é sujeito. Confesso que não sei exatamente como é um homem público. Mas sei o que são mulheres públicas. São as garotas de programa, biscates e prostitutas. Já privei com algumas, embora não tenha sido dentro de privada.

Meu elogio consiste em chamar o homem público, que realmente o merece, de Eminente Sujeito. Além da turma do Mensalão, notável instituição nacional da era Lula, há muitos outros. Eu não conseguiria fazer uma lista de todos. Não há como deixar de citar os nomes de dois Eminentes Sujeitos, os quais não estão entre os que foram condenados pelo STF. Um é o dr. Luiz Inácio; o outro é o dr. Paulo Maluf. Merecem o elogio porque mentiram. O primeiro não sabia da existência do Mensalão; o outro nunca ouviu falar de Paraíso Fiscal.

Se você está pensando que Eminente Sujeito não é elogio, está enganado. Ou seja, não sabe o que é sujeito. Então saiba: sujeito é cocô mole e muito fedido que sai a jato de cano reto impulsionado por violento e retumbante pum.

25 de novembro de 2012 6:00

A cor da crise

Engenheiro Agrônomo aposentado

Barack Obama e Gilmar Machado não são, mas dizem que o são. Ou será que negro tem mais status que branco? Chamar negro de “colored”, como dizem os americanos, é o cúmulo da asneira. Preto é negro. Não existe a cor preta. Preto é ausência de cor, enquanto o branco, como o da garça, é a somatória de todas as cores.

Para enfrentar o sol brabo do centro da África, berço da humanidade, a natureza dotou aquela gente com a melanina na epiderme e cabelo pixaim. Negros, mulatos e morenos não desbotam e não ficam sardentos, nem são molestados pelo sol. Por isso é que “os homens preferem as louras, mas casam com as morenas”.

Branco nunca foi mais bonito que negro. Vejo o caso do anu. O branco é mais feio e mais molóide que o preto. São aves tão bobocas que o menino eu não sentava pelotadas neles. Seria covardia. Prestam bom serviço à bovinocultura. Estão sempre pousados sobre aqueles animais, posto que seu manjar dos deuses são os carrapatos.

O vivente preto mais bonito que conheço é o tiziu, também conhecido por serrador e veludinho. O que havia de mais preto nos antigos romances era a asa da graúna. Não a conheço pessoalmente. Duvido que seja tão bonita quanto o tiziu.

Não fica bem chamar uma pessoa negra de preto. Preto é urubu. Não há nada mais preta que a coisa preta. Aqui ela já está ruça. Está preta na Grécia, na Espanha e em Portugal. Mas no Brasil é diferente. Lula e Dilma são o PT. Este é a massa votante, sempre a fim de bondades. A Dilma quase sempre está à sombra do Lula, que é poderoso e imexível. Certa vez um tsunami pretendeu nos molestar.

O Lula não deixou. E aqui chegou apenas uma marolinha. Desta vez, não chegará aqui a coisa preta. Por ordem do doutor Luiz Inácio, chegará apenas a “tudo azul”.

18 de novembro de 2012 12:15

Assim como assim

Engenheiro Agrônomo aposentado

O Boa foi para Varginha. Fiquei com ojerinza dele. Embora eu não seja de Ituiutaba, não quero ver a cara do Boa nem pintada de outro. Mas se fosse uma boa… Sugiro aos amigos de Ituiutaba que arranjem uma ótima para substituir o tal Boa.

O nosso vôlei vai bem – tem dono rico. O Basquete vai bem – tem dono rico. O UEC irá muito bem – terá uma dona rica, a AmBev. E nós, torcedores do Uberlândia Esporte Clube, passaremos a encher a cara de cerveja, sem moderação.

Todo padecente pobre tem que ser, na marra, um paciente. Paciente para ser atendido por um doutor médico; paciente para ter a grande sorte de conseguir um leito no hospital ou uma maca no corredor de um nosocômio público, onde, pacientemente e muito sofrendo, espera a chegada da morte, quando dará o último suspiro.

Uma bela galinha Carijó, sacudindo as penas, após ter sido devidamente pisada por um galo, fez-lhe esta reclamação: “Seus beijos na minha crista são de morte. Não aguento mais tanta dor. Você precisa procurar a sexóloga Marta Suplicy, aquela que relaxa e goza, para ver se ela dá um jeito na sua ejaculação precoce. Você está rápido demais. Se continuar assim, eu não levanto mais o rabo para você. E até fujo para outro terreiro. Mas não vou atrás de homem não. Você sabe que eu não sou uma galinha galinha”.

Não é de hoje que eu tenho o prazer e a honra de ser amigo da Terezinha Maria Moreira. Ela lançou, no dia 20 de outubro deste ano, um fabuloso livro de poemas intitulado “A você”, em português, espanhol, francês e italiano. As diferenças entre a Terezinha e este aqui são muitas. Ela é ela e eu sou ele, ela sabe aquele montão de idiomas e eu apenas arranho o português; ela é uma intelectual, eu não o sou; ela é jovem e bonita, e eu sou um matusa feio; ela é professora de línguas, eu sou professor de Bestologia. Por pouco seríamos iguais num quesito: ela é poliglota e eu sou um poligrota, isto é, vivi em muitas grotas.