Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

13 de abril de 2014 6:59

Humor

Engenheiro Agrônomo aposentado

Rico pode rir à toa, como afirmam, mas garanto que jamais sorri de graça. Quando ele se abrir para você, com farta exibição das canjicas, convém ficar com um pé atrás: embaixo desse sorriso tem coisa. Jamais confie em sorriso de rico, a não ser que seja um deles. É provável que ele tenha conseguido riqueza e posição às custas de sorrisos bem colocados. É mais conveniente e menos perigoso confiar no sorriso do rabo do cachorro. Se você ambiciona a fortuna, faça do seu sorriso uma arma. As vítimas serão os seus “amigos”.

Direi que você é um tremendo homem macho quando conseguir emitir sorrisos – não dos amarelos – mesmo se estiver com uma dor de barriga de retorcer e… o banheiro ocupado. Há quem deteste o humor negro. O único preconceito que tenho, HOJE, é contra o CC. Hoje, repito. Porque ao tempo de estudante-grana-curta tinha predileção pelas escurinhas “cecerosas”, porém, sempre mais em conta.

Calculo que o melhor humorista seja o que goza da melhor saúde. A idade física ou cronológica não influi. Mesmo porque, idade é condição muito relativa na vida das pessoas, e pode ser aferida de diversos modos. Infelizmente, o exemplo que tenho de medição de idade, fora dos parâmetros tradicionais de tempo, é uma piada que, embora de salão, seria sumariamente podada pelo meu caro e puritano Editor. É aquela da madame que estava de rolo com um rapazinho.

Não tenho veia humorística, mas tenho humor nas veias. Todos somos dotados de humores. O vítreo é o mais denso; os demais, aquosos. Já que todos os líquidos do organismo são humores, conclui-se que a Fafá de Belém será a pessoinha mais abundantemente humorada do Brasil… quando estiver amamentando. Apresentará ótimo e farto exemplo de humor branco. Por serem líquidos os humores é que os indivíduos carrancudos e pouco afáveis são chamados de “secos”. É por isso que os gordos, via de regra, são gozadores e bem-humorados.

Há, entretanto, obesos secarrões, fato que se dá quando há predominância do espírito muxiba sobre a matéria humorosa.

A gargalhada depende da disposição de espírito e do momento psicológico. Roceiros humildes e ingênuos são os melhores ouvintes de anedotas. Certa vez contei a um deles aquela do “assim não há tatu que aguente”. Gostou. Riu muito. E fez um comentário delicioso:

- Puxa! Que tatu mais de borracha!

Não temo perder meu bom humor, de qualquer cor, com a idade: pela era que tenho, já deveria ser um homem sério. Mas o meu espírito não quer envelhecer. Tenho-o de porco. E você já viu suíno algum com mais de quinze anos de idade?

6 de abril de 2014 6:44

Hinos

Engenheiro Agrônomo aposentado

Nas fazendas nas quais cheguei à minha molequice, não havia escola. Logo a Prefeitura abriu uma, entrei para ela já bichão em todas as matérias, exceto nos hinos. Ao entrar para primeira aula do dia, a turma, em fila, cantava um dos hinos. O principal era o “Ouviram do Ipiranga”. Lembro-me de outros: o “Salve lindo”, do “Pinheiro”, do qual sei que “um rapaz solteiro, rapaz de má condição vibrou uma punhalada e jogou Pinheiro no chão”. Ainda sei um pouquinho do “João Pessoa bravo”, filho do sertão, toda a gente espera, um dia, a sua ressurreição”.

No ginásio (Colégio Pedro Palácios) funcionava a EIM (Escola de Instrução Militar) à qual amarguei depois dos 18 anos. Além do Hino Nacional, cantávamos o “Salve lindo perdão da esperança”, Hino à bandeira. Porém, do que mais gostávamos era este: “Rapar (aproveitar-se das namoradas) queremos com fervor, a guerra somos causador, porém, se a pátria amada precisar da macacada, P.M. tá lascada”.

Falando sério, agora nos tempos da internet, o nosso Hino Nacional teria mesmo que ser resumido. É chato e deprimente, ver que os jogadores de futebol apenas mexem os beiços.

30 de março de 2014 6:50

Autoextermínio da bandidagem

Engenheiro Agrônomo aposentado

Vou procurar um “bel” em Direito para saber os nomes dos bandidos e dos crimes que praticam. É lógico que um bel me basta, não sendo necessário recorrer a quem já tenha escapado da OAB, ou seja, da Onça dos Advogados do Brasil (OAB).

No meu forte entender, todo bandido é criminoso. Fiquei sabendo a nível de Bel, que existem furtos, roubos e latrocínios. Não há, porém, a rigor latrocínios. São furtos, já que o morto não tem como saber que foi furtado. O roubo acontece quando a vítima sabe que foi roubada. Se estou sendo tapeado estou sendo roubado ou engazopado.

Há “mil” tipos de bandidos. Vejo que a bandidagem tem sido mais lucrativa e fácil do que ser empregado. Por que chegamos a tanto? Chegamos no máximo? Sossego? Que bicho é esse? Está nas fazendas? Pois sim! Há sossego nela quando a gente da fazenda dorme. Aí os bandidos, com caminhão ensacaria. Colhe o seu café.

Plantas e bandidos são seres vivos. Como tais, sujeitos às Leis da Natureza. A solução para acabar com os bandidos é promover o seu aumento. É batata! Chegar o dia em que, na falta de gente comum, os bandidos passarão a eliminar os bandidos. Foi o que vi num babaçual do Guaporé. Só palmeira! Uma imundice de palmeiras. A sábia natureza entrou no meio. Sustou a produção dos cocos (sementes) do babaçual. Algumas plantas já estavam morrendo. Era o auto-extermínio daquele babaçual.