Clarimundo Campos

Crônicas especiais

Crônicas Há mais de 22 anos escrevendo Crônicas, na premissa de trazer diversão aos leitores e a mim mesmo, com as amenidades do dia-a-dia. A coluna é publicada aos domingos no CORREIO de Uberlândia.

16 de junho de 2013 6:27

A alegria de ser livre

Engenheiro Agrônomo aposentado

Curti minha juventude na roça. Curti-a mesmo sem saber que era a mais feliz fase de minha vida. Viver solto e alegre entre a passarada. Havia abundância de frutas das que os pássaros e eu mais gostamos. Por esse motivo baixavam em nossa fazenda as avoantes que moravam nas matas.
Nos altos coqueiros, alinhados na beira da estrada, os melros faziam algazarra, principalmente quando os gaviões apareciam e tentavam pegar seus filhotes. O gaturamo, também procedente das matas, estava sempre a nos brindar com o sua linda cantoria, que consistia em imitar o canto de todos os pássaros daquela redondeza. O gaturamo não cantava quando estava em gaiolas. Outro notável cantor era o curió. O sabiá laranjeira só nos alegrava com seu belo canto quando estava prestes a começar o tempo das chuvas. A garrincha, conhecida ali por garricha, morava nos beirais de nossa casa. E cantava e muito cantava.
As frutinhas da corindiba, rentes à cozinha da casa, atraíam barulhentos e lindos passarinhos. A saíra era a mais bela de todas. Ali, quem não sabia cantar, alegrava o ambiente com o muito piar. Nas primeiras horas da noite, o bacurau anunciava “amanhã eu vou”. Mas não ia. Este aqui é que de lá se foi. E hoje amarga ainda muita saudade.
É natural que eu fique acabrunhado diante da tristeza dos irracionais confinados, por toda a vida, nos zoológicos. Bacana é vê-los, pela televisão, nos ambientes naturais que o destino lhes ofertou, nos quais são alegres, desde que longe de malvado bicho homem.
Louváveis são os hospitais veterinários: acolhem, tratam, recuperam e os devolvem saudáveis, prontos a voltar a viver alegres e felizes em seus ambientes naturais.

9 de junho de 2013 10:36

Um macaco no céu

Engenheiro Agrônomo aposentado

Gostaria de reler um livrinho delicioso cujo título é “Um boêmio no céu”, de Catulo da Paixão Cearense, um compositor maranhense, que faleceu no Rio de Janeiro em 1946. A última vez que vi o livro, cerca de 50 anos atrás, estava dentro de uma mala, reduzido a pó pelas traças. Valeu lembrar-me dele: resolvi contar a história de um macaco-prego, o mais libidinoso e indecente dos primatas. Seu nome vem do fato de ser dotado de um pênis cuja chapeleta é semelhante à cabeça de um prego grosso.

Aquele macaco soube que estava para começar uma grande festa no céu, cujo manda-chuva é o senhor São Pedro. O símio, já tinindo de desejo de comparecer àquela festança, tratou de falar com São Pedro, que prometeu estudar o seu caso. Informaram ao santo que aquele macaco não era boa bisca. Porém, depois de escutar tantos rogos e promessas de que teria uma conduta impecável durante a festa, São Pedro deu-lhe a entrada e pediu aos seus santos capangas que ficassem de olho no macaco. Na primeira noite de folia descobriram que o macaco estava a transar com toda criatura que o aceitava. Os santos capangas pediram a presença do maioral do céu. Este, diante daquela cena escabrosa, o máximo em atentado ao pudor, deu uma ordem enérgica aos auxiliares:

“Capem-no, imediatamente!”

Após lhe retirarem os bagos, todos imaginavam que estavam livres das sacanagens do símio para sempre. As festas no céu sempre foram animadas e de longa duração, até mais que os carnavais da Bahia. E com muita ordem e respeito. Afinal, naquele mundão sagrado, residem todos os santos e santas do Universo.

O castrado, após uma semana da operação, voltou a se esbaldar no meio do povo. E foi flagrado por dois vigilantes do céu, os quais ficaram bestas com o que viram. O macaco sendo atacado por trás e achando muito bom. Ele apenas disse: “Eu sou é da farra!”. Aqueles funcionários do céu resolveram não incomodar São Pedro àquela hora. Decidiram: “Não vamos expulsá-lo nem nada. Hoje em dia até os casamentos gays são legais e acontecem aos montes. Vejam como esse macaco está alegre. Parece até com um conhecido meu, lá do Brasil, que foi alavancado para a classe média pelas bondades do governo.

2 de junho de 2013 6:51

Coisa ruim é bondade

Engenheiro Agrônomo aposentado

“No muito possuir não é que anda posta a felicidade”, afirmou Alexandre Herculano. Mas uma boa grana não faz mal a ninguém. Talvez a dentista Cinthya não tivesse morrido queimada, se houvesse mais de R$ 30 em sua conta bancária. No muito saber não é que anda posta a felicidade. Se um animal soubesse que está em prisão perpétua num zoológico, seria ainda mais triste.

Os presidentes da República estão de parabéns. Os estádios estão muito bonitos e bons. Não desejo, apenas desconfio, que será o desfile do feio sobre o bonito. Coisa boa é bondade, que nem a festa da Trindade. Mas exagero de bondades sabemos como ele é: o Brasil ia para frente, agora vai de marcha à ré. Acabo de aprender com o Ivan Santos, o jornalista que mais entende de política, isto aqui: “democracia sem oposição é ditadura democrática”.

Um leitor, num rompante de grosseria, disse que o Ivan faz cocô em fralda geriátrica. Eu, que sou muito mais velho do que ele, bato a minha biomassa em vaso sanitário. Mas é contrariado. Bom mesmo é no mato, de cócoras, a posição que Deus mandou a natureza ensinar ao Homo sapiens. Quando vejo a cara de alguns políticos fico com vontade de plantar no meu quintal muitos pés de macaé, também conhecido como chico-dias.

O chá de suas folhas é um porrete contra a vontade de vomitar. É preciso que seja criada a pena da castração contra os tarados sexuais. Não importa que virem pederastas passivos, como aconteceu com o macaco numa festa no céu. Constatei no Aurélio que há uma montoeira de espécies de pombas, e que uma tal vulva é uma pomba. Boiei.

Não sabia o que era aquilo. Depois que o próprio Aurélio me contou o que é vulva, mudei o velho ditado para: “mais vale uma mão na pomba do que duas pombas na mão”.