Antônio Pereira

Memória de Uberlândia

Crônicas da Cidade Para não nos esquecermos dos que plantaram o que somos. A coluna é publicada aos domingos

10/04/2011 0:00

João Naves de Ávila – II

Jornalista

Depois de 14 anos morando na roça, João voltou com a família para a cidade, residindo inicialmente na praça Coronel Carneiro, exatamente onde morou o próprio coronel. Apesar de sua resistência, foi nomeado Conselheiro do Município a pedido de amigos e do prefeito Lúcio Libânio (1931/32). Nessas condições, várias vezes, convocado pelo governador, assumiu a prefeitura. A primeira delas a 4 de maio de 1933, por meio do Ato assinado por Olegário Maciel e Gustavo Capanema cujo teor era: “O Presidente do Estado de Minas Gerais resolve nomear o sr. João Naves de Ávila para exercer, interinamente, durante a licença nesta data concedida ao efetivo, o cargo de Prefeito do Município de Uberlândia.”

Após a aquisição da parte do Nicomedes na charqueada, a empresa passou a denominar-se “Ubaldo Naves & Cia” com um capital, registrado no dia 25 de maio de 1944, de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros). Os filhos e genros de João assumiram a direção sendo presidente Ubaldo Naves. Em 1950, a empresa passou por grande transformação e o pequeno abatedouro virou uma grande charqueada, com seus produtos vendidos em todo o país. Nessa década, ela mantinha um estoque de 20 mil a 30 mil reses. No fim da década construíram-se as câmaras frigoríficas que permitiram nova fase de comercialização. Em 64, a razão social passou a ser “Frigorífico Omega S/A” e João assumiu a presidência. Os outros diretores dessa época foram: Ubaldo Naves Filho, Cícero Naves de Ávila, Renato Humberto Calcagno, João Naves Filho, Ismário Mendes de Lima e José Naves de Ávila. Em meados da década de 70, o frigorífico passou por novas remodelações.  Por essa época, seus produtos e subprodutos eram comercializados em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e todo o Nordeste. Na década de 80 iniciaram a exportação para o Mercado Comum Europeu, o que durou aproximadamente uns três anos. Em 84, a empresa suspendeu suas atividades e arrendou as instalações para o Consórcio ABC de Carnes. Nessa ocasião, o abate diário ficava em torno de 600 a 700 reses.

Por determinação de João, o frigorífico doou área e recursos para a construção do Grupo Escolar Joana Rosa Naves e o prefeito Zaire Rezende aproveitou-se de área institucional de loteamento a ser feito pela família para construir um conjunto poliesportivo que chamou de “João Naves de Ávila” (ex-campo do Omega Futebol Clube). João foi fundador, com Edson Garcia Nunes, da Crediminas e possuiu charqueada em Governador Valadares com seu irmão Olímpio Naves. Seus irmãos foram: Augusta, Manoel, Amador e Alda.

Todos os filhos de João Naves de Ávila e Alda Custódio de Ávila nasceram em Uberlândia: Iracema Naves Mendes de Lima, nascida em 1915, casada com Ismário Mendes de Lima. Fazendeiros. Seus filhos: José César, João, Luiz, Antônio e Ubaldo deram-lhe diversos netos. Ubaldo Naves, nascido em 1917, médico, casado com Maria José da Cunha Naves. Seu filho, Carlos Alberto, é fazendeiro em Goiás. Possuem vários netos. Maria Custódio nasceu em 1921. Fazendeira em Uberlândia e Canal de São Simão. Solteira. Cícero Naves de Ávila nasceu em 1923. Casado com Dalva Amélia Ataíde Naves. Seus filhos: Ângela Mara, Maria Inez, Cícero Jr., Maria Lúcia e Maria Beatriz. São vários seus netos. José Naves de Ávila nasceu em 1925, é casado com Paula Bruno Naves. Seus filhos Delmira e João Naves Neto e Maria Paula são casados. São fazendeiros em Minas e Goiás. Ubaldina, viúva do contabilista Renato Humberto Calcagno, fazendeira. Seus filhos: Elvira, Alda Maria e Renato Humberto Jr. são casados, fazendeiros e comerciantes em Minas e Goiás. João Naves de Ávila faleceu no dia 7 de maio de 1970.

(fontes: Dantas Ruas, Tito Teixeira, Antonio P. Silva, Cícero Naves de Ávila e José Naves de Ávila).

Comentários (14)

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  1. joao roberto machado disse:11/04/11 10:28

    Antonio,excelente,sobre todos os tituloa, a lembrança do Grande João Naves de Avila.Homem Integro,Honesto,Serio,Avesso as Badalações comuns na epoca,em Uberlandia,só queria Trabalhar Bem ,e o fez assim, toda a sua Longa e Bela Vida.Lembro-me,creio,do João Cesar,o Cesinha,filho dele,colega meu no Estadual,pessoa nota 10,casado com a irmã do Mardem Grama,creio que morador de Belo Horizonte,Atualmente.Confirme para mim,se possivel,Antonio.

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    • Antônio Pereira disse:12/04/11 20:38

      Meu querido amigo,
      vou ver se consigo alguma informação.
      Agradeço-lhe por seus eternos estímulos, ainda que eu não mereçca.
      Uma boa noite.
      Antonio

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  2. VICTOR COSTA FAIOLA disse:12/04/11 15:41

    Antonio, meu nome é Victor e, como sei que o senhor é um grande conhecedor da história de nossa cidade, gostaria de uma ajuda. Sou bisneto, e tive a honra de conviver durante 11 anos de minha vida, da sra. Gasparina Gonçalves, também conhecida como “Inha”, que faleceu em 1994. Ela foi, durante muitos anos, proprietária do Restaurante da Estação Mogiana, quando esta se localizava ainda no centro da cidade, onde hoje se encontra o Terminal Central. A ajuda que peço ao senhor é que, nostálgicos como somos, caso o senhor tenha algum relato, arquivo, registro, fotografia desta época da estação (ou, o que seria ainda melhor, das pessoas no restaurante) por favor entre em contato comigo através de meu e-mail. Ficaria muito agradecido.
    Grande abraço,
    Victor

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    • Antônio Pereira disse:12/04/11 20:36

      Boa noite, Victor.
      Já ouvi falar algumas vezes do Restaurante da Mogiana. Não tenho informações sobre ele. Fotografias da Mogiana à época do restaurante é bem capaz que tenha. Vou procurar e volto a me comunicar. Veja bem, do restaurante, garanto-lhe que não tenho. Se encpontrar, já estou sempre a compulsar fotos antigas, aviso-lhe.
      Antônio
      Tem tempo: Muito honrado com sua leitura. Obrigado.

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    • Rafael Skywriter disse:16/04/11 13:44

      http://www.correiodeuberlandia.com.br/exibe-video/?wtitle=video&vid=278

      Acho que esse video vai te ajudar a ter lembranças da Estação. Espero ter colaborado tanto com você quanto ao nosso HISTORIADOR Sr. Antonio.

      =)

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      • Antônio Pereira disse:21/04/11 9:33

        Obrigado, Rafael pela referência e pela atenção com o nosso amigo Rafael.
        Um bom fim de semana.
        Antonio

        Responder
      • Antônio Pereira disse:21/04/11 9:33

        Na última mensagem troquei o nome do Vitor, desculpe.
        Antonio

        Responder
      • VICTOR COSTA FAIOLA disse:04/05/11 14:41

        Rafael Skywriter: vou assistir agora o vídeo! Muitíssimo obrigado pela atenção.

        Sr. Antônio, será que o senhor poderia enviar estas fotos para o meu e-mail vitet@msn.com? Minha avó Cida, hoje com 82 anos, sempre me fala destes tempos e tenho certeza de que ela se emocionaria muito ao ver essas imagens. E muitíssimo obrigado pela atenção e carinho.
        Em tempo: minha bisavó Gasparina, a dona do Restaurante, tinha vários irmãos, todos com o nome parecido: Gamaliel (Nicola), Glodoaldo, Gumercindo, Gulartino, Govardina (Benzica, ainda viva, hoje com 93 anos!) e Godofrino (mais conhecido como “Bem”, era mestre de obras e ajudou na construção do Campus Umuarama da UFU, e virou nome de rua por lá – Rua Godofrino Gonçalves)

        Sr. Agostinho, acabo de falar com a minha Vó Aparecida e ela me disse que lembra muito de todos vocês. Ela ficou muito, mas muito feliz ao ouvir sobre vocês, principalmente sobre o Dorico! Ela pediu para avisar que está velha, mas lembra muito bem de quem ela gosta! Rssss…vou entrar em contato contigo agora por e-mail.

        Abraço a todos e mais uma vez obrigado!

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    • AGOSTINHO PAGANINI disse:18/04/11 18:54

      Senhor Victor, minha esposa é filha do Sr.Antonio Caetano Vieira, conferente de armazém da Mogianna, também conhecido como “parceiro”. Este casou-se com Dona Divina Fonseca Vieira que trabalhou no Restaurante da Mogiana, assim como sua filha Júlia (Naná). Vamos procurar alguma foto também e entraremos em contato. Meu e-mail é paganini2310@hotmail.com.
      Em tempo: O “Dorico”, filho de Dona Divina, foi criado pela Dona Gasparina, a qual também tive o prazer de conhecer.

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      • Antônio Pereira disse:21/04/11 9:22

        Meu prezado ex-aluno,
        agradeço sua colaboração. Se conseguir alguma foto do restaurante, gostaria de ter uma cópia. Com relação aos Paganini, a família é apenas citada no livro, acredito porque tenha chegado após 1930 – que foi o limite da pesquisa. Os meus livros estão nas seguintes livarias: Itacolomi, Nobel, Pró Século, Livraria da UFU, revistarias da UFU e do shopping.
        Meu abrço
        Antonio

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      • VICTOR COSTA FAIOLA disse:04/05/11 14:42

        Agostinho, estou lhe mandando um e-mail agora!

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    • Antônio Pereira disse:22/04/11 15:35

      Victor, boa tarde.
      No meu arquivo de fotos tenho algumas da Mogiana, mas só a vista do prédio da estação. Nada do interior, infelizmente. Vou observar, se descobrir algo te digo.
      Antonio

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  3. Ricardo Soares disse:10/09/11 14:22

    o que levou a uberlandia uma avenida, de tamanho porte como é, com o nome de João Naves de Avila?

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    • Antônio Pereira disse:19/09/11 9:43

      oi Ricardo,
      João Naves de Ávila foi uma dessas persoanlidades que marcam e caracterizam o desenvolvimento da cidade. Homem bastante interessado em comerciar, desde menino começou a a trabalhara, vender carne na rua, conduzir carros de bois e vai crescendo, crescendoa até se tornar uma potência econômica. Criou sua família dentro do sistema mais rigoroso do patriarcalismo. Você já pensou uma famáilia que, às cinco horas da manhã, reune-se para o café? Só que os filhos não são mais crianças, sao adultos, grandes empresários e vão à essa hora à casa do pai tomar café e tomar bênçãos? Foi nomeado provisioriamente prefeitoa apesar de anão possuir nenhum cultura acadêmicaa – só da vida. Ademais, nomeação de rua atende também os interesses políticos dos dirigentes do município. Acho que o João Naves tinha merecimentos.
      Antônio

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