AutoViação Intermunicipal
O primeiro automóvel foi construído em 1893. Em 1912, nos Estados Unidos, iniciou-se a era rodoviária, que só viria a ter seus princípios no Brasil em 1945, sob o governo de José Linhares (presidente do Supremo Tribunal Federal que substituiu o presidente da República, deposto, Getúlio Vargas), sendo Ministro da Viação Maurício Joppet. Esses dados fundamentais nos reportam ao atrevimento de Fernando Alexandre Vilela de Andrade de instalar a primeira empresa construtora de rodovias do Brasil Central e adquirir os primeiros veículos automotivos que circularam na região. Isso em 1912!!! Ele já se propunha a isso desde os seus últimos dias como agente executivo (prefeito) de Vila Platina (Ituiutaba). Tão logo passou o cargo ao sucessor, mudou-se para Uberabinha. Vendeu, com seus irmãos co-herdeiros, a Fazenda Pirapitinga, que tinha a área de 10,8 mil alqueires mineiros, aos ingleses da Southern Territories Limited e alienou parte da herança de sua esposa na Fazenda Segundo Salto. Com o dinheiro levantado, contratou o engenheiro Ignácio Pinheiro Paes Leme, com quem já trabalhara em Vila Platina, e puseram mãos à obra. Os dois, Vilela também era engenheiro, fizeram os estudos iniciais para a implantação da estrada. Paes Leme, que já possuía um automóvel, percorreu o trecho de Uberabinha a Vila Platina pelos trilheiros dos carros de bois anotando o que pudesse orientá-los. Seu carro foi apelidado pelo povo de “gafanhoto”, tanto que saltava. O trajeto escolhido por Paes Leme permanece até hoje no traçado da BR-365, que praticamente se sobrepôs à pioneira.
A 12 de junho de 1912, Vilela começou a construção da rodovia, inaugurando a estaca zero à margem direita do rio Uberabinha. Foi na base do enxadão, da pá e da picareta. O traçado seria o seguinte: Uberabinha, Xapetuba, Monte Alegre e Avatinguara. Em Avatinguara, a estrada se dividia indo um ramo para Vila Platina e outro para Alvorada (nome primitivo de Araporã). De Xapetuba sairia um desvio para Abadia do Bom Sucesso (Tupaciguara) e Alvorada. No dia 12 de agosto de 1912, instalou-se a Companhia Mineira Auto Viação Intermunicipal. O capital inicial era de 250 contos de réis dividido em 1.250 ações no valor de 200 mil réis cada. Compareceram à festa que se fez na sede da empresa o grande prefeito João Severiano Rodrigues da Cunha, Alexandre Marquez, Paulo Ribeiro Duarte e outros mais os representantes dos jornais “O Progresso” e “A Voz de Uberabinha”. A música ficou por conta das duas bandas locais: a Juvenil Euterpe e a União do Rio Uberabinha. O privilégio concedido inicialmente pelo Estado foi o de permitir a construção e o uso do tráfego da rodovia. O contrato foi assinado no dia 28 de agosto – mas o cumprimento dele, por parte do Estado, que se obrigava a uma subvenção anual, foi ficando, ficando, empurrado com a barriga até não sei quando. O primeiro trecho, Uberabinha/Monte Alegre, foi inaugurado em setembro. Monte Alegre saudou a chegada do primeiro automóvel com festa popular inesquecível. Esse trecho foi o primeiro construído em todo o Brasil Central e constituiu-se também na primeira realização de “marcha para o oeste” preconizada alguns anos depois pela administração pública visando à integração nacional daquela área.
O grande parque da empresa ocupava parte do quarteirão formado pela avenida Floriano Peixoto, rua Coronel Antônio Alves Pereira e avenida Cesário Alvim. Até recentemente ainda havia resquícios do prédio dos escritórios (que ficava onde está o Banco Real) e dos barracões das oficinas na rua Coronel Antônio Alves. Acho que ainda existe parte desses barracões. A primeira diretoria dessa empresa que estabeleceu as características definitivas do nosso desenvolvimento foi constituída dos seguintes: Fernando Vilela (presidente), Paes Leme (diretor técnico), Antônio José Carlos Peixoto, Camillo Chaves, Custódio da Costa Pereira, Arlindo Teixeira, Feliciano Braga e Alexandre Marquez (diretores).
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