Antônio Pereira

Memória de Uberlândia

Crônicas da Cidade Para não nos esquecermos dos que plantaram o que somos. A coluna é publicada aos domingos

7/08/2011 6:00

Os estrategistas

Jornalista

As escolas superiores de Uberlândia, inclusive a de Engenharia, que era federal, já tinham entregue ao dr. Rondon Pacheco, ministro da Casa Civil do presidente Costa e Silva, um documento em que cediam seus patrimônios para uma futura universidade. Era a aspiração do povo de Uberlândia.

O ministro Rondon Pacheco, num daqueles seus momentos de alta inspiração política, preparou dois documentos, dois decretos-lei, para o presidente Costa e Silva assinar. Estendeu-lhe o primeiro. Era o Decreto-Lei que criava a Universidade do Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A cidade de Rio Grande possuía cinco escolas superiores, uma delas já federalizada. Situação semelhante à de Uberlândia. Tanto o presidente quanto seu ministro da Educação, Tarso Dutra, eram gaúchos.

O presidente surpreendeu-se com a “proposta” do seu chefe de gabinete e se sentiu lisonjeado. Fitou-o com olhos agradecidos, sorriu e assinou satisfeito.

Rondon tirou do bolso o segundo papel: “Excelência, temos esse outro aqui.”
Era o Decreto-Lei 761, que criava a Universidade Federal de Uberlândia.

Novamente o presidente fitou o seu ministro sorrindo, agora com ar maroto, como a dizer: “Você me pegou, hein?”
E assinou. Era 14 de agosto de 1969.

Situação semelhante ocorreu mais ou menos à mesma época no Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (Inda).

O Colégio Agrícola de Uberlândia vinha sendo construído lentamente, como se não precisasse acabar. Virgílio Galassi era um dos diretores do Inda. O presidente era Dixhuit Rosado, um nordestino. Quando a verba minúscula do órgão chegou, Virgílio convenceu a diretoria a abrir mão da metade para que se construísse uma Escola Agrícola na terra do presidente. Dixhuit se sentiu lisonjeado, aceitou e aprovou.

O resto da verba – eram quatrocentos e cinquenta mil cruzeiros – Virgílio pediu que a aplicasse na construção do Colégio Agrícola de Uberlândia, que se arrastava há anos e anos. Foi aprovado com apoio do presidente, claro.

E assim, em 1969, inaugurou-se uma escola prometida à Associação Comercial de Uberlândia, durante uma exposição em Uberaba pelo ministro da Agricultura, João Cleofas, em 1953!!!

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