Primórdios da medicina
Quando alguém adoecia, no tempo em que o povoado era apenas um ralo aglomerado de casebres em torno da capelinha de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião, o que se fazia? Nos casos corriqueiros, a salvaguarda estava nas meizinhas e nas orações dos raizeiros e benzedores. Nos casos graves apelava-se para a Medicina de Uberaba. Havia duas opções: levar o doente até lá em carros de boi ou chamar o médico, que vinha a cavalo. Era viagem de quase uma semana. Nas situações mais complicadas, o doente morria no caminho ou, quando o médico chegava, já estava morto e enterrado. Se o esculápio achasse o paciente vivo, aboletava-se em sua casa – não havia hotéis nem pensões – e ia ficando, ficando até o sujeito morrer ou sarar.
Existe até o caso pitoresco, de fundo político, que envolveu o boticário Antônio Maximiano Ferreira Pinto e o padre Antônio Joaquim de Azevedo, conhecido por padre Almas, que estavam sendo acusados de terem recrutado para a Guerra do Paraguai apenas os jovens de partido contrário ao deles. O padre Almas acabou transferindo-se para Uberaba, medroso das ameaças sofridas. Comentou-se que o substituiria o padre Joaquim de Souza Neiva, que acabou não sendo provisionado, mas o povoado tinha gostado da escolha. O padre Neiva, além de bom sacerdote, era excelente raizeiro.
Foi em 1850 que se estabeleceu o primeiro boticário: Miguel Jacinto de Mello, um prático, mas que também aplicava a Medicina. Sete anos depois, chegou o segundo, o já citado Antônio Maximiano Ferreira Pinto, com a vantagem de ser provisionado por documento assinado pelo imperador dom Pedro II. Também se dedicava à Medicina.
E o pequeno povoado desenvolveu-se sem ter a proteção de uma Medicina competente até que, na segunda gestão da Câmara Municipal (1895), o experiente Augusto César apresentou um Projeto de Lei no qual autorizava a contratação, por um ano, de um médico itinerante. Havia disso antigamente. Eram médicos cujas famílias moravam num lugar, mas eles rodavam por aí, com ou sem contratos. Carlos Gabaglia foi contratado por seis contos e seiscentos mil réis. O povo se cotizou, mas só conseguiu levantar cinco contos e oitocentos. A Câmara se propôs a pagar o resto, mas também não tinha dinheiro e assinou uma promissória que o médico aceitou. Foi o primeiro médico da cidade.
Um ano depois, foi-se, ninguém sabe para onde.
Pouco depois, chegou aquele que seria um sacerdote da arte de curar por sua dedicação, por sua caridade, por seu carisma e por sua estranha personalidade: o dr. Rafael Rinaldi. Com ele, estabelece-se, enfim, a Medicina na cidade.
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adriana batista jorge disse:31/10/11 10:27
gostaria de saber mais sobre o doutor Rafael Rinaldi,pois moro na rua que leva o nome dele.
Comentários (2)