Ataliba, o desastrado
Já comentei, aqui, sobre os nossos velhos motoqueiros, desde os tempos do pioneiro Geraldo Alemão. Lá pelos anos 1940, a cidade foi tomada por uma febre de motociclistas formando bandos comportados que rodavam pelas fazendas e cidades vizinhas. Foram motoqueiros desse período: Leopoldo Garcia, Geraldo Alemão, Alexandrino Garcia, Majó, Wolninho, Ataliba Moreira, Buzineiro, Fioravante Pelizer, Pedrinho Stecca, Joãozinho do Aluguel, João Batista, Ipe, Sebastião Galvão, Gercino Martins, Aristeu Kremper e outros.
A geração de motoqueiros que se seguiu a essa foi composta dos seguintes: Eltzer Pelizer, João Batista, Darcy Fernandes, Mauro Marques, Euclides Amâncio, Antenor Fernandes, Ferdinando Mugnato, Nicanor Parreira, Sebastião de Almeida, José Alves Pereira, Hélio Lopes, Alfredo Schiavinatto, Manoel Borrás, Rola, Hollid Yunes, André, Wagner Siquierolli, Élson Almeida, Dib Antônio, Jônathas Theodoro, Geraldo Boaventura, Celso Borges, Péricles Goulart, Walter Garcia, Florentino Garcia, Élcio Almeida, Jairo Bernardes, Glaicon, Ênio Porta, Belarmino, Otávio Jacinto, Sebastião Boapinta, João Pedrosa, Wanderlan, José Peixoto, Izídio e o eterno motoqueiro Ataliba Moreira. Por certo, outros mais.
Apesar da conduta equilibrada desses esportistas, de vez em quando, acontecia um acidente, ou, pelo menos, um incidente com eles.
Alexandrino Garcia, por exemplo, foi perseguido por um enxame de abelhas, que, não obstante o seu pé quente, alcançaram-no e ferroaram-no por todo o corpo, deixando-o estatelado na rua. Baixou a hospital com febre, diarreia e inchado.
Ataliba Moreira, personagem que marcou sua passagem por Uberlândia, era corredor. Dizem que era o mais atrevido pé quente.
Geralmente, quando se pretendia uma atuação mais perigosa, uma demonstração acrobática ou um teste de máquina, escolhiam um lugar especial. Se dentro da cidade, com o trânsito impedido, cordas isolando pedestres, coisas assim.
Certa ocasião, pretendendo testar uma máquina nova, a turma reuniu-se e dirigiu-se para uma larga pista nos arredores da cidade, que era uma estrada nova que se abria. Era lá para os lados da estação do Omega. A estrada já tinha sido patrolada, estava retinha, mas a terra revolvida ainda fazia aquele poeirão.
Ataliba foi o escolhido para o teste e saiu como um doido levantando fumaça. A poeira que se ergueu escondeu-o, mas ele continuava enfiando o pé. Com a poeira alta ninguém mais o via.
E ficaram olhando, olhando. De repente, a poeira começou a baixar; o pessoal aguçava a vista, mas não via ninguém. O leito apareceu, mas cadê o Ataliba? Os motoqueiros acionaram as máquinas e entraram estrada afora. Lá na frente, um desbarrancado. No fundo, Ataliba e a moto, que mergulharam no buraco sem sinalização. Felizmente, sem maiores estragos nem num nem na outra.
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Thais disse:21/11/11 13:28
Adorei o texto. O Ataliba Moreira era o meu avô paterno adoro ler estas histórias dele. Era uma pessoa maravilhosa, muito inteligente e carismático. Parabéns
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Cássio disse:22/11/11 19:07
Outro neto do senhor Ataliba, aqui tenho duas fotos as quais gosto bastante e mandei emoldurar porque elas estavam meio esquecidas aqui. Lhe enviarei por email.
Vou ver se coleto algumas estórias que são antológicas de meu avô.
Comentários (4)