Triste fim da Noca
O Cassino Gato Preto ficava na rua Guarany (hoje, prof. Pedro Bernardo). A jogatina rolava até tardão. De madrugada vinha a farra prostibular, com muitos fazendeiros das redondezas. Além das mulheres bonitas recrutadas por aqui mesmo, vinham caravanas de São Paulo, Paraná, Rio, Santa Catarina. Eram artistas, bailarinas e mulheres que eram apenas mulheres mesmo. Ficavam 15 dias e iam embora. Logo chegavam outras trazidas por agências especializadas nesse tipo de tráfico.
Depois, o Gato Preto virou Cassino Oriental, talvez por seu dono ser um turco de verdade, Amim Zaitam. Continuou explorando o mesmo ramo. Após a proibição do jogo pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, o Cassino Oriental continuou sendo casa de entretenimentos, que abria após a última sessão dos cinemas. Dizem que o único jeito do Dutra impedir seu filho de jogar foi fechar as casas de jogo.
Amim era amasiado com uma tal de Noca, mulher bonita, que orientava o Cassino. Vivia a jovem amante num mundo fantasioso, cheio de música, roupas deslumbrantes, mulheres lindas, shows
espetaculares, bebida farta e muita grana. A orquestra que tocava para o Amim reunia os melhores músicos da cidade. Houve época em que a casa teve até duas orquestras que tocavam alternadamente. Uma, especializada em tango.
Esses músicos eram os mesmos que tocavam nos bailes do Uberlândia Clube.
Quando veio o governo do Tubal Vilela, as casas de prostituição que havia no centro foram obrigadas a se instalarem em outros locais.
Amim Zaitan e sua Noca, antes da debandada, em 1949, inauguraram o Cassino Monte Carlo, que ficava na avenida Vasconcelos Costa, esquina com a “Rua Sem Sol”, para onde imigrou boa parte do mulherio das ruas Santos Dumont e Guarany. A sociedade uberlandense acorreu à inauguração cujo espetáculo estendeu-se até as 3 da madrugada. Boa parte da venda de mesas e ingressos foi revertida em benefício da construção do Hospital Infantil de Uberlândia. O Correio de Uberlândia, de 17 de maio de 1949, disse que o espetáculo inaugural se comparava aos das grandes capitais. E disse mais: “Todos os números anunciados foram apresentados com exceção do bailarino Paulo Latour, que chegou um tanto adoentado: o belíssimo balé Ícara, composto de lindas girls em ricas e esplêndidas fantasias, Carlan, o cancioneiro romântico das Américas, mademoiselle Lamour, bailarina clássica; Aymmond, o cantor cômico travestido… Ubirajara, cantor… o magnífico jazz dirigido pelo maestro Geraldo Rocha.” Encerra a nota dizendo que o Cassino Monte Carlo era um orgulho para Uberlândia.
É, mas o Monte Carlo durou pouco, talvez por ter se enfiado por um ramo social pouco interessado em festanças ruidosas – o ramo familiar.
E fechou suas portas com uma dívida deste tamanho! Amim foi para São Paulo, Noca ficou só, abandonada. Sua vida degringolou: acabaram-se os esplendores, acabou-se a grana fácil, a idade chegava rápido e levava-lhe a beleza. Ela, que comandava espetáculos luxuosos, que era admirada e desejada, acabou trabalhando de doméstica em residências medíocres. Inconformada com o destino, pobre, desamparada, desesperada, ateou fogo às roupas e morreu.
Errata: A seita milagrosa dos japoneses a qual me referi na penúltima crônica, chamava-se Omoto e não Umoto.
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Mario Borges disse:04/03/12 7:47
Grande Antonio Pereira, voce é realmente o passado vivo de Uberlandia, sua história de hoje foi espetacular, aqueles que participaram desta época, hoje com mais de 80/90 anos de idade, e que são poucos, irão dar gargalhadas ao relembrar destes fatos, ainda bem que voce não citou os nomes de alguns “participantes” destes eventos, parabens grande Antonio.
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EUSTAQUIO NUNES LOPES disse:05/03/12 15:36
PARABENS UMA REALIDADE BEM CONTADA, SERA QUE VOÇE PODERIA LEVANTAR A PERMANECIA DA GUARDA CIVIL EM UBERLANDIA QUE FOI EXTINTA PELO GOVERNO DE ISRAEL PINHEIRO. GRATO.
Comentários (4)